Diretor do campus da Unifei de Itabira e equipe renunciam

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Depois de ver frustrada a sua proposta de realizar uma consulta pública entre professores, estudantes e funcionários para saber se querem ou não a divisão do campus da Unifei/Itabira em unidades acadêmicas, o professor Dair de Oliveira renuncia ao cargo juntamente com o diretor-adjunto Márcio Yasuda e respectivas equipes.

Pesou ainda na decisão o fato de o conselho do campus local ter aprovado, nessa quinta-feira (7/12), o relatório da comissão que tratou sobre a divisão. A aprovação foi por margem apertada, registrando sete votos a favor, seis contrários, além de seis abstenções.

Crise no campus da Unifei em Itabira leva à renúncia de diretor, vice-diretor e respectivas equipes (Fotos: Carlos Cruz)

A divisão do conselho demonstra claramente a dimensão da crise vivida no campus da Unifei em Itabira, com profundas divergências políticas, ideológicas e administrativas entre os grupos locais que até então estavam no poder – e os que gravitam em torno da reitoria de Itajubá.

A instituição de novas unidades acadêmicas deve ser aprovada na reunião do Conselho Universitário da Universidade de Itajubá (Consuni) na segunda-feira (11/12), aproveitando-se do fato de alunos e professores estarem em férias, o que inviabiliza qualquer forma de manifestação contrária.

Carta renúncia

A reportagem procurou, sem sucesso, entrevistar o professor Dair de Oliveira para melhor explicar os motivos que o levaram a renunciar. Sabe-se, entretanto, que ele deve divulgar uma carta aberta expondo os motivos da renúncia – e se posicionando sobre a crise instalada entre o campus de Itabira e a reitoria.

Os professores Dair de Oliveira e Fábio Nakagoni, em evento cultural no Festival de Inverno de Itabira

“A crise deve ter fim agora que eles (da reitoria de Itajubá) conseguiram a renúncia do professor Dair”, acredita um professor ouvido pela reportagem, que pede para não ser identificado por temer retaliações.

Na carta o professor Dair deve falar na perda da autonomia do campus de Itabira, o que para o ex-diretor é um retrocesso.

Uma outra crítica deve incluir o abandono do projeto universitário de Itabira tal como foi concebido pelo ex-reitor Renato Aquino, que previa a instalação de um parque tecnológico no próprio distrito industrial, anexo ao campus universitário.

O professor Dair deve também justificar a renúncia como sendo melhor para o campus de Itabira, diante do antagonismo que tem vivido com a reitoria de Itajubá.

Fato consumado

A consulta pública que o campus local pretendia fazer para ouvir a comunidade acadêmica de Itabira estava agendada para os dias 29 e 30 de novembro. Porém, foi cancelada após o reitor da universidade, professor Dagoberto Alves de Almeida, em um memorando, ter-se posicionado contrário à sua realização, embora tenha dito não ser contra a consulta (leia mais aqui). Foi o estopim que levou à renúncia do diretor do campus de Itabira, do diretor-adjunto e de suas respectivas equipes.

“Essa divisão em unidades acadêmicas, no momento, não é oportuna. E a consulta com certeza iria mostrar que a maioria aqui no campus não quer essa divisão agora. A comissão que tratou desse assunto para a reitoria não sabe responder quantas pessoas da comunidade acadêmica são contra ou a favor”, afirma outro professor, que pelo mesmo temor de ser retaliado pede para não ter o seu nome citado na reportagem.

“Esclareço que a Unifei não abriu nenhuma consulta pública e, portanto, não reconhece qualquer resultado proveniente de uma consulta dessa natureza aberta à revelia de seu órgão colegiado máximo”, escreveu o professor Dagoberto, no memorando em que proíbe o departamento de informática e comunicação do campus de Itabira de realizar a consulta.

 

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