Onda amarela não é sinal verde para voltar ao “normal”, mas pode ser para pegar Covid-19

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O comércio de Itabira está exultante neste sábado (8), véspera do Dia das Mães. Assim como ocorreu no ano passado, após o “lockdown” no início da pandemia, as autoridades liberaram o comércio de rua em Itabira, o que vem provocando aglomerações nas praças comerciais.

Muitas pessoas saíram às ruas “como se não houvesse amanhã”, ávidas para comprar o presente da mãe, sem se importar com o avanço da pandemia – e o risco que ela representa para a saúde e para a vida, como comprovam as 310 mortes já registradas em Itabira por Covid-19, fora as subnotificações.

O país e o mundo estão enfrentando novas ondas com o surgimento de variantes do novo coronavírus (Sars-CoV-2), mais contagiantes e letais com as suas perigosas mutações. São os casos da P.1.2, derivada da P.1 de Manaus. E, agora, a situação pandêmica pode se agravar ainda mais com a chegada no Rio da variante indiana.

É mais uma mutação do vírus, outra que tem sido mais mortal – e que levou a Índia à segunda onda, mergulhando o país em gravíssima crise sanitária. E o Brasil segue sem fazer lockdown, sem fechar aeroportos, permitindo que essas variantes circulem no país.

Em todas as praças comerciais é grande o número de pessoas transitando e fazendo compras para o Dia das Mães neste sábado (Fotos: Carlos Cruz)

Liberalização

Mas mesmo com todos esses indicadores, o Comitê Extraordinário Covid-19, do programa Minas Consciente, liberou a microrregião de Itabira para migrar da onda vermelha para a amarela. Só que as autoridades políticas e em saúde se esqueceram que o vírus não distingue cores.

Ainda que tenha diminuído a velocidade de contágio no município, o novo coronavírus está vivíssimo com as suas mutações, que com certeza já estão presentes em Itabira, tornando-se mais infectante e mortal, como se observou desde o início do ano.

“É preciso que todos continuem tomando os cuidados necessários. Não façam grandes festas de família no Dia das Mães, pois muitas contaminações têm ocorrido nessas reuniões. Se todos não cuidarem, podemos ter novo pico da pandemia, o que pode levar novamente ao colapso no atendimento nos hospitais”, advertiu o prefeito em seu pronunciamento semanal pelas redes sociais.

“Estamos indo para a onda amarela, mas ainda não temos o controle da pandemia”, acentuou Marco Antônio Lage. Segundo ele, o controle somente será alcançado quando mais de 50% da população estiver imunizada.

De acordo com o último “vacinômetro” divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em Itabira foram aplicadas pouco mais de 29 mil doses contra a Covid-19.

Do total, 21.995 doses foram aplicadas em idosos, mas apenas 7.671 pessoas desse grupo de risco receberam a segunda dose, completando a imunização. Representam menos de 7% da população itabirana.

Nada ser como antes

Diante desse quadro de imunização lenta, gradual – e nada segura, uma vez que muitos ainda estão sem tomar a segunda dose mesmo tendo vencido o prazo previamente estipulado pelas autoridades em saúde – o avanço para a onda amarela não pode ser entendido como sinal verde para voltar ao “normal”, mesmo sabendo que nada será como antes.

Mas pode ser sinal verde para muitos contraírem o vírus. “Que todos tomem as medidas necessárias para evitar o contágio, preservando a saúde e a vida, mantendo o distanciamento social”, pediu Marco Antônio Lage.

Mas pelo que se observou na manhã deste sábado, com as pessoas se aglomerando em todos as praças comerciais, o o prefeito não está sendo atendido. “Continuaremos com a mobilização e as ações de fiscalização para o cumprimento das medidas”, prometeu o chefe do poder Executivo itabirano.

Boletim de Monitoramento Semanal, de 7 de maio (Fonte: SMS/PMI)

 

Novo decreto mantém algumas medidas restritivas, mas libera outras de acordo com o Minas Consciente

Neste sábado foi publicado o decreto 0784/21 com as medidas relativas ao funcionamento do comércio e serviços, valendo para a onda amarela.  Confira o resumo divulgado pela assessoria de imprensa da Prefeitura.

Capacidade de ocupação

Atividades em geral podem funcionar com até 50% de capacidade de ocupação, desde que respeite a metragem de referência de 5 metros quadrados por pessoa e distanciamento linear de 2 metros.

Ônibus

Os veículos do transporte coletivo urbano já podem circular com todos os assentos ocupados e até 18 passageiros em pé. (Faltou proibir o vírus de embarcar com os passageiros).

Pontos de ônibus cheios com muitas pessoas saindo às compras com troca-troca de gotículas carregadas de coronavírus. A maioria usa máscara, mas garantia não é total

Clubes sociais

Os clubes sociais têm o funcionamento liberado. Continuam proibidos o uso de saunas e a recreação em piscinas.

Eventos

Eventos podem ser realizados com até 50 pessoas, conforme o número de metros quadrados úteis, tendo por base um cliente para cada 6 metros quadrados, respeitando distanciamento de 2 metros lineares. Também devem ser respeitadas as medidas estabelecidas pelo Minas Consciente e pontuadas no decreto municipal.

Igrejas

Templos religiosos podem funcionar com até 50% de ocupação e respeitando todas as medidas preconizadas pelo Minas Consciente.

Bares e restaurantes

Horário de funcionamento estendido até às 22h30, com tolerância de 30 minutos e observância de todas as regras do Minas Consciente. Mesas devem ficar afastadas em 2 metros.

Hotelaria e afins

Funcionamento limitado a 50% da capacidade total de hospedagem, além da obrigação de observância de todas as medidas estabelecidas pelo protocolo do Minas Consciente.

Escolinhas de esportes

Funcionamento liberado, desde que respeitadas as medidas sanitárias descritas no Minas Consciente.

Comércio em geral

Liberado funcionamento com até 50% da capacidade, com horário de 9h às 19h.

 

 

 

 

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