Vice-prefeito de Itabira defende “tratamento precoce” com lockdown como remédios amargos necessários para vencer a pandemia

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Ao participar da transmissão virtual semanal do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) pela rede social, na sexta-feira (10), o vice-prefeito Marco Antônio Gomes (PL), que é médico nefrologista, voltou a defender o “tratamento precoce” para salvar vidas.

“Estamos enfrentando um furacão e temos que usar as armas disponíveis para preservar vidas. O lockdown é uma das armas. O outro é o tratamento precoce”, defendeu mais uma vez sem explicar como é que esses medicamentos milagrosos não conseguiram salvar as vidas dos 246 itabiranos que não resistiram à doença, assim como dos 27.618 que morreram em Minas Gerais e mais de 350 mil óbitos no país.

Sem eficácia comprovada, segundo a maioria da entidades de profissionais de saúde, dentre elas a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o também chamado kit Covid-19 (hidrocloroquina, azitromicina, ivermectina, nitazoxanida) tem sido receitado fartamente por médicos itabiranos e de todo o país. Leia mais também aqui.

Seguem o receituário do “paramédico” Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início da pandemia – e são espaldados pela autonomia médica. Isso ocorre mesmo não tendo esses medicamentos eficácias comprovadas no tratamento da Covid-10 – enquanto é sabido que a maioria dos infectados vence a doença sem fazer usos desse kit milagroso.

O consumo desses medicamentos off label, com prescrição distinta do que está na bula, tem sido apontado como responsável por efeitos adversos, como é o caso da cloroquina. Segundo levantamento do Painel de Notificação de Farmacovigilância, da Anvisa, as notificações de efeitos adversos desse medicamento, indicado ao tratamento de malária e do lúpus, tiveram alta de 558% em 2020.

Segundo especialistas, esses medicamentos podem causar arritmia cardíaca, sangramentos e inflamação no fígado, segundo especialistas. E, após um ano de pandemia, estudos comprovam que a cloroquina, a hidroxicloroquina e a azitromicina não mostraram efeito benéfico no tratamento da doença – e não há estudo convincente sobre a eficácia antiviral da ivermectina. Leia mais aqui.

Desde início da pandemia, o paramédico Jair Bolsonaro receita cloroquina como panaceia contra o novo coronavírus. Médicos itabiranos seguem o receituário sem comprovação científica (Fotos: Agência Brasil e Reprodução)

Autonomia

Mas segundo o médico nefrologista Marco Antônio Gomes, assim que aparecem os primeiros sintomas da Covid-19 já é preciso ficar atento.

“Ao entrar na fase inflamatória com falta de ar, com o comprometimento importante do pulmão, se este paciente não tiver uma assistência adequada, infelizmente vai a óbito”, disse o vice-prefeito, que tem ministrado a receita milagrosa para “evitar que o paciente tenha saturação alta do pulmão e venha precisar de uma UTI para respirar”.

“Cabe ao médico analisar cada caso e receitar o que de melhor tem disponível para salvar vidas”, disse ele, que ressaltou, na live de sexta-feira, o grande número de pacientes já recuperados em Itabira. De acordo com o portal Itabira no monitoramento da Covid-19 dos 15.217 itabiranos já infectados pelo vírus no município, 13.817 já estão recuperados.

Mas infelizmente, 246 itabiranos não resistiram à doença mesmo tendo à disposição o kit Covid-19, que não impediu a hospitalização de 108 pacientes seguem internados. E 1.292 pessoas devem estar em isolamento domiciliar em Itabira, enquanto se recupera da doença, que é uma condição necessária para diminuir a velocidade da transmissão do vírus. Desses, muitos devem fazer uso desses placebos, com risco de sofrer consequências adversas.

Tranca-rua  

A queda do ritmo de transmissão (Rt) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em Itabira foi comemorada pelo prefeito e pelo seu vice. Segundo eles, foi o que levou à flexibilização de algumas medidas restritivas.

Não sem motivo, essa reabertura ainda está distante do que pedem os lojistas, mesmo sabendo que o retorno de todas as atividades econômicas somente será possível com outros indicadores favoráveis, além da imunização da maior parte da população.

“Muitas vezes, para curar um doente, temos que ministrar um remédio amargo. O lockdown é o remédio amargo para vencer a pandemia. A prova de sua eficácia é a queda do ritmo de transmissão no município”, endossou o vice-prefeito.

“Infelizmente, temos os que não acreditam no lockdown e saem às ruas muitas vezes contaminando e fazendo surgir novos casos”, lamentou Marco Antônio Gomes.

O resultado, disse, é o aumento da incidência de novos casos e de mortes entre pessoas mais jovens. “Com a vacina, caiu o número de idosos nas UTIs. Mas com os jovens saindo às ruas, aumentaram as internações e as mortes de quem tem menos de 60 anos.”

Outras síndromes

Marco Antônio Gomes chama a atenção, e pede cuidados especais com a chegada do tempo frio. É quando as síndromes respiratórias aguda grave acometem crianças e idosos, principalmente, o que pode agravar ainda mais o já colapsado sistema municipal de saúde.

“É importante agasalhar bem, proteger mais as crianças e os idosos, e ingerir muita água. E continuem fazendo uso da máscara, que protege também contra o vírus da gripe”, receita o médico nefrologista.

 

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2 Comentários

  1. Rafael Jasovic on

    a ignorancia e a insistencia de trstsmento prevoce tem levsdo a óbito muitos brasileiros. Esse médico devetis seguir s cirnvis e mso o capitão

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