O fantasminha chamado Banksy

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Veladimir Romano*

Pela Europa, algumas paredes, muros e até portas, quer nas cidades ou povoações menos conhecidas, em momento inesperado, aparece obra de arte sem que se saiba verdadeiramente quem é o autor: apenas uma assinatura que só por si já se transformou em legenda viva, seja uma por outra, aparece o tal “Banksy”.

Ninguém viu, não se sabe de qualquer possível imagem que poderia estar associada a este personagem, se é magro, gordinho, baixo, moreno, ruivo, idade. E a curiosidade se adensa, viralizou a dita assinatura. E tudo que o tal Banksy pinta ou deixa como marca, vira uma pequena fortuna.

Esquivo, faz pouco tempo ocupa leilões de luxo com obras comercializadas, disputadas aos milhões. Ele deve gozar com tal situação, na certa fazendo pouco das loucuras dos demais que se debatem com sua ausência física, mas levando pessoas com bastante dinheiro ao desespero pela aquisição de qualquer coisa que ele faça.

Procurado, feito uma sombra e multiplicando suas zonas de intervenção em ação constante, acontece, aparece e, então, o tempo vai tomando forma viva pintando paredes.

Elevando suas obras ao patamar artístico nunca antes experimentado, o assombro transborda e o gesto solidário também se estriba no íntimo de Banksy ao socorrer de animação engenhosa, cuidando de ajudar uma instituição local de Bristol dedicada aos mais jovens de ambos sexos no já histórico Bristol Boxing Gym, fundado igualmente pelo legendário campeão inglês Dennis Stinchcombe.

Instituição com carência financeira, ele a ajuda para continuar educando crianças e prepará-las pedagogicamente para uma nova sociedade mais pluralista, multicultural e multirracial na qual se transformou o Reino Unido.

Com o aumento da pandemia, a crise sanitária e o fecho dos ginásios, o BBG, como é conhecido ou o “The Nest” (O Ninho), caiu a tesouraria e ficou em vias de acabar. Dennis Stinchcombe saiu a campo chamando a comunidade a contribuir para cobrir o rombo sofrido.

A arte de Banksy, anonimo grafiteiro, pintor e ativista inglês. No destaque, o mural Stop and Search (2007), pintado em Bethlehem, na Palestina: inversão de papéis (Imagens: Reprodução)

Contudo, nem tudo na Inglaterra são libras garantidas, mas quando já no derradeiro “round”, apareceu o famoso fantasminha Banksy, salvou-se a instituição.

Assim, com a sua generosa contribuição, salvou-se mais um projeto de valor social e sentido cívico com o qual as crianças de Bristol contam. Banksy, acabou apoiando mais oito instituições de Bristol (pequena localidade histórica do sudoeste britânico com pouco mais de 700 mil habitantes nas margens do rio Avon).

Lutando e resistindo numa ausência inexplicável pela parte do governo conservador de Boris Johnson, viral ficou o sucesso com o retorno financeiro do leilão das pinturas deixadas em oferta por Banksy.

Ao apelo filantrópico, respondeu também quem comprou um de suas obras, ajudando com mais de três milhões e meio de reais, muito útil para resolver a subsistência das instituições locais.

Bem aventurada transformação aplaudida pelos pais dos alunos. Dennis Stinchcombe, depois de algumas semanas dos acontecimentos, ainda não clareou sua surpresa e alegria quando anotou na simplicidade duma simples obra de arte, a salvação de projetos a novos padrões sociais nos quais acredita e certamente darão frutos desejados por todos.

Não havendo governo sensibilizado, apareceu um fantasminha chamado Banksy para resolver.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano

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Sobre o Autor

1 comentário

  1. Cristina Silveira on

    Arte e solidariedade, dois alimentos essenciais na sobrevivencia nesse mundo enlouquecido pela ganância e a orgia do ódio, como aqui no Brasil…..

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