Futebol e política sempre se misturam em prejuízo do esporte. Não é bom o momento para se ter a Copa América no Brasil

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Luiz Linhares*

Não posso deixar de externar a minha opinião neste momento conturbado que vive a instituição maior do futebol brasileiro, a CBF. Ao fim desse domingo (6), veio a notícia do afastamento, por 30 dias, do presidente Rogério Caboclo pela comissão de ética da entidade. Isso em virtude de denúncias de ex funcionária por assédio sexual.

Não bastando a vexatória situação, tem-se ainda a escolha, por parte da Conmebol, do Brasil para a realização da Copa América em estádios brasileiros ante às desistências de colombianos e argentinos pelo avanço das pandemias em seus territórios.

Pelo visto, o Brasil não passa por isso, tem vacinas para todos e a campanha de imunização segue celeremente. Aí vem o leitor e com razão diz: “não me engane, que eu não gosto.”

Já dentro de campo, a seleção vai bem: venceu mais uma partida contra o Equador, em Porto Alegre e segue liderando com folga as eliminatórias para a Copa do Mundo no Qatar.

Por parte dos atletas muito silêncio em relação ao posicionamento quase unânime da maioria dos cronistas esportivos, e da população, pelo erro de o Brasil aceitar sediar a próxima Copa América.

Trata-se de uma competição caça níquel por parte do comando do futebol sul-americano que fatura milhões. Fora isso, para mais ninguém essa necessidade tão premente existe para sua realização agora.

E para aumentar o vexame, que torna o Brasil risível, para dizer o mínimo, aos olhos do mundo, vem o presidente afastado Rogério Caboclo com o escândalo do assédio moral e sexual contra a secretária da CBF. E têm-se ainda as incongruências dos jogadores.

Primeiro se posicionaram contrários à competição em solo brasileiro, mas devem confirmar, após a partida de terça-feira (8) das eliminatórias, que devem mesmo entrar em campo por essa já mal afamada competição caça-níquel da Commebol.

Mas o clima continua tenso. Já se especula sobre a saída do técnico Tite para dar lugar a Renato Gaúcho, que tem a simpatia do presidente Bolsonaro (sem partido). Assim, com todos esses episódios fora de campo, não se criam clima e condições para o futebol brasileiro voltar a ser o melhor do mundo.

Mas uma vez, como a história já registra no passado, na Copa de 70, politizaram a nossa seleção para atingirem objetivos políticos. Muito triste – e ignóbil – tudo isso que está acontecendo fora das quatro linhas com a nossa seleção brasileira.

A Copa América é absurdamente desnecessária, ainda mais em tempos de pandemia avassaladora. Não há vacinas para os jogadores. E mesmo que a disputa siga com protocolos rígidos, é certo que com a chegada das delegações de vários países com atletas convocados que jogam em todas as partes do mundo, onde têm aparecido novas cepas mais letais, não era hora de sua realização com essas condições sanitárias que aumentam o risco de proliferação de novas variantes.

Por isso reafirmo a minha posição contrária à sua realização. Mas como todas as vozes discordantes, meu manifesto também cairá no vazio, pois autoridades e dirigentes do futebol não dão ouvido às vozes da razão e da ciência.

Boas arrancadas dos “coelhos” no Brasileirão

Já o campeonato Brasileiro, embora ofereça também riscos, a situação é diferente, pois não há essa presença de delegações estrangeiras, quando o mundo inteiro fecha fronteiras para o vírus não migrar de um país para o outro livremente.

Mas o risco também é grande, tanto que a maioria de nossos jogadores já foram contaminados por essa terrível doença, ainda que para a maioria não tenha tido consequências graves como as que temos visto na população brasileira.

Nos gramados temos visto algumas boas surpresas. É o caso até aqui do Fortaleza que iniciou ganhando do Galo no Mineirão e aplicou uma vexaminosa goleada em casa no Internacional.

Bom começo também para os Atléticos Paranaense e Goiano com vitorias nos dois primeiros jogos.

Mas é só o início da maior competição esportiva brasileira. São 38 rodadas e para estes times, que hoje estão à frente, será muito difícil se manter nesse crescente. São times menores, com elenco limitado. Daí que precisam aproveitar ao máximo o glamour da qualidade para segurar o maior número de pontos e assim se posicionarem melhor na competição.

América, que é Coelho, não teve boa arrancada mas tem time para voltar a vencer

Anderson, do América, disputa bola com Luan, do Corinthians: time mineiro sofre a segunda derrota no Brasileiro (Foto: Fernando Moreno).  No destaque, o presidente Bolsonaro com o presidente afastado da CBF Rogério Caboclo (Foto: Divulgação)

No âmbito mineiro, o América com as duas rodadas iniciais já vive uma situação preocupante. Perdeu as duas primeiras partidas mesmo sem jogar mal. Em ambas partidas o ataque criou e não concluiu, não tendo conseguido finalizar as jogadas com eficiência.

