Quem não deve, não treme: Bolsonaro está apreensivo com quebra de sigilos na CPI da Covid-19

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Rafael Jasovich*

Segundo comentários que correm no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (ainda sem partido) estaria tenso com relatórios que estão chegando à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Ele teme que informações que venham à tona possam prejudicar o seu mandato.

Dia 10 passado foi um dia que pode exemplificar o “medo” do presidente, já que um relatório com uma chamada telefônica transcrita entre ele e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chegou às mãos dos senadores da CPI.

Na ligação, Bolsonaro teria pedido insumos de hidroxicloroquina ao premiê para empresas privadas brasileiras.

É assim que a quebra de sigilo de pessoas muito próximas ao presidente deixa mais tenso o ambiente no Planalto.

Mas indiferente a tudo isso, mesmo estando também apreensivo, Bolsonaro continua aglomerando e prescrevendo cloroquina, o que é uma aberração cientifica. Está claro que ele produz factóides para continuar mantendo os adeptos.

A propagação do vírus está incontrolável em muitos partes do país – e as mortes continuam avançando numa progressão assustadora.

Mas com toda essa conjuntura favorável, ao que parece não existe vontade política para afastar o presidente. Isso pelo fato de que a maioria teria optado por desgastá-lo e tentar vencê-lo nas urnas em 2022.

Enquanto isso o número de mortes por complicações com a Covid-19 já se aproxima de 500 mil e deve chegar a um milhão. E a percepção é que no governo ninguém se importa com isso, fora as declarações vazias de duelo.

Na realidade de um pais à deriva, com um presidente que só toma atitudes contra a contenção da pandemia, deixa todos apreensivos.

A CPI já dispõe de provas suficientes para pedir o afastamento do presidente e mandar prender ex-ministros e outros pela sua atividade sinistra.

Até antigos aliados detonam o presidente na CPI. Os próximos capítulos serão decisivos para entender qual é caminho que o Brasil vai seguir.

Sem vacinas suficientes, com aglomerações e pouco distanciamento social, a política da morte ganha a batalha contra o vírus.

Enquanto isso aumenta o valor da cesta básica, a pobreza se instala no Brasil. E na Câmara Federal continua passando a boiada.

Triste destino de um pais governado por um sociopata.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

No destaque, os senadores Randolfe Rodrigue, vice-presidente da CPI da Covid-19, Omar Azis, presidente e Renan Calheiros, relator: desvendando o genocídio brasileiro (Foto: Edson Rodrigues/Agência Senado).

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