Por uma sociedade sem manicômios é tema do Dia da Luta Antimanicomial deste ano

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Numa conjuntura de muita apreensão com as novas diretrizes da política nacional de saúde mental do governo Bolsonaro, mais do que nunca reveste de importância debater o tema com a sociedade.

É o que propõe a equipe de saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde, ao promover, a partir desta quinta-feira (16) até quarta-feira (22), debates e atividades diversas para destacar o Dia da Luta Antimanicomial (18). O tema da campanha deste ano é Por uma sociedade sem manicômios.

Rogério Araújo é poeta e paciente do Caps em Itabira. Na foto em destaque, cena do filme Bicho-de-sete-cabeças em um hospital psiquiátrico (Fotos: Carlos Cruz e Reprodução).

A programação (leia abaixo) inclui mesa-redonda com participação do psicólogo Marcelo Amorim Amaral Castro. Ele apresentará na quarta-feira (22), às 19h, na Câmara Municipal, o histórico da luta antimanicomial no município, que culminou com a implantação, há mais de duas décadas, do Centro de Atenção Psicossocial Adulto (Caps) em Itabira, o primeiro da região.

O debate é importante para entender o que representa essa luta antimanicomial – e o que está por vir com as novas diretrizes do Ministério da Saúde.

Não é à toa que o destaque da programação será essa mesa-redonda, com o tema Desafios da nova política de Saúde Mental, quando serão debatidos os impactos que a “nova” política do governo terá no atendimento humanizado dos Caps.

Corte de recursos

 Atualmente, Itabira e a região contam com o Caps adulto e com os Caps Infantil (Capsi) e Álcool e Drogas (Capsad). E todos correm riscos em sua manutenção, dependendo dos cortes que virão nos repasses de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pedro “Perereca” sobreviveu ao holocausto em Barbacena e hoje é atendido no Caps em Itabira

É que recente nota técnica do Ministério da Saúde fez críticas explícitas às demandas da política antimanicomial. E entre as alternativas propostas pelo governo inclui a compra de aparelhos de eletroconvulsoterapia, que servem para realizar os temíveis e desumanos tratamentos por eletrochoques.

Propõe também a volta dos hospitais psiquiátricos, com previsão de internação de crianças e de adultos, inclusive para o tratamento de dependentes de álcool e outras drogas.

Todas essas medidas se voltam contra os princípios da luta antimanicomial, que ganhou expressão nos últimos 30 anos ao concentrar as suas práticas terapêuticas no combate às violações de direitos humanos nos hospitais psiquiátricos (leia mais aqui).

Já as novas diretrizes do governo reforçam a guerra às drogas com a criminalização do usuário, confrontando diretamente com a política até então vigente de redução de danos.

É nesse contexto de grave ameaça de retorno a um triste passado, que se julgava superado, que a luta antimanicomial deve se desdobrar para fazer frente ao fortíssimo lobby da indústria hospitalar que quer reforçar seu faturamento à custa de internações, pagas pelo SUS.

Recursos que certamente irão faltar aos Caps, que trabalham com a lógica da redução de danos, fortalecendo as comunidades terapêuticas.

“Comemorar o dia 18 de maio é importante no sentido de reforçar as conquistas históricas, para que não ocorram retrocessos que prejudiquem o direito à cidadania”, considera a gerente dos Caps Adulto e Infantil, Jacira Helena Silva.

É o que se espera – e se luta como meio de acabar com as relações estigmatizadas, o preconceito e a exclusão social de quem apresenta algum sofrimento psíquico.

Serviço

O ator Jack Nicholson é submetido a eletrochoque em um hospício, no filme Um estranho no ninho

As atividades da luta antimanicomial são gratuitas e voltadas para os usuários dos Caps, familiares, trabalhadores da área e interessados sobre o tema.  E seguem até a próxima quarta-feira (22). Confira a programação:

16 de maio (quinta-feira)

14h – Sarau Poético – Com o tema “Viva a Viva! Viva a Arte!”, o evento contará com a participação de usuários dos serviços de Saúde Mental, familiares, escolas, artistas e instituições itabiranas. O espaço é aberto às pessoas que queiram compartilhar, experimentar, emocionar, sentir e transformar com arte.

Local: Praça do Campestre

20 de maio (segunda-feira)

14h – Cinema na Câmara – Esta edição do programa Cinema na Câmara apresentará o filme “O menino que descobriu o vento”: uma história sensacional, envolvente e de superação, que estimula discussões fundamentais sobre a força que cada um de nós tem dentro de si mesmo para promover mudanças coletivas que impactam na vida do outro. Toda a população está convidada para assistir.

21 de maio (terça-feira)

Roda de Conversa Café com Prosa – Uma viagem até o município de São Gonçalo do Rio Abaixo para os serviços de Saúde Mental Caps/Capsad de Itabira e o serviço de Saúde Mental Peixe Vivo. Participarão do encontro usuários, familiares e trabalhadores da área. A proposta é ampliar discussões sobre as políticas de saúde mental, avanços, geração de renda, a construção da cidadania no cotidiano e a convivência familiar.

Local: Espaço Peixe Vivo, São Gonçalo do Rio Abaixo

22 de maio (quarta-feira)

19h – Mesa Redonda – Apresentação da história da Saúde Mental no município, com Marcelo Amorim Amaral Castro. Tema: “Desafios da nova política de Saúde Mental” e os impactos nos nossos serviços. Apresentação de Marta Elizabeth.

Local: Câmara Municipal de Itabira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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