Nova onda da covid ameaça mercado

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Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato

Bom Dia Mercado – O ano começa com a nova variante do coronavírus se espalhando rapidamente pelo mundo e projetando expressivo aumento dos casos. A segunda onda da pandemia chega forte também ao Brasil e pode exigir restrições e auxílios adicionais, ameaçando as perspectivas econômicas e a pauta das reformas, antes de o País absorver o impacto fiscal inicial.

Frustrando as expectativas de que o Ministério da Saúde faria hoje o anúncio oficial das datas do Plano Nacional de Imunização (PNI), a pasta desmentiu, em nota, nesse domingo, que o cronograma será revelado nesta segunda-feira.

Embora esteja “trabalhando incansavelmente para anunciar a data”, o ministério de Pazuello repetiu que trabalha com três margens: na “melhor hipótese”, dia 20/1, na “intermediária”, entre 20/1 e 10/2, e na “tardia”, após 10/2.

A Fiocruz articula a importação de dois milhões de doses prontas da vacina da Universidade de Oxford e da AstraZeneca, maior aposta do governo, para começar o calendário de imunização contra a covid-19 já neste mês.

O laboratório brasileiro informou à Anvisa que irá pedir o aval para uso emergencial do produto esta semana.

Mas a demora do governo Bolsonaro em definir o cronograma de imunização não ajuda a afastar os receios de que o atraso possa custar ainda mais caro para as estatísticas da pandemia e para o ritmo de retomada econômica.

Também a “crise das seringas e agulhas” acende o sinal de alerta sobre o risco de estoques insatisfatórios.

A Saúde chamou de fake news as notícias de dificuldade do governo de encontrar seringas. Mas o fracasso no processo foi justamente o argumento apresentado para pedir o veto às exportações do produto nesse domingo.

A pasta solicitou ao Ministério da Economia (que acatou o pedido ontem) para que seja interrompida provisoriamente a exportação de seringas e agulhas para “garantir os insumos ao Plano Nacional de Vacinação”.

O risco político

Já não é de hoje que o mercado está apreensivo com os ruídos fiscais contratados para este início de ano, que tem como primeiro desafio a nova composição das mesas da Câmara e Senado, com eleição dia 1º/2.

Há muitas incertezas em relação à base que o governo conseguirá no Congresso, se a chapa de Baleia Rossi, representante do grupo de Rodrigo Maia, vencer o candidato apoiado abertamente por Bolsonaro, Arthur Lira.

Neste quadro de incertezas políticas que se projeta no curto prazo, analistas políticos já se arriscam a prever uma agenda fraca de reformas e privatizações, sem as quais, os riscos fiscais, já elevados, serão fortemente ampliados.

Os partidos de esquerda ainda não oficializaram a adesão à candidatura de Baleia e se, por um lado, o apoio da oposição para o bloco possa definir uma boa vantagem em termos numéricos, é aí que mora o perigo.

Em troca da aliança, PT, PCdoB e PSOL devem exigir o compromisso do grupo com a pauta menos liberal, arriscando as privatizações, a reforma administrativa e reivindicando a taxação de grandes fortunas, lucros e dividendos.

Uma derrota para o Planalto na eleição da Câmara também representa o risco de se levar adiante um processo de impeachment de Bolsonaro. Até aqui, o presidente sustenta sua popularidade, transferida às classes mais pobres.

O fim do auxílio emergencial e o vácuo de um programa social mais sólido neste início de ano testarão o capital político do presidente, que, se ameaçado, pode aumentar a pressão sobre Guedes por concessões populistas.

Na difícil relação com o Congresso (que nunca foi das melhores), os vetos de Bolsonaro à LDO devem desagradar parlamentares, justamente neste momento em que o Palácio do Planalto busca consolidar sua base de apoio.

O presidente rejeitou a tentativa de deputados e senadores de controlar maior volume de recursos para contemplar seus redutos eleitorais e de permitir o uso do Orçamento/21 para bancar despesas de 2022 em diante.

O governo federal assegurou que os vetos de Bolsonaro não afetarão as compras das vacinas contra a covid.

Agenda

Na semana que abre o ano, o investidor confere a produção industrial de novembro (6ªF), os dados fechados de dezembro da balança comercial (hoje, às 15h), além do IGP-DI do mês passado (6ªF) e dados do IPC-S.

À medida que as estimativas de inflação para 2022 (agora o horizonte de política monetária) caminham para a meta, o mercado espera para este 1TRI (provavelmente março) a retirada pelo Copom do mecanismo do forward guidance.

A primeira parcial de janeiro do IPC-S sai na 6ªF e hoje (às 8h) será divulgado o número fechado do indicador em dezembro, que deve acelerar de

0,94% de novembro para 1,07% na mediana de pesquisa Broadcast.

Já a balança comercial deve registrar o 11º superávit seguido em dezembro, de US$ 117 milhões. O resultado levaria o saldo acumulado em 2020 para US$ 51,20 bilhões, superior ao resultado de US$ 48,036 bilhões de 2019.

No câmbio, o BC dá início hoje à rolagem integral dos contratos de swap programados para vencer em fevereiro, equivalentes a um total de US$ 11,8 bilhões. Serão ofertados nesta 2ªF, das 11h30 às 11h40, até US$ 800 milhões.

Ao meio-dia, o BC oferta até R$ 4 bilhões em operações compromissadas de três meses.

VALE – Nova audiência sobre reparação no caso da tragédia de Brumadinho está marcada para 5ªF.

LÁ FORA – O impacto da segunda onda da pandemia sobre o mercado de trabalho dos EUA deve ser reforçado pelo payroll (6ªF), com previsão de abertura de menos vagas em dezembro (68 mil) do que em novembro (245 mil).

Na semana, também uma bateria de indicadores de atividade é destaque.

Hoje, o PMI/Markit industrial de dezembro será divulgado nos EUA (11h45), zona do euro (6h), Alemanha (5h55) e no Reino Unido (6h30).

Amanhã, sai nos EUA o indicador industrial do ISM. Na 5ªF, é dia de inflação na zona do euro, com o CPI/dez.

OPEP – Tem reunião marcada para hoje. Na véspera do encontro, o secretário-geral do cartel, Mohammad Barkindo, disse no domingo que o grupo pretende elevar gradualmente a oferta nos próximos meses em 2 milhões de bpd.

Segundo ele, diante da perspectiva de melhora nas economias globais em

2021, analistas da Opep+ preveem que a demanda por petróleo bruto aumentará para 95,9 milhões de bpd este ano, uma elevação de 5,9 milhões de bpd.

A lenta recuperação do consumo em 2020 levou a petróleo a registrar perdas superiores a 20% no acumulado de 2020, embora tenha subido na última sessão do ano: Brent/março (+0,32%, US$ 51,80) e WTI/fev (+0,25%, US$ 48,52).

 

 

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