Mia Couto, escritor moçambicano, articula repúdio a Bolsonaro por não assinar diploma do prêmio Camões concedido a Chico Buarque

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O escritor moçambicano Mia Couto, vencedor do prêmio Camões em 2013, disse nessa quinta-feira (10) que irá articular com outros ganhadores do prêmio uma nota de repúdio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL), que não irá assinar o diploma concedido ao cantor e compositor Chico Buarque de Holanda, vencedor da 31ª edição da premiação conjunta Brasil e Portugal.

O diploma, tradicionalmente, é assinado pelos presidentes dos dois países. O prêmio Camões é a maior honraria literária da língua portuguesa.

Depois de perguntar aos jornalistas se teria prazo para assinar o diploma, Bolsonaro respondeu que só assinaria em 31 de dezembro de 2016, data em que encerraria o seu segundo mandato presidencial, caso seja reeleito. O mandato atual se encerra em 2022.

Chico Buarque é o vencedor da 31ª edição do prêmio Camões. No destaque, o escritor Mia Couto (Foto; François Guillot/IPTC).

Diante da declaração, Mia Couto decidiu contatar outros vencedores do prêmio Camões para que assinem uma nota de repúdio à atitude do presidente do Brasil. Para o compositor brasileiro, a afirmação de Jair Bolsonaro, de que não assinaria o diploma, foi como se ganhasse um segundo prêmio Camões.

A articulação pelo repúdio, segundo Mia Couto, não é só pela amizade que tem com Chico Buarque, mas, sobretudo, pelo sentido da declaração.

“É a liberdade de criar que está sendo agredida, é o próprio prêmio Camões”, declarou o escritor a jornalistas, depois de lamentar a situação política que vive o Brasil.

Para o escritor moçambicano, que esteve recentemente no país, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade de Brasília (DF), não é só o radicalismo do presidente que ameaça a democracia brasileira. Mia Couto se preocupa também com a ascensão do fundamentalismo religioso. “Bolsonaro foi fabricado pelas igrejas evangélicas”, afirmou.

“Eu estou retornando do Brasil muito preocupado com essa subida de tom do lado autoritário da censura, com a maneira como os livros estão sendo retirados das escolas, uma coisa completamente antiética”, declarou o escritor à Agência África Notícias.

 

 

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