Nada a comemorar em Itabira no Dia Mundial da Água

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“…A chuva me irritava. Até que um dia descobri que Maria é que chovia. A chuva era Maria. E cada pingo de Maria ensopava o meu domingo….”  (Carlos Drummond de Andrade)

Por Mauro Andrade Moura

As chuvas este ano vieram no seu tempo, fizeram seu ciclo natural a partir da evaporação, chegada do Vento Sul e sua precipitação; encheu as represas para nos servir de água potável e energia elétrica.

Alguns anos, no ciclo de sete em sete anos, surge o fenômeno “El Niño”, influenciado pela diferença de temperatura entre os oceanos Pacífico e Atlântico, chega o tempo da seca mais extensa.

Com o aumento da temperatura do globo terrestre, também tem ocorrido períodos maiores de seca e chuvas concentradas, ocasionando todo o transtorno que o excesso de água provoca. As cheias, os desmoronamentos de encostas, o fechamento de estradas e a vida que se vai.

No que tange à produção de energia elétrica a partir das hidrelétricas, presumo eu, o Brasil não suporta dois anos seguidos de secas, pois reduzem os volumes das represas e consequentemente a produção da necessária energia.

Em Itabira, a respeito da água potável, aquela para sorvermos, cozinhar e literalmente tomar banho, ocorrendo esse período de dois anos seguidos de seca, inevitavelmente muitas torneiras das casas secarão.

Isso tem ocorrido até mesmo no período chuvoso, que dirá no que virá com a estiagem.

Riacho da Pureza, um filete de água que abastece cerca de 50% da população. No destaque, o rio Tanque barrento e poluído ainda no território itabirano (Fotos: Carlos Cruz)

A represa do Pureza já há muito não suporta, ultrapassou o seu limite e na estiagem ela transforma-se em um açude. Dela para de verter água para o leito do ribeirão e são bombeadas para as caixas de distribuição do Saae.

As nascentes, córregos e ribeirões da região vêm sempre sofrendo todo tipo de mau uso; desmatamento das margens, pisoteamento das nascentes por gado bovino a provocar assoreamento dos cursos d´água de toda espécie e forma.

Para aumentar o volume de água aos itabiranos, as autoridades propõem a retirada de 600 metros cúbicos por segundo do ribeirão do Tanque, o mesmo que algum dia já foi rio e agora se vê nessa condição de rebaixamento de quantidade e qualidade exatamente por todo o sofrimento que vive, decorrente do mau uso que fazem dele.

Essa proposta simples da captação de água do ribeirão do Tanque, a meu ver equivocada, não vem acompanhada da manutenção de todas as nascentes do município de Itabira, não prevê uma forma de aumentar o volume dos cursos d´água e somente querem retirar o pouco que já tem.

Já tivemos dois programas para tentar mitigar essa situação, o Mãe D´água e o Preservar para não secar, ou Produtor Rural de Água, extinto por falta de firmeza dos administradores municipais e de empenho dos próprios proprietários rurais.

Perdeu-se muito tempo já nesta década e meia de anos a partir do lançamento do projeto Mãe D´água. Sendo assim, com um novo governo começando, há de se retomar algum programa municipal nesse sentido – e que seja precedido de um compromisso de todos os envolvidos: Prefeitura Municipal, os proprietários rurais e a eterna usurária de nossos recursos minerais (considere aí que a água é um mineral), a mineradora Vale.

O Dia Mundial da Água é celebrado, anualmente, em 22 de março, depois de a Assembleia Geral da ONU ter aprovado a data, por resolução, em 1993. Em Itabira não há o que comemorar, mas fica o registro.

 

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