O vai-e-vem de ondas não espanta a pandemia. Serve apenas para flexibilizar o comércio e não para proteger a população do vírus

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Ao regredir para a onda vermelha na semana passada, quase nada mudou em Itabira depois que o prefeito Ronaldo Magalhães (PTB) decidiu, por decreto, manter a flexibilização das medidas para “não prejudicar as vendas de Natal e o comércio”.

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde/PMI

Os sucessivos boletins epidemiológicos, que são subestimados pois não contam as subnotificações e o número de casos pode ser até dez vezes maior, dão conta de que permanece a disseminação generalizada do vírus no município, inclusive na zona rural.

Mesmo nesta conjuntura epidemiológica, neste sábado (19) Itabira retorna à onda amarela para tudo permanecer com o povo saindo às ruas, aglomerando em lugares públicos e nas festas particulares. E nada, ou muito pouco, de fiscalização neste fim de governo.

Com a onda amarela o risco de contágio continua elevado. E o funcionamento das atividades econômicas não essenciais prossegue neste período pré-natalino de acordo com o Minas Consciente. Leia aqui.

Isso mesmo com a disseminação do vírus seguindo forte, praticamente nas mesmas condições observadas quando ocorreu o retrocesso para a onda vermelha.

Com a volta para a onda amarela, bares continuam abertos, assim como os clubes e as academias. E as lojas têm horário estendido para ver se recuperam as vendas, que até aqui têm sido fracas.

Mantém-se assim as expectativas entre os comerciantes de boas vendas com a proximidade das festas natalinas tão caras aos cristãos, mesmo que às custas de mais contaminações entre os itabiranos.

Números

As consequências podem ser imediatas e refletir no quadro da já precária saúde do itabirano com o avanço da pandemia. Já são 38 óbitos por complicação com a Covid-19 em Itabira, além de uma morte em investigação.

Fonte: HNSD

Ainda neste sábado o número de pessoas contaminadas pelo vírus deve ultrapassar, oficialmente, a casa de 5 mil casos confirmados, número que no mínimo dobra com as subnotificações. Há, ainda, 4,1 mil casos suspeitos de contaminação em investigação.

Verdade que dos casos testados positivos, mais de 4,3 mil pacientes já estão recuperados. Mas isso não significa que estejam imunizados, pois há registro de muitos casos de reinfecção no país e no mundo.

E podem também continuar transmitindo a doença, uma vez que pouco se sabe sobre a resiliência do novo coronavírus (Sars-Covid-2), assim como das diferentes formas de contágio.

Na rede de atendimento hospitalar em Itabira, que é também microrregional com assistência a mais de 200 mil habitantes de 13 municípios vizinhos, estão hospitalizados 26 pacientes com diagnóstico da doença. Além desses, outros 18 pacientes seguem internados com suspeita de contaminação, ainda em investigação.

Nesse número não estão incluídas as internações particulares e de pacientes com convênios para tratamento da doença no Hospital Nossa Senhora das Dores (leia quadro).

Todo cuidado é pouco nas festas de fim de ano

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde/PMI

Para as festas de fim de ano, a Prefeitura divulga cartilha (Covid-19: preservar a vida é o melhor presente neste fim de ano) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com recomendações já conhecidas – e que há muito deveriam ter sido incorporadas à necessária cultura de prevenção mútua e coletiva

Uma das recomendações é um alerta aos jovens, que são preponderantes entre as pessoas já testadas positivas e mesmo entre os não sintomáticos. Esses jovens, com poucas exceções, saem de casa e aglomeram como se não existisse pandemia, levando o vírus para casa e ou para os locais de trabalho, contaminando mais pessoas:

“Se você faz parte ou mora com alguém que faz parte do grupo de risco para casos graves de Covid-19 (portadores de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica em estágio avançado, imunodepressão provocada pelo tratamento de doenças autoimunes, como lúpus ou câncer, pessoas acima de 60 anos de idade, fumantes, gestantes, mulheres em resguardo e crianças menores e 5 anos), proteja-se e proteja sua família. Fique em casa e celebre apenas com as pessoas que já moram com você.”

Indicadores

De acordo com o boletim semanal divulgado nessa sexta-feira (18), a taxa de isolamento no município é de apenas 31%, quando o mínimo deveria ser de 50%.

E o ritmo de transmissão está em 1.1. Embora seja considerado “risco moderado”, significa que para cada grupo de 100 pessoas contaminadas, outras 110 irão contrair o vírus por contágio com quem já foi testado positivo, mesmo que esteja sem sintomas da doença.

A tendência é do ritmo de transmissão ampliar com as festas de fim de ano. Isso no caso de a população não tomar os cuidados necessários, que são complementares de proteção individual e coletiva (uso de máscara, higienização constante das mãos, isolamento social).

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