Ex-diretores da Unifei divulgam carta aberta explicando motivos da renúncia

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Os professores Dair José de Oliveira, ex-diretor do campus da Unifei/Itabira, e Márcio Tsuyoshi Yasuda, ex-diretor-adjunto, acabam de divulgar carta aberta às comunidades acadêmicas e itabiranas explicando os motivos que os levaram a renunciar ao mandato que só expiraria em 21 de junho de 2019.

Na carta, os ex-dirigentes do campus de Itabira explicitam as dificuldades, que este site Vila de Utopia já havia adiantado, para implementar o projeto universitário de Itabira, assim como a perda gradual de autonomia que vinha ocorrendo (Leia mais aqui e aqui).

O ex-diretor Dair de Oliveira (Fotos: Carlos Cruz)

Entre as dificuldades enfrentadas, eles relacionam a falta de apoio à proposta de trazer um curso de medicina para o campus local. “Tentamos buscar informações a respeito de se ter um curso de medicina em Itabira: pontos positivos, implicações, demandas e cuidados que deveríamos ter antes de dar prosseguimento ao projeto. Não fomos autorizados.”

Embora lamentem a possível descontinuidade de importantes ações que se encontram em curso, os ex-dirigentes da Unifei reiteram “a confiança na consolidação de nossa instituição, que deve continuar com a sua missão de contribuir de maneira destacada e efetiva para a diversificação econômica de Itabira e região, motivo pelo qual este campus foi aqui implantado.”

Leia a seguir a íntegra da carta renúncia:

Itabira, 07 de dezembro de 2017.

