Itabira nem bem evoluiu para a onda Verde e já retorna para a Amarela com o avanço da Covid-19

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

A população nem mesmo foi informada amplamente que o município havia, desde o dia 17, avançado para a onda Verde, e já agora, neste sábado (24), Itabira dá um passo atrás e retorna para a onda Amarela.

O retrocesso é decorrente da avaliação que é realizada semanalmente pelo programa Minas Consciente, com base na propagação, velocidade e controle da pandemia no município e na microrregião. A informação é da Prefeitura, que já está ciente do retrocesso desde ontem, quando foi comunicada oficialmente.

O passo atrás se deve por Itabira ter somado 13 pontos na avaliação geral do plano, o que indica, ainda, grau médio de risco.

A avaliação da semana reporta o elevado número de pessoas internadas, com ocupação de 33% dos leitos para pacientes com Covid-19. E também pelo fato de a ocupação geral de leitos nos dois hospitais da cidade ter atingido 51% de sua capacidade.

Outro critério levado em conta para a mudança de onda foi a alta velocidade da propagação do vírus no município, com avanço por toda a cidade e região.

De acordo com boletim epidemiológico divulgado nesta sexta-feira (23), Itabira já tem 2.906 casos confirmados de pessoas testadas positivas para a doença, um aumento de 24 novos casos em 24 horas. Mantém-se o registro de 20 óbitos decorrentes de infecções pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2).

A ocupação de leitos nos dois hospitais também cresceu nos últimos dias. Pelo mesmo boletim, dez pacientes com Covid-19 estão hospitalizados.

Além dos casos confirmados, outros oito pacientes internados estão sob investigação, aguardando resultados mais apurados.

E 159 pacientes testados positivos seguem em isolamento domiciliar, enquanto 2.712 pessoas já se recuperaram da doença no município de Itabira.

Contaminantes

Avaliação de Itabira pelo programa Minas Consciente: critérios

A alta taxa de transmissão no município se deve ao fato de parte significativa da população ter acreditado, precipitadamente, que a pandemia havia passado. Isso mesmo antes de se ter uma vacina eficaz para imunizar a maioria da população.

A campanha eleitoral, embora não existam indicadores, também pode ser outro fator que tem contribuído para fazer crescer a taxa de transmissão.

Pelas redes sociais, não raro se vê candidatos a prefeito e vereadores em reuniões com grande público, acima do limite estabelecido, com muitos participantes sem máscaras, no maior bate-papo.

Em bares e restaurantes é facilmente verificável a aglomeração de consumidores, sem que se tomem todos os cuidados de prevenção, cautela e proteção

Não raro, festas de confraternização em casa e também nesses estabelecimentos, até mesmo durante o dia, têm ocorrido com frequência por toda a cidade.

As pessoas ficam aglomeradas nesses encontros, cantando e falando sem parar – um campo fértil para a propagação do vírus, caso entre eles tenha alguém infectado assintomático.

Está claro também que a fiscalização da Prefeitura não tem sido eficiente, tantas são as não observâncias dos protocolos de prevenção nas ruas e nos estabelecimentos comerciais.

Proteção necessária

Pelo que se observa na cidade, é como se a pandemia já fosse página virada na história. Não passou. “A pandemia só vai ter fim quando houver uma vacina cientificamente eficaz e com todo mundo imunizado”, afirma a médica infectologista Andrea Cabral, do hospital Carlos Chagas (HMCC), para quem isso só deve ocorrer em meados de 2021.

Daí que é preciso continuar com as medidas preventivas e protetivas. O uso de máscara é imprescindível ao sair de casa e sempre que estiver ao lado de outras pessoas.

“Devemos ter cuidado especial com as pessoas idosas e com comorbidades (outras doenças) em casa e também nos locais de trabalho”, insiste a médica infectologista.

Afinal, não se trata só de uma pandemia, mas de uma sindemia, como tem conceituado muitos cientistas, uma vez que o novo coronavírus age provocando outras complicações trombóticas, renais, cardíacas e até cerebrais. Pode levar à disfunção desses órgãos – e também ao óbito em muitos casos.

Para saber mais sobre a situação da pandemia em Itabira e na região acesse o link https://bit.ly/3o5uQaX.

Além dos cuidados que todos devem ter, mudanças estão mais nos protocolos para o comércio

Protocolos para o comércio de rua passam a ser mais rígidos e toda a população deve redobrar os cuidados (Fotos: Carlos Cruz)

Com o retorno para a onda Amarela, os cuidados pessoais para não contrair e nem disseminar o vírus continuam valendo: uso de máscara, higiene constante das mãos, além do imprescindível e protetivo distanciamento social.

Continua liberado o funcionamento de serviços não essenciais, mas os protocolos passam a ser mais rigorosos.

Por exemplo, nas academias a frequência volta a ser mais restritiva, com paradas periódicas para higienização de equipamentos e dos estabelecimentos.

Nos restaurantes self-service, já a partir deste sábado não mais será permitido ao consumidor servir o seu prato, o que terá de ser feito por empregados dos estabelecimentos.

Com a onda Amarela, fecham teatros e cinemas. Para Itabira isso nada altera, uma vez que esses estabelecimentos há muito se encontram fechados.

A feira do produtor, que estava para ser reaberta aos sábados, fica novamente impedida de funcionar com o retorno de Itabira para a onda Amarela.

Fiscalização

Como a pandemia ainda está longe de ser vencida, é preciso aumentar a fiscalização da Prefeitura, assim como a população precisa fazer a sua parte. Sem os cuidados devidos, o risco de ocorrer retrocesso para a onda Vermelha é grande.

Atualmente, em Minas Gerais nenhuma região se encontra nessa temível onda, que implica no fechamento, novamente, de todas as atividades não essenciais.

Mas para isso não acontecer, é preciso que todos façam a sua parte com as medidas preventivas, cautelares e protetivas – e que devem ser mútuas. “Quando eu me protejo, também projeto o outro”, já disse a secretária municipal de Saúde Rosana Linhares.

É o que continua valendo para todos, indistintamente, independentemente da idade e das condições de saúde.

 

 

Compartilhe.

Sobre o Autor

Deixe um comentário