Os espiões nas Universidades: da ditadura e do desgoverno Bolsonaro

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Marcelo Procopio

O famigerado general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional do desgoverno Bolsonaro nomeou uma funcionária da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como assessora da reitoria da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Até então ela não tem nome (divulgado), é apenas um número. e representa mais uma prova de que a extrema direita se amplia e avança para fechar ainda mais a frágil democracia brasileira. O regime vai se transfigurando em nova ditadura.

Nos anos 1960 e 70 era comum: em todas as escolas superiores havia vários espiões da ditadura. Muita gente caiu nas mãos assassinas da ditadura por causa deles. E vem tortura, vem morte, vem desaparecimento.

No meu tempo na Fafich/UFMG, no curso de Comunicação Social havia pelo menos um sabido por todos e outros que tinham comportamento factível ao de espião do regime.

O tal “sabido” foi professor de duas disciplinas. Uma sobre comunicação (não me lembro o nome) e de OSPB – Organização Social e Política Brasileira.

Nas escolas então chamadas de Ginásio e Científico, segunda e terceira etapa de três, o nome era EPB – estudos dos problemas brasileiros. Do mesmo modo, dado por “professores” (sic) que eram ou enviados pelo regime militar, ditadura consequência do golpe civil/militar, ou voluntários reacionários, dispostos a depositar à força as “benesses” de uma nação não democrática, ditadura que tanto mal fez ao país. A temática era a mesma.

O professor espião da OSPB ensinava coisas banais. Exemplo: como se divide o Estado e os Poderes de um país. E fazia um powerpoint primitivo no quadro, a tal lousa.
Era uma maneira sutil, digamos, de (tentativa fracassada) fazer nossa cabeça de como deveríamos ver e comportarmos em relação ao poder.

Ninguém ligava nas aulas. Ou só o suficiente para obter 60 pontos e passar de ano. Talvez uns dois ou três, sim. Quase nada.

Espionagem, o retorno

Agora começou de novo. Primeiro na UFMS. Se ninguém se manifestar, outros agentes da Abin serão impostos em outras universidades, se continuarmos calados, logos estarão impostos como uma autocracia, em todas as escolas do Brasil.

—Essa gente acha que quem vai para a escola vira comunista. E que os professores são um perigo constante, porque ensinam sobre democracia, sociologia, filosofia e lógica.

Abaixo um parágrafo da matéria publicada no blog Causa Operária. E no fim o link para ler tudo, via Jornal GGN.

“A nomeação da funcionária da Abin constitui um caso inédito no Brasil porque é a primeira vez que uma nomeação é feita sem a identificação da pessoa que irá ocupar o cargo. Nem mesmo na ditadura militar isso era feito – havia, obviamente, inúmeros espiões do regime, mas nenhum deles haviam sido efetivados publicamente, por portaria, conforme foi feito no caso da UFMS.”

>>> https://jornalggn.com.br/noticia/abin-na-ufms-revela-politica-de-vigilancia-geral-do-regime-golpista/

Não é só

E preciso estar atento e forte. Porque o presidente mente e é acéfalo. Até quem é de direita e não de extrema, fala: ele é um sujeito com um vocabulário de 400 palavras, incluindo as preposições, os artigos, e afins.

É incapaz de elaborar uma ideia. É cercado por gente da pior espécie que não sabe nada sobre a ”coisa pública”, que vende tudo, as empresas que um Estado democrático deve ter mãos de comando. Como a Petrobras e suas subsidiárias e a Eletrobras. Nem nos Estados Unidos, lá a água e a eletricidade que ela gera é do Estado.

Sei lá, viu. Ou eles nos vencem na marra ou a coisa se transfigura. Como estamos vendo acontecer depois que a Vaza Jato mostrou o que sabíamos, mas não tínhamos nem as provas nem os fatos gravados.

O momento é tenso. O futuro breve não pode ficar com o pior. Aguardaremos. Na luta. Nem que seja conversando nos bares, nas salas. Indo para as ruas.

Até pode alguma coisa. Mas fascismo nunca.

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1 comentário

  1. Cristina Silveira, Sem Esperanza on

    Aguardar…. sempre a ideia do abandono e tudo vai piorando piorando e não se sabe o que é Mais Pior neste país governado por um miliciano. Na minha opinião quem votou na Imbecilidade estava de Má-Fé.

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