Caros membros das comunidades acadêmica e itabirana,

Há alguns anos chegamos a Itabira para dar prosseguimento às nossas carreiras de docentes. Ao chegarmos a um campus que estava se iniciando, percebemos que deveria existir uma maior participação de todos para a
efetivação de sua implantação, fruto de uma parceria público-privada inédita no Brasil e que poderia servir de modelo para outros projetos semelhantes.
Surgiu, então, a oportunidade de dar um passo além e decidimos fazê-lo. Candidatamo-nos à direção do Campus de Itabira.
Sabíamos que o risco pessoal seria grande. O ano era 2015, com crises econômica e política em âmbito nacional e também com dificuldades econômicas no município.
Algo, porém, precisava ser feito, ou, pelo menos, tentado. Acreditávamos e ainda acreditamos verdadeiramente na importância deste campus, com sua proposta para Itabira e região, e também para Minas e o Brasil. A comunidade do campus nos deu o voto de confiança, e ficamos muito honrados com isso.
Como dissemos no início, sabíamos que enfrentaríamos muitas dificuldades, e, de fato, as enfrentamos.
Neste relato, vamos nos ater a algumas das principais dificuldades entre tantas outras que marcaram os últimos anos.
Tentamos buscar informações a respeito de se ter um curso de medicina em Itabira: pontos positivos, implicações, demandas e cuidados que deveríamos ter antes de dar prosseguimento ao projeto. Não fomos autorizados.
No início deste ano, três picapes S-10 seriam levadas para o campus sede, sem nenhuma tratativa com a direção do campus, somente um comunicado para agendar a transferência. Foram levadas duas caminhonetes. A terceira permaneceu no campus em função do argumento que apresentamos de que a
transferência estava em desacordo com uma cláusula do convênio com a Vale.
Outro fato muito importante é a maneira como vem sendo conduzido o estudo sobre a possível divisão da unidade acadêmica do campus em mais unidades. Temos uma posição muito clara sobre o que consideramos ser a melhor opção, mas o ponto principal nem sequer se refere ao fato da divisão ocorrer ou não, mas sim à forma e à urgência com que o assunto, de relevante importância para o cumprimento da Missão do Campus, vem sendo tratado. Nesse processo, é natural que a assembleia da unidade acadêmica, o Conselho do
Campus e outros segmentos da nossa comunidade queiram participar de forma mais efetiva e tenham oportunidade de ser ouvidos e melhor esclarecidos; a nossa interpretação é que esta atitude de buscar um diálogo mais esclarecedor e uma busca de mais e melhores informações e estudo/análise de modelos,
constitui uma obrigação nossa e não um desrespeito à comissão constituída pelo Consuni ou ao próprio Consuni.
Nesse sentido, o Conselho do Campus, ao qual presidimos, decidiu fazer uma consulta pública à comunidade acadêmica, aprovando o encaminhamento feito por um de seus conselheiros e da própria comunidade acadêmica. Lamentavelmente, essa consulta foi proibida pela reitoria e tratada como
desrespeito à comissão e ao Consuni. O que nunca foi o nosso objetivo ou, sequer, intenção. Pretendíamos, tão somente, ouvir a opinião de uma maior quantidade de pessoas para melhor fundamentarmos a nossa atuação nas mais diversas instâncias nas quais o assunto vem sendo institucionalmente estudado e submetido às instâncias de decisão apropriadas.
Poderíamos exercer o direito de continuar, pois fomos eleitos pela comunidade para um mandato até 21/06/2019. No entanto, diante dos motivos relatados acima, de uma equipe que se sente sem ação e com receio de atuar na gestão, em proteção à nossa saúde física e mental e, sobretudo, pelos prejuízos que consideramos que o campus está sofrendo com todo retrocesso relativo à autonomia e possibilidade de atuação da gestão do campus, não restou outra saída senão renunciar à diretoria.
Portanto, em função de diferenças significativas em relação à estruturação do Campus Avançado de Itabira e à maneira pela qual ela vem sendo conduzida, diferenças essas que se acentuaram no último ano e que culminaram na proibição da consulta pública solicitada pelo Conselho do Campus, decidimos interromper os nossos mandatos de Diretor Geral e de Vice-Diretor Geral do Campus de Itabira, juntamente, com a nossa equipe de gestão.
É uma das decisões mais difíceis que já tomamos, mas em nossa avaliação, a mais sensata, neste momento, para a comunidade do Campus de Itabira.
Lamentamos profundamente os fatos ocorridos, porém, temos consciência que situações extremas requerem decisões maduras e refletidas que visem ao bem comum e não a interesses pessoais ou de uma minoria.
Lamentamos também a possível descontinuidade de importantes ações que se encontram em curso.
Seguimos, fortemente, comprometidos com a Unifei e acreditando na consolidação de nossa instituição, que deve continuar com a sua missão de contribuir de maneira destacada e efetiva para a diversificação econômica de Itabira e região, motivo pelo qual este campus foi aqui implantado.
Abdicamos do nosso mandato, conscientes de que há muitas tarefas a se cumprir que independem de um mandato; são frutos de um projeto institucional incapaz de ser concretizado em um, dois, ou quatro anos, mas que, obrigatoriamente, requer o apoio incondicional de toda comunidade acadêmica e da Administração Central. São objetivos que devem convergir para um projeto de longa duração, como é a finalidade da educação pública de excelência para a sociedade brasileira.
Pedimos desculpas ao Consuni por não apresentar esta renúncia durante sessão daquele conselho, o que faríamos no dia 04/12/2017, mas não houve reunião.
À comunidade universitária, de maneira muito especial a do Campus de Itabira, que nos honrou com sua confiança, pedimos sinceras desculpas por não concluirmos nosso mandato e também por não termos conseguido finalizar tudo que gostaríamos e era almejado pela comunidade.
Agradecemos imensamente o apoio que temos recebido, a toda nossa equipe, do início de nossa gestão até agora, pelo companheirismo, dedicação e lealdade e a todos que caminharam e colaboraram conosco nesse período. Agradecemos imensamente aos colegas servidores e aos nossos alunos. Agradecemos também à comunidade itabirana, da qual nos tornamos mais próximos.
Clamamos a todos que acreditam neste campus e no seu propósito que lutem por ele.
“A mudança não virá se esperarmos por outra pessoa ou outros tempos. Nós somos aqueles por quem estávamos esperando. Nós somos a mudança que procuramos.”
Barack Obama
Um forte abraço e que Deus nos abençoe,
Dair José de Oliveira e Márcio Tsuyoshi Yasuda.

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