Com isso, cria-se um clima de tensão quando nada ainda é terra arrasada. Mas fica o lembrete do que vale é colocar a bola na casinha, situação que exige do treinador uma resposta imediata para que se façam os acertos necessários em campo.

O competição é de pontos corridos e cada rodada tem o seu significado decisivo, daí que o América precisa urgentemente reencontrar o caminho do gol.

O time é bom, mesmo sem um elenco com peças suficientes para alterar a maneira de ação e de jogo em cada partida. Mas a comissão técnica e dirigentes têm trabalhado para no curto prazo apresentar novas opções ao treinador Lisca. É assim que esperamos para breve um América somando pontos e melhorando o seu padrão de jogo, rumo à vitória.

Mesmo desfalcado, Atlético vence em Recife, mas sofre pressão em campo

Hulk vive bom momento no Atlético e fez único gol da vitória (Foto: Pedro Souza/Atlético)

O Atlético foi a Recife e mesmo sofrendo em campo soube jogar e alcançar a vitória, depois do tropeço na primeira partida. Teve no Hulk o ponto de afirmação, tendo sido eficiente em finalização a meia distância com um belo gol.

Soube como time grande coordenar a crescente movimentação adversária por jogar em casa, por carregar uma invencibilidade. Foi uma vitória justa, merecida e justificada vez mais pela força de elenco do Galo.

O técnico Cuca soube usar bem as boas opções em jogo e no banco e assim obteve a primeira vitória na longa competição. Tem agora a tranquilidade para seguir em busca do tão almejado título em todas as competições que disputa.

Vale ressaltar o bom retorno do jogador Zaracho, recuperado e agora melhor adaptado ao jogo e estilo do Atlético. Com isso, na partida de Recife ele foi fundamental na manobra de meio. E assim, jogo a jogo vai deixando o treinador Cuca com mais essa boa dúvida na escalação. Zaracho quer a titularidade e o faz por merecer.

Destaque também para o trabalho do sempre eficiente Dodô, jogador que faz muito bem o papel pela ala esquerda. Ele tem bom apoio, visão de jogo e é sim imprescindível pela força de grupo atleticana.

Crise no Cruzeiro aumenta quando o time mais precisa de tranquilidade para se acertar em campo

CRB derrota o Cruzeiro no Mineirão e aumenta a crise no time celeste (Foto: Ramon Lisboa/Em/D.A. Press)

Já o Cruzeiro não esperava perder no Mineirão em sua estreia dentro de casa. E o pior é que o time celeste havia se atrapalhado em Aracaju contra o Confiança.

A situação ficou ainda pior com o que aconteceu dentro de casa, deixando escapar a imprescindível vitória, perdendo a segunda partida pela série B do Brasileiro.

Que o Cruzeiro não tem um time brilhante todos nós sabemos. Isso por falta de recursos, o que não permitiu que contratasse alguns bons valores que esperávamos ver no time azul.

Mas é preciso encarar a realidade e aceitar o que se tem em mãos. O desastre da rodada inicial já mostrou que alguma coisa interna não vai bem. Como tudo hoje é muito fechado no Cruzeiro, sabe-se apenas que continua a situação de salários atrasados e outras tantas dificuldades do dia a dia que vão aparecendo a cada momento.

Não se deve levar a campo os problemas, mas é certo também que atletas tem conhecimento que o clube busca arrecadar recursos em vaquinha com torcedores e assim poder saldar os seus compromissos. Mas é tudo muito complicado. Tudo tem ligação, tudo se une e tentar um conserto geral se faz no trabalho do dia a dia.

Não se pode também perder o foco na construção qualitativa do grupo. Como não dá para ficar atribuindo a culpa à arbitragem, para justificar o fracasso em campo.

A série B tem suas dificuldades e erros acontecem a toda hora. Precisa sim ser mais forte nos bastidores e tentar fazer com que a grandeza da camisa cruzeirense tenha um respeito maior.

Agora precisa muito mais se acertar de dentro para fora, além de a diretoria também se acertar, e planejar bem as próximas ações. Até uma simples chegada de diretor de futebol traz uma intranquilidade enorme ao grupo do futebol.

É torcedor protestando, é profissional que não é tido como capaz para exercer a função dentro do clube e por aí afora. Os mandatários do Cruzeiro precisam agir rápido, seja com Pestana no departamento de futebol mesmo sem o aval de tantos.

Mas que acertem nas contratações pontuais para mudar a cara de um time que se faz perdedor agora. Que se consiga um grupo unido e focado para que cheguem as vitórias e para dar a guinada tão necessária.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-Am

 

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