Futebol mineiro decepciona e o Atlético ainda não demonstra em campo um coletivo à altura de seus talentos individuais     

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Luiz Linhares*

Estou cada dia mais convencido de que menos sei do que realmente se tornou o futebol.  Minha base de reflexão é o que vem acontecendo no futebol mineiro e muito do que vimos nas primeiras rodadas, do que no dia a dia em jogos vem ocorrendo em campo. O que vejo é uma sessão de horrores. Coisas até inexplicáveis vem acontecendo e com certa frequência.

É fato que muitas coisas mudaram dentro e fora das quatro linhas. O que fazia parte do bom futebol praticamente não existe mais. E se aperfeiçoar em meio a tantas turbulências sabemos não ser missão das mais simples.

Tudo na vida passa por gestão, seja empresarial ou familiar. No futebol se agrega a isso a paixão, o que leva, não raro, a atitudes e tomadas de decisões equivocadas e simplesmente remetem a resultados muito das vezes absurdos.

Tudo isto me transfere ao que de momento vivem os times mineiros na presente conjuntura futebolística. Com o América e Atlético na divisão principal, e o Cruzeiro pela segunda divisão nacional, os resultados têm sido muito aquém do que esperam as torcidas.

Todos estão com resultados iniciais muito abaixo do que se esperava, um com grande investimento, outro com modesto e outro praticamente sem nenhum aporte necessário para montar uma boa equipe. Os resultados são pífios, quase nada.

Pelos investimentos, o que o Atlético tem apresentado no campeonato brasileiro é decepcionante. Foi o que se observou nos últimos três jogos, no que realizou até a sétima rodada do Brasileiro.

Ocupa o meio de tabela, com tropeços em casa para adversários pequenos e atuação fora de casa com grande fragilidade. Motivos para queda de produção são visíveis, com jogadores contundidos, outros servindo às seleções de seus países, em seleção olímpica e alguns infectados pelo novo coronavírus. É evidente que tudo isso leva à perda de poder e qualidade em campo.

Mas se isso explica, não justifica, já que o time formou um grupo forte com dois bons atletas em cada posição, o que leva muitas vezes à dificuldade de se apontar qual deveria ser o titular.

Em síntese, o Galo tem uma equipe de excelência, com atletas criativos que deles muito se esperava. E pelo visto nas últimas partidas, não é bem assim. Se tem peças de reposição, como explicar esses sucessivos fracassos?

É fato que o Atlético vem perdendo vem caindo de produção a cada partida, está sem brilho e não demostra reação imediata. Em alguns lances até se observa que alguns jogadores tentam romper com a mesmice em campo pelo talento individual sobrepondo ao coletivo. E assim os resultados seguem inesperados e até inexplicáveis, distanciando o Atlético do bloco de frente.

É preciso exigir mais pelo que se entrega para que seja alcançado o objetivo central que é o tão almejado e sempre distante título de campeão.

A situação é ainda mais preocupante quando se aproxima a hora de jogos decisivos em mata-mata pela Copa Brasil e Libertadores. Para que tenha o rendimento esperado de um grupo talentoso individualmente é urente que se acerte o coletivo. Isso para não se repetir o fracasso do ano passado no campeonato brasileiro.

O Atlético tem time para brigar por todos os títulos, o que ainda é possível. Tomar que os fracassos recente sejam apenas percalços da caminhada e que tenhamos em breve um Galo merecedor de aplausos.

Cruzeiro tem tido lances bizarros e se mostra à deriva em campo como a esperar por um milagre

Cruzeiro tem bom ataque mas tem sofrido com lances bizarros na defesa (Foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press, No destaque, o Atlético perde pela irregularidade, com muitos desfalques (Foto: Pedro Souza/Atlético)

Pelo lado do Cruzeiro tenho acompanhado jogos em que tudo caminha para a ostentação de sorrisos e do nada algo se complica e passa a ser um time à deriva em campo, Jogadores se perdem e algo fácil de ser construído se torna em batalha de sobrevivência.

Contra o Confiança teve duas expulsões no primeiro tempo. Contra o Goiás o zagueiro entrega o jogo em gol contra bizarro. Em Ponta Grossa, outra expulsão e falhas individuais, E novamente em Maceió outra vacilada de goleiro e zagueiro e leva uma virada de placar em dois minutos.

É antigo dizer que somos o que praticamos no dia a dia. No Cruzeiro tudo o que acontece é meio misterioso e inaceitável em outras épocas.

O time celeste é uma caricatura que todo mundo zoa e tira sarro. Não é possível continuar assim, qualquer zé ninguém faz chacota com o Cruzeiro. É tudo muito alimentada pela gestão atabalhoada que vive o time celeste, para dizer o mínimo.

Alavancar o Cruzeiro Esporte Clube já acredito não ser missão para poucos ou abnegados. Novos rumos e ações urgentemente e milagrosamente espero que aconteçam ante a um quase final lamentável.

Hoje, se contratar de qualquer forma pode aguardar uma esperada e visível punição por não pagamento de obrigações. Este é o remédio de agora e fica a pergunta: Tem como dar certo?

Mas pela tabela e pelo montante de jogos ainda a acontecer ainda restam esperanças, ainda que tênues. Mas é preciso acertar mais, ter fé no treinador que chegou e em tudo que ele se propõe. E esperar pelos acertos e motivações dos jogadores. Luz para algo de bom é o que se espera.

Em tempo, é bom o Cruzeiro bater pesado também na porta da CBF. A segunda divisão não tem Var e nem árbitros de primeira linha. É um laboratório para aqueles que almejam apitar na divisão principal do campeonato nacional.

Erros absurdos de arbitragem têm acontecido, principalmente em lances de impedimento –e com muita frequência. Se prejudicar por si só já tem sido doloroso, pelo apito já se torna demais.

América vive o risco, caso não tenha reação imediata, de deixar mais uma vez a divisão principal do Brasileiro

América ainda não venceu no Brasileiro e já se assombra com o fantasma do rebaixamento (Foto: Glaydson Rodrigues/EM/DA Press)

 O América também volta a repetir o trauma do drama do sobe desce. Tudo até recentemente parecia direcionar para um ano bom em termos de participação na divisão principal.

Mas foi começar a disputa e a história volta a se repetir. Os gols sumiram, o bom coletivo também. O desgaste entre treinador e diretoria levou a demissão de Lisca.

Sem vencer nos sete primeiros jogos deixam todos americanos com uma pulga atrás da orelha. A reação tem que ser automática agora com Wagner Mancini,

Na partida contra o Palmeiras até que se observou uma melhora em campo. Mas o time desperdiça pênalti e perde o jogo no último minuto.

Contra o Internacional até que também fez um bom jogo, mas cria muito sempre faltando colocar a bola na rede.

Que venha a primeira vitória o mais rápido possível para assim readquirir a confiança e o bom futebol para que tenha uma campanha equilibrada, mantendo-se na principal divisão.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM.

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