Quantos mais precisam morrer de Covid-19 para o povo reagir e exigir o impeachment do presidente Bolsonaro

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Rafael Jasovich*

O último domingo (17) foi o dia em que o Brasil viveu um suspiro de esperança, visto que finalmente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou as vacinas para a Covid-19.

Contudo, quantos de vocês realmente compreenderam o plano de vacinação do governo? Isto é, existirá vacina para todos e quando isso ocorrerá? Afinal, todos nós conseguiremos acesso gratuito à imunização?

Essa atmosfera de incertezas nos angustia e tortura diariamente, já que, intragavelmente, somos a segunda nação com o maior número de mortos pela Covid-19, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Neste contexto calamitoso, não sabemos nem mesmo se haverá uma campanha nacional para conscientizar e incentivar as pessoas a se vacinar ou se essa política negacionista, negligente e desumana, prosseguirá, agravando drasticamente a situação.

Curiosamente, o repugnante cenário em que estamos vivendo traz à tona a lembrança do histórico episódio de 1904, conhecido como a “Revolta da Vacina”.

Além disso, é importante destacar a figura do médico sanitarista Oswaldo Cruz, que naquela época lutava pela erradicação de várias doenças, como a febre amarela, a varíola e a peste bubônica.

Foi a partir dos planos de vacinação contra a varíola que o Brasil iniciou um programa de imunização de ordem nacional. Nesse cenário, passa a ser importante sabermos que até meados dos anos 1970, os insumos necessários para a imunização eram, em grande maioria, importados por produções privadas.

Somente no início da década de 1980 foi criada a Autossuficiência Nacional em Imunobiológicos (Pasni), visando estimular a produção nacional de vacinação, com destaque para o protagonismo do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Desse modo, atualmente, o Instituto Butantan é o principal produtor de soro e vacina de nosso país, sendo o responsável pelo desenvolvimento da produção da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 aprovada pela Anvisa e desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac, cuja taxa de eficácia é de 50,04%. Além disso, há também a vacina da Oxford, que será produzida com a Fiocruz em parceria com o laboratório AstraZeneca do Reino Unido.

Frente à pior pandemia de nossos tempos, é fundamental reconhecer que a vacina é fruto de um esforço incessante, de trabalhos de pesquisas liderados por cientistas na área da saúde, duramente golpeada pela falta de investimentos e de reconhecimento.

Dessa maneira, o mínimo esperado é um pacto social do governo com toda a sociedade para que haja a vacinação em massa, a fim de diminuir o número de pessoas infectadas.

Em outras palavras, a ciência mostra-se como a única esperança para toda a humanidade, já que ela parece ser capaz de nos ofertar a possibilidade de uma imunização para o Coronavírus.

Contudo, lamentavelmente, o problema aqui não é somente de ordem científica, mas sim governamental, pois temos um presidente, Jair Bolsonaro (sem partido), que insiste em negar a ciência. Não comemora o início das vacinações e se revela totalmente negacionista a qualquer tipo efetivo de imunização.

Assim, ao longo da pandemia, o presidente defendeu irresponsavelmente e incansavelmente o uso de medicamentos sem eficácias no combate à Covid-19, como a cloroquina, além de demonstrar ser contra as medidas de distanciamento físico, isolamento social e uso de máscaras, desrespeitando constantemente a saúde da população brasileira.

Dessa forma, arriscaria dizer que o pesadelo histórico vivenciado na Revolta da Vacina se faz presente nos dias de hoje. No momento atual a mais alta autoridade de nosso país se mostra completamente negacionista frente à vacinação.

É como se ele fosse um dos arruaceiros do passado que se rebelaram contra a vacina. Estaríamos vivendo assim a Revolta da Vacina parte 2 liderada pelo presidente genocida?

Para agravar ainda mais este quadro, Manaus sofre com a gravíssima segunda onda de Covid-19 que atinge o país, evidenciando inadmissivelmente que a negligência e a falta de políticas governamentais podem deixar milhares de pessoas sem o básico, que é o oxigênio para respirar.

Tristemente, pacientes que tinham grandes chances de sobreviver tiveram o quadro agravado pela ausência de insumo hospitalar e muitos cidadãos vieram a óbito.

Com o miliciano no governo as perspectivas são ruins: a China não libera insumos, a Índia tira Brasil da lista de países prioritários para receber o imunizante e por aí vamos.

A única solução é alijar o genocida de Brasília: impeachment já!

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

 

 

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