Na onda “modernizante”, Itabira adota medidas mais restritivas e flexibiliza outras mesmo com a nova cepa de Manaus

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A nova versão “modernizante” do programa Minas Consciente, anunciada pelo governo de Romeu Zema (Novo), na quarta-feira (27), e que permite o funcionamento do comércio não essencial mesmo estando o município na onda vermelha, chega a Itabira com o novo decreto assinado, nessa sexta-feira (29), pelo prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB).

Lage admite que as novas medidas de combate ao novo coronavírus (Sars-Cov-2) são mais flexíveis em relação ao que consta no decreto 0115/21, anteriormente por ele editado. Porém, afirma que são mais restritivas em relação à onda liberalizante do programa que regulamenta o funcionamento da economia mineira em tempos de pandemia mundial.

Segundo ele, os indicadores do avanço e recuo da pandemia no município ainda indicam que a situação está longe do controle necessário. Isso embora, segundo os dados divulgados na semana, tenham sido apresentadas algumas melhoras “que permitem a flexibilização” em relação ao decreto municipal anterior.

Indicadores

Com base nos indicadores, como as taxas de ocupação de leitos e de transmissão, o prefeito assina novo decreto flexibilizando algumas medidas e restringindo outras (Fonte: Itabira no Monitoramento da Covid-19)

Pelos dados divulgados para justificar o novo decreto, a taxa de transmissão (RT) do vírus em Itabira recuou de 1.17, registrado entre os dias 12 e 18, para 0.98 na semana seguinte, entre 19 e 25 deste mês.

Significa que em um grupo de 1 mil pessoas infectadas, “apenas” 980 podem ser contagiados em contato com os primeiros. Antes, para cada grupo de 1 mil infectados. outras 1.170 pessoas poderiam ser infectadas por contágio.

Esses índices, entretanto, não refletem a transmissão do vírus que pode ter ocorrido nesta semana, com as enormes filas para o atendimento aos que foram receber o direito ao auxílio emergencial na agência da Caixa Econômica Federal

Essas aglomerações, mesmo que a maioria das pessoas estivesse com máscara, certamente irão impactar os principais indicadores nos próximos boletins epidemiológicos. E devem também aumentar a procura por assistência à saúde na rede municipal de atendimento.

Outro argumento usado pela prefeito para justificar a flexibilização em vários setores, como a permissão de dez passageiros em pé no transporte coletivo, trata-se da ocupação de leitos nas UTIs exclusivas para pacientes com a Covid-19 nos hospitais Nossa Senhora das Dores (HNSD) e Carlos Chagas (HMCC).

Esse índice, segundo citou o prefeito em pronunciamento nessa sexta-feira, neste mês teria chegado a preocupantes 90%, um indicador de pré-colapso da rede hospitalar de atendimento a pacientes com a doença.

Mas tranquiliza dizendo que agora essa ocupação está em 40%,  com 25 leitos ocupados nas UTIs, e 55 enfermos com a doença internados nas enfermarias, taxa de 29% de ocupação.

É certo que essa queda da taxa de ocupação reflete o ligeiro aumento da taxa de isolamento social, muito pela característica do mês de bolsos vazios, sem o que gastar no comércio de rua. Mas é, sobretudo, resultado de se ter dobrado o número de leitos de UTI no HMCC: eram dez, agora são 20.

Isso, evidentemente, fez cair a taxa de ocupação, mas o número de internos continua elevado. Confira mais dados no site Itabira no Monitoramento da Covid-19.

Na inauguração dos novos leitos, ao justificar o investimento que salva vidas, o prefeito chamou a atenção para o aumento vertiginoso de novos casos no município.

“A curva de novos casos em Itabira mostra um aumento de aproximadamente 180% de outubro para janeiro. O movimento nas enfermarias e UTIs acompanhou essa elevação, o que nos causou preocupação. A ampliação (do número de leitos) nos confere um respiro maior nessa batalha que tem causado tanto sofrimento mundo afora.”

Com o avanço da pandemia, projeção é de 8 mil casos confirmados em Itabira nos próximo 14 dias

Ondas fakes

É fato que a microrregião de Itabira permanece na onda amarela do programa que disciplina o funcionamento do comércio no estado. Mas isso, na prática, pouca coisa muda, principalmente depois da edição da versão “modernizante” do programa, que permite o funcionando do que não é essencial mesmo na onda vermelha.

O prefeito diz que não se deve politizar o tema, como se a política não fosse determinante em toda essa situação de descontrole que faz avançar a pandemia por todo o país.

Mas como não politizar, se é a política que determina se deve haver mais ou menos restrições, se a Covid-19 deve ser tratada como a maior crise sanitária mundial dos últimos 100 anos ou se deve ser vista apenas como uma gripezinha?

Autonomia e riscos

“O município continua ligado ao Minas Consciente, mas optou por não seguir todas as flexibilizações adotadas pelo Estado na última versão”, disse o prefeito em seu último pronunciamento.

Isso porque, segundo ele, mesmo com os principais indicadores terem apresentados melhora, não se pode afirmar que a situação é confortável. Claro que não é.

Para os próximos 60 dias, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que é um liberal, para não deixar de politizar o tema que é político, e que adotou medidas mais restritivas quando esteve à frente do Ministério da Saúde, prevê uma mega-pandemia no país com a disseminação acelerada da nova variante do coronavírus registrada em Manaus, no Amazonas. Leia aqui.

Essa disseminação é tão forte e célere que, para evitar mais uma onda de contaminação em massa por essa nova cepa, praticamente todos os países da Europa proibiram o ingresso de brasileiros e de pessoas saídas do país em seus territórios – e até voos para o Brasil estão proibidos.

Sem cachoeiras no carnaval

Mas mesmo assim, o novo decreto permite “alguns avanços na flexibilização”, com medidas menos restritivas em relação ao decreto anterior, mas sem abrir tanto como permite a versão “modernizante” do Minas Consciente.

“Entendemos que não poderíamos seguir exatamente o que foi preconizado pelo Minas Consciente. Nós temos essa prerrogativa de sermos mais restritivos e decidimos por ser em alguns setores”, anunciou Marco Antônio Lage.

Entre as medidas mais restritivas está a suspensão do decreto que determinou ponto-facultativo nos dias de Carnaval. Com isso, as repartições públicas funcionam nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, observando as medidas adotadas pelo governo estadual

Outra medida mais dura trata do fechamento dos acessos aos rios e cachoeiras durante o carnaval, assim como de outros atrativos naturais.

Vai ser, de fato, um sofrimento para quem tem folga nesses dias, por não poder se refrescar com essa onda de calor.

A medida é necessária para evitar as aglomerações como as que ocorreram em outros feriados, por exemplo, no povoado da Serra dos Alves e na cachoeira Boa Vista, ambos no distrito de Senhora do Carmo.

Para o efetivo cumprimento das medidas, será reforçada a fiscalização, anunciou o prefeito. Novas contratações de fiscais ocorrerão nos próximos dias, mantendo-se as barreiras sanitárias nas entradas da cidade e também nos distritos e demais atrativos turísticos.

 

 

 

 

 

 

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