Retorno da febre amarela urbana é ameaça que todos devem se preocupar

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A febre amarela é uma só, assim como as formas de prevenção e tratamento, independentemente da forma de transmissão. Embora a febre amarela urbana tenha sido erradicada no país desde 1942, com o atual surto é real o risco de que possa retornar.

Sacos de lixo deixados no quintal, mesmo que fechados, podem acumular água nas dobras (Fotos: Carlos Cruz e Google)

É que o mosquito Aedes aegypti, que vive na cidade, atualmente não é um vetor do vírus, mas pode passar a ser no caso de um grande número de pessoas da cidade ser contaminado no meio rural – e retornar com a doença para a cidade. Ao picar a pessoa contaminada, ele pode virar também um vetor da doença.

Atualmente, só os mosquitos Sabethes e Haemagogus, que vivem nas florestas, nas copas das árvores, transmitem o vírus da febre amarela. Já o mosquito Aedes aegypti só transmite o vírus da dengue, chikungunya e zica, que são também doenças graves, mas que não tem a mesma letalidade da febre amarela.

A vacinação em massa de todos no campo e na cidade, com raras exceções, é o principal meio de se evitar que isso ocorra. Outra é eliminar os focos dos Aedes aegypti,”, recomenda, com urgência, a superintendente de Vigilância em Saúde, Thereza Horta.

A Prefeitura, segundo informa a Secretaria Municipal de Saúde, mantém 42 agentes de saúde e controle de endemias mobilizados e atuando para ajudar a população a combater os focos do mosquito na cidade. Eles visitam casa por casa para verificar as condições de propagação do Aedes aegypti.

Infestação

Caixa d’água destampada, mesmo com pouca água, oferece risco eminente

Nessas visitas, os agentes têm confirmado a existência de condições favoráveis à propagação desse mosquito na cidade – e em todos os bairros. De acordo com o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 8 e 12 de janeiro, Itabira registra índice médio de infestação de 6,7%.

Trata-se, segundo parâmetro do Ministério de Saúde, de uma situação com alto risco de surto. São consideradas condições satisfatórias abaixo de 1%, já acendendo o sinal de alerta quando os índices se situam entre 1% e 3,9%.

Para a realização da pesquisa, foram visitados 1.932 domicílios, sendo encontrados focos em 130 endereços, principalmente em residências, com registro de 90% dos casos. Não há um só bairro em Itabira que esteja livre dos indesejados, mas sempre pouco combatidos Aedes aegypti.

Aedes aegypti

“Diferentemente da febre amarela, em que a única coisa que a pessoa tem a fazer é se vacinar, no caso dessas outras arboviroses é possível impedir a proliferação do mosquito vetor, o Aedes aegypti, desde que os moradores tomem os cuidados ambientais necessários”, reafirma Thereza Horta.

Entre esses cuidados estão a cobertura por completo das caixas d’águas e de piscinas, assim como a retirada de vasilhames que acumulam água nos quintais – e de quaisquer reservatórios com água, seja limpa ou suja.

Ou seja, se a população, as empresas e a Prefeitura não cuidarem da urgente profilaxia urbana, o risco de que grasse no município um surto epidêmico com essas arboviroses é altíssimo. Inclusive, com o retorno da febre amarela urbana.

 

 

 

 

 

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