Em 2003 a Vale informa que Itabira teria minério até 2063

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Carlos Cruz

“Na época do Viveiros (José Francisco Martins Viveiros, ex-diretor de Ferrosos da Vale) foi anunciado que Itabira teria minério para mais 60 anos. Onde foram parar os recursos anunciados?”, questiona o advogado contratado pela Prefeitura de Itabira, Denes Martins da Costa Lott, em entrevista à reportagem deste site.

O anúncio de que Itabira teria minério por muitas décadas além de 2025, que era o prazo até então divulgado para a exaustão mineral onde tudo começou para a mineradora Vale, ocorreu com toda pompa e circunstância no auditório da Associação Comercial e Industrial de Itabira (Acita), em julho de 2003.

José Francisco Martins Viveiros na Acita, em 2003: “Itabira tem minério para mais 70 anos.” No destaque o ex-presidente Roger Agnelli, no gabinete do prefeito Ronaldo Magalhães, na solenidade de entrega do documento com os resultados das pesquisas geológicas realizadas em Itabira (Fotos: Humberto Martins/Vale Notícias)

 
Antes desse anúncio aos empresários itabiranos, o ex-presidente da Vale Roger Agnelli (já falecido) entregou ao então prefeito Ronaldo Magalhães um relatório pormenorizado com os dados das últimas prospecções geológicas realizadas no distrito ferrífero de Itabira.

Capa do jornal Vale Notícias divulgando os resultados otimistas com as novas prospecções geológicas

 

Pelo que foi divulgado naquele ano, as reservas de Itabira saltaram de 677 milhões de toneladas para 1,135 bilhão de toneladas. Isso enquanto os recursos tiveram um acréscimo ainda maior: de 2,8 bilhões passaram para 3,9 bilhões de toneladas. “São as nossas reservas futuras”, ufanizou o diretor Viveiros.

Na edição 35 do jornal Vale Notícias, a mineradora informa que uma auditoria independente havia confirmado esses dados. “O comunicado oficial será encaminhado à Bolsa de Valores de Nova Iorque por ocasião da publicação do relatório Formulário 20 para a Securities and Exchange Commission (SEC), que acontece uma vez por ano.”

A notícia ufanista teve uma informação adicional ainda mais animadora, prestada pelo mesmo diretor José Francisco Viveiros. “Os limites da mineração permanecem os mesmos. Não haverá expansão das minas para além do ‘pit’ (fronteira) atual”, assegurou o então diretor na reunião com os empresários itabiranos.

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