Coronavírus: A hora da Ciência e da Saúde Pública

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

 Por Montserrat Martins*

[EcoDebate] Na sexta 13 de março em que foi divulgado o resultado do exame para Coronavírus do presidente da República, a Pandemia já se tornou o assunto central do país. Antes de ter auxiliares contaminados e precisar fazer o exame, o presidente falara em “alarmismo” da mídia – mas agora, com pessoas próximas atingidas pelo vírus, a preocupação ganha novo “status”.

“Viralizou” um áudio do Dr. Jatene, relatando reunião médica em São Paulo, onde especialistas debatiam os riscos do Coronavírus no Brasil. A maior preocupação do Dr. Jatene é a possível falta de equipamentos respiratórios para um número excessivo de idosos que venham a ser atingidos. Circula agora um novo áudio, de outra médica, infectologista, presente na mesma reunião de especialistas, procurando desfazer os temores do áudio anterior.

Diz a infectologista do (Incor do Hospital de Clínicas de São Paulo) que há semelhanças com H1N1 e que o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais da Saúde estão atentas, mas que o alerta principal de resguardo é para a população mais idosa ou com problemas prévios cardíacos e pulmonares, e que não é caso de interromper aulas, nem de disseminar o pânico entre a população.

Medidas restritivas serão feitas por estudos epidemiológicos – uma das Ciências que orienta a Saúde Pública – e o Ministério da Saúde irá orientando a população, em conjunto com os órgãos Estaduais, considerando as situações próprias de cada região.

O áudio do Dr. Jatene causou grande impacto ao falar em “explosão” do número de casos a partir da contaminação interna no país – e não mais só dos pacientes que voltaram de viagem ao exterior – e do alto índice de mortalidade entre idosos, que poderia chegar a até 15 a 18% (em pacientes com outras comorbidades, como problemas prévios cardíacos ou pulmonares), contra apenas 0,2 % dos jovens, “é uma doença que mata os velhos, não os jovens”, disse o Dr. Jatene.

Além das UTIs também os Centros Cirúrgicos com respiradores tem sido usados na Itália, onde as cirurgias foram suspensas para se usar essas salas com seus equipamentos no combate ao Coronavírus, com entubação por até 3 semanas dos pacientes.

Cabe ao Governo Federal e aos Estados dar o suporte necessário de equipamentos, hoje não disponíveis em quantidade suficiente como já se prevê, além das estratégias de prevenção para conter a disseminação do vírus – no que a China já estaria começando a ter resultado, nesta semana, com grande redução de novos casos.

Agora é hora de Ciência e de Saúde Pública. Não é mais hora para polêmicas ideológicas nem para fake news, agora é levar a sério as orientações médicas até passar essa crise, o que se prevê que aconteça até o final do ano.

*Montserrat Martins – Médico, autor de “Em busca da Alma do Brasil”

No destaque pessoas usam máscaras de proteção no Aeroporto Internacional de Chengdu Shuangliu, na China (Foto: oto: ONU News/Jing Zhang)

 

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

Deixe um comentário