Pelo fim da violência contra a criança e ao adolescente, pedem vereadores e ativistas itabiranos

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“Nada temos a comemorar, pois nesse exato momento uma criança está sofrendo violência sexual e há 48 anos a menina Araceli Crespo foi abusada sexualmente aos 8 anos e teve seu corpo desfigurado com ácido”, afirmou o presidente da Câmara, vereador Weverton “Vetão Andrade (PSB), na sessão ordinária dessa terça-feira (18), Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescente.

Vereador Vetão pede penas mais duras a quem comete violência contra a criança e ao adolescente (Fotos: Carlos Cruz)

O caso Araceli chocou o país em plena ditadura militar. A menina foi raptada no dia 18 de maio, drogada, estuprada, morta e carbonizada no Espírito Santo. O seu corpo foi encontrado desfigurado e em avançado estado de decomposição próximo a uma mata, em Vitória, dias depois de desaparecer.

O caso teve várias versões do crime – e permanece sem solução. Levados a julgamento, os suspeitos de famílias poderosas no Espírito Santo foram absolvidos e o processo arquivado. Leia também aqui.

De acordo com o vereador, que já presidiu o Conselho Tutelar, a violência contra a criança e ao adolescente tem aumentado consideravelmente, principalmente com a pandemia, quando as pessoas ficam mais em casa e veem aumentar os conflitos familiares.

“O seio familiar não tem sido suficientemente seguro para garantir direitos de nossos menores. A maioria dos casos de violência ocorre dentro de casa, os familiares muitas vezes são os responsáveis”, lamentou.

Segundo o presidente da Câmara, em 2020 o Conselho Tutelar de Itabira fez 1,6 mil atendimentos, sendo que 788 foram decorrentes de conflitos familiares. “Desses atendimentos, 30 foram por abuso sexual. Só quem vivencia essa violência sabe o que é a realidade desse abuso dentro de casa”, salientou o parlamentar.

Vetão pede mais ação do poder público no sentido de coibir esses abusos com políticas públicas educativas e coercitivas.  “Muito mais que campanhas, precisamos ter políticas públicas que saiam do papel”, enfatizou o vereador.

“Uma Nação que não consegue zelar pelos direitos de nossos menores não é vitoriosa. Que o Congresso Nacional aumente as penas para os que cometem abusos e que estão acabando com nossa infância.”

Rede de apoio

Lia Andrade cobra mais ação da sociedade: “em casos de violência, denuncie.”

Presente na reunião da Câmara, a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e também ativista da Caritas Diocesana, Maria da Conceição “Lia” Leite Andrade disse ser responsabilidade da sociedade combater todas as formas de abusos contra as crianças e adolescentes.

“É responsabilidade nossa denunciar, inclusive quando a violência ocorre com a criança do vizinho”, disse ela, que não admite o silêncio nesses casos.

“Quando uma criança sofre violência sexual, é uma vida que está sendo destruída”, disse ela. “Sou mulher preta e periférica. São as crianças nessas condições as que mais sofrem essa violência”, destacou em seu pronunciamento no plenário da Câmara.

O presidente da Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica, Glaydson Aparecido Valeriano, contou que tem acompanhado as reuniões do grupo Eles por eles, que assiste ao infrator que comete abusos em casa.

Glaydson Valeriano pede políticas públicas para coibir toda forma de violência contra a criança e ao adoolescente

“Ao conversar com esses homens, descobrimos que muitos vivenciaram a violência dentro de casa quando criança e não souberam responder de outra forma que não fosse com a própria violência”, relatou Valeriano, também no plenário da Câmara.

“Crianças acorrentadas, colocadas dentro de tambor, sendo assassinadas pelas mães, pelo pais e padrastos, tudo isso precisa ser erradicado de nossa sociedade”, afirmou.

“Vamos lutar por todos os meios para que nenhuma criança seja mais acorrentada e queimada, para que ela possa brincar sem ser sequestrada e possa ter uma infância saudável e feliz”, foi o apelo que ele fez aos vereadores ao pedir o apoio em defesa das crianças e dos adolescentes que sofrem violência.

Disque denúncia

Em caso de violência contra criança e adolescente, denuncie:

– Conselho Tutelar: (31) 3839-2211
– CREAS: (31) 3839-2537
– Polícia Civil: 181

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