O trem da Vale de Natal e o amor de ferrovia

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Eduardo Cruz

Certa vez, precisando de um reparo na ferrovia, próximo à minha residência e que provocava um ruído irritante, por meio de um contato, liguei a um número de telefone da ferrovia, o Alô Ferrovias (0800 285 7000).

Francislayne na cabine do trem, com ferroviários (Fotos: Eduardo Cruz)

Pois bem, precisando solucionar esse problema do ruído, liguei para o Alô Ferrovias. E fui direcionado ao canal responsável direto para solucionar a minha reclamação.

Esclareci que havia um trilho que fazia um barulho ensurdecedor durante a noite, que impedia aos moradores de terem um sono tranquilo – e não eram raros os que perdiam o sono, numa insônia sem fim.

Esse barulho se repetia de quinze em quinze minutos, que é um intervalo de passagem dos trens carregados de minério, geminados, desembestados descendo levando Itabira para o mundo. E esse ruído repetitivo não nos deixava dormir o sono reparador que todo cidadão tem direito.

O trem da Vale de Natal (Foto; Divulgação)

Pedi urgência para solucionar o problema, que consistia na troca do trilho. Na resposta que me deram, disseram para ter um pouco de paciência até que o problema fosse solucionado.

E que, para resolver o problema, seria necessário fazer uma programação, pois a solução implicava na interrupção momentânea da passagem do trem que, desde a inauguração do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) não para de descer com o minério de Itabira em direção ao Espírito Santo.

Com surpresa, dias depois recebi a visita de um representante da ferrovia, o senhor Élcio Pereira, quando nos apresentou a programação para resolver em definitivo o problema, que consistiu na troca do trilho. O problema foi resolvido e o sono da vizinhança, inclusive o meu, reparado. O barulho característico do trem descendo não incomodava e sim aquele trec-trec do trilho fora de lugar, que ameaçava, inclusive, descarrilhar todo o comboio carregado de minério. Felizmente isso não ocorreu.

Comunicação

Fran aciona a buzina: sai da linha que vem o trem

Conto esse episódio, que é um “nariz de cera” na linguagem jornalística, para dizer que ao fazer a reclamação tomei conhecimento de outro interessante canal de comunicação com a ferrovia, pelo mesmo ramal telefônico que a maioria desconhece.
Descobri que esse canal de atendimento aos usuários (o Alô Ferrovia) tinha outros serviços que são oferecidos às comunidades vizinhas, como programas de relacionamento.

Repassei o número à direção da Escola Municipal Didi Andrade, que para lá ligou, fazendo um pedido: um aluno especial da escola é amante da ferrovia e tinha o sonho de fazer uma viagem no trem de passageiros da Vale.
De imediato, para surpresa da direção da escola, a Vale providenciou o primeiro passeio turístico em Itabira com o trem fazendo o trajeto entre o terminal de passageiros, na avenida Mauro Ribeiro, até a estação João Paulo, no complexo Cauê, passando pela 105.

E assim foi organizado esse passeio de trem para alegria desse aluno especial e dos seus colegas de escolas, em meados do ano passado. O passeio foi emocionante e alegre, tendo duração de uma hora. Tive o prazer de acompanhar e registrar esse passeio.

Trem de Vale de Natal

O aluno Franscislayene com ferroviários

É com surpresa que vejo agora a Vale retorna com a proposta de oferecer à comunidade itabirana esse passeio de trem por esse mesmo trajeto.

O trem segue agora iluminado e decorado com apelos de Natal, como um simpático presente natalino. No trajeto, além de se ver a cidade na perspectiva da estrada de ferro, o passageiro tem também uma aula de ferrovia.

Observa-se como é feito a aspersão de um produto sobre os vagões de minério, para diminuir a emissão de poeira por onde o trem passa. No trajeto, passa pela balança ferroviária e os silos de carregamento.
É também um passeio pelo passado da mineração. O passageiro pode observar o antigo silo onde se fazia o carreamento de minério in natura, quando ainda existia hematita e não era preciso concentrar o minério nas usinas.

Fica sabendo como o minério chegava nesse local carregado em lombo de burro e ou transportado em carroças, isso na década de 1940, vindo do pico do Cauê. E chega-se à modernidade, passando pelas cabines de amostragem, por onde se faz a análise para saber o grau de pureza do minério.

Além de ser um passeio interessante pelo entorno da cidade, é também uma maneira de o visitante saber mais sobre esse importante meio de transporte que é a ferrovia, que se tivesse expandido a malha ferroviária em lugar das perigosas rodovias, com certeza o país teria hoje uma logística melhor de transporte, barateando custos, diminuindo os riscos de acidente, uma vez que a estrada de ferro é o meio de locomoção mais seguro do mundo.

Com o trem natalino da Vale e com esse passeio pela ferrovia, fica a pergunta: quando é que a Vale irá instalar em Itabira um Museu da Mineração, tornando, inclusive esse passeio pelo ramal ferroviário como uma atração turística na cidade. Quem sabe até mesmo reformando a Maria Fumaça da praça do Areão, para que possa fazer esse trajeto, a exemplo do que já ocorre entre Mariana e Ouro Preto e ainda entre Tiradentes e São Joao Del Rey. Fica a sugestão.

Como participar do Trem de Natal da Vale  

Para participar do passeio de Trem da Vale de Natal basta realizar a troca prévia de donativos pelo ticket individual do passeio. Cada ticket pode ser trocado por um dos itens abaixo:

1 caderno;

1 caixa de lápis de cor;

1 conjunto de lápis+borracha+apontador.

Os itens arrecadados serão doados às instituições locais em Itabira.

As trocas ocorrerão nos dias 5 e 6 de dezembro, quinta e sexta, de 08:00 às 11h e de 16h às 19h, na estação de Itabira. As vagas são limitadas.

 

 

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