Trabalhadores da Vale trocam, em “caráter experimental”, jornada de seis horas por regime de 12 com aumento de PLR

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Uma conquista histórica dos trabalhadores da Vale com a greve de 1989, e que só foi possível após a promulgação da Constituição de 1988, acaba de ser derrubada em Itabira por 745 votos (82,96%), tendo sido registrados 149 votos contrários (16,59%) e quatro votos brancos e nulos (0,45%).

Em assembleias que tiveram início na madrugada do último sábado (18) e concluídas na segunda-feira (21), foi aprovada a jornada de 12 horas paras as turmas que antes cumpriam turno de revezamento de seis horas. A nova jornada de trabalho foi aprovada em caráter experimental de três meses, mas que deve virar permanente, caso seja novamente aprovada em assembleias pelos trabalhadores.

O novo turno de trabalho irá constar do Acordo Coletivo Regional Específico a ser firmado entre a empresa e o sindicato Metabase de Itabira.

Segundo informa a assessoria de imprensa do sindicato, para a celebração do acordo a mineradora reapresentou a proposta para mudança de turno com as mesmas condições da jornada anterior, mas com o aumento de seis para 12 horas.

“A diferença agora foi a mudança do prazo para avaliação e teste dos trabalhadores, que reduziu de seis para três meses”, informa o sindicato em nota à imprensa. Acrescenta ter havido uma melhora da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) após a aprovação do novo regime de trabalho.

Em nota anterior, o sindicato Metabase havia classificada a proposta como chantagem para pressionar os trabalhadores na aprovação da mudança.

Tanto que, em assembleias realizadas em agosto, a mudança foi rejeitada por 472 votos entre 901 trabalhadores. Agora o novo regime já é acatado pela maioria.

Assembleia dos trabalhadores da Vale pôs fim à greve de 1989, cujo acordo incluiu o turno de revezamento de seis horas (Foto: Eduardo Cruz). No destaque, trabalhadores votam favoráveis à mudança de jornada para 12 horas (Foto: Divulgação)

Acordo provisório

“Cumprimos o nosso dever com a realização das assembleias”, diz André Viana, presidente do sindicado. “Cabe agora ao sindicato assinar o acordo provisório, acatando a decisão dos trabalhadores.”

Segundo ele, pela proposta aprovada, após três meses, os trabalhadores devem avaliar se querem permanecer com a nova jornada de trabalho, ou se retornam para o turno de seis horas, sem prejuízos com a PLR.

Viana acrescenta que a implantação da nova jornada de trabalho não será imediata, uma vez que antes serão realizados estudos para avaliar o sono, o cansaço, dentre outras condições de trabalho. Essa avaliação já deveria ter sido feita antes mesmo da proposta de mudança ser apresentada pela empresa, com base em outras categorias, como as dos técnicos, que já trabalham pela nova jornada.

“Daqui a três meses os trabalhadores retornaram às urnas para decidirem se permanecem ou não com o novo turno”, afirma o sindicalista.

“Até lá eles terão experimentado o horário, tendo melhores condições para avaliar a nova jornada, podendo confirmar ou não as suas escolhas”, diz André Viana, para quem será avaliado se o cansaço subsequente compensa financeiramente. Há que se avaliar também as consequências à saúde, segurança e demais condições enfrentadas pelos trabalhadores com a extensa jornada de trabalho.

Nova escala

Em nota encaminhada a este site Vila de Utopia, em maio deste ano, quando foi apresentada a proposta de mudança, a Vale esclareceu que o turno de 11 horas já é adotado há anos em várias operações na empresa.

O Metabase computa como sendo a nova jornada de 12h devido ao horário in itinere, que é o tempo gasto entre o domicílio e o local de trabalho.

Na ocasião, André Viana confirmou a implantação do novo regime de 12 horas entre profissionais técnicos que não integram a base do sindicato Metabase.

A assessoria de imprensa da Vale disse, ainda, que a mudança havia alcançado “os mais altos índices de satisfação entre os empregados”. E assegurou que nenhum sindicato pediu alteração dessa jornada nas localidades onde foi adotada.

“A empresa reforça que esse turno só pode ser adotado por acordo coletivo de trabalho”, disse em nota, o que será confirmado agora após a aprovação do novo regime em assembleias.

A empresa informou também que o turno de 11 horas assegura dois dias de folga a cada dois trabalhados. “Muitos empregados estão pedindo essa mudança.”

 

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