Desde dezembro, Itabira já tem transmissão comunitária da variante P.1, com aumento vertiginoso de novos casos e óbitos

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Com maior intensidade no início deste ano, Itabira já registra a transmissão comunitária da variante gama (P.1), identificada pela primeira vez em Manaus. É o que explica a forte onda de contágio e de óbitos que se abateu sobre o município e na região – e também no país e em boa parte do mundo.

A variante P1, assim como a zeta (P2), identificada pela primeira vez no Rio de Janeiro, possuem a mutação E484 na proteína S (spike) do vírus, o que as tornam mais agressivas e infectantes.

São essas variantes que explicam a situação de pré-colapso do sistema de saúde local, já em dezembro do ano passado, com taxas de ocupação chegando próximas de 100% de leitos nas UTIs e enfermarias nos hospitais Carlos Chagas (HMCC) e Nossa Senhora das Dores (HNSD). E depois para o colapso ocorrido em abril.

Transmissão comunitária

O que até então era suspeita e observação empírica na rede hospitalar, agora é realidade comprovada. Itabira, assim como a maioria dos municípios brasileiros, desde dezembro vem sofrendo com a transmissão comunitária da variante P.1, mas não somente dessa cepa mutante.

Segundo comunicou, nessa segunda-feira (14), a Rede Corona-Ômica.BR-MCTI, por meio do Laboratório de Biologia Integrativa (LBI-UFMG), CT-Vacinas (CTV-UFMG) e Laboratório de Vírus (LV-UFMG), todos membros da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com participação de outros parceiros, foi concluído estudo de estimativa da frequência de variantes de Sars-CoV-2 no estado de Minas Gerais.

A amostragem foi realizada por conglomerados definidos pelas 28 Unidades Regionais de Saúde (URS), com amostragem em 282 (33,06%) municípios dos 853 existentes no estado de Minas Gerais. Foram analisadas 1.198 amostras para detecção de variantes. A regional de Itabira foi incluída na amostragem.

“Com 74,12%, a variante mais comum em Minas Gerais foi a gama (P.1)”, concluiu o levantamento. “Os resultados ainda indicam que as variantes de preocupação alfa (B.1.1.7) e gama (P.1), juntamente com a variante de interesse Zeta (P.2) respondem por quase 98% das amostras analisadas.”

Os resultados confirmaram a forte presença da variante P1 na região de Itabira. Na Unidade Regional de Saúde de Itabira foram analisadas 38 amostras. Dessas, 30 foram positivas para a variante Gama (P.1), correspondentes a 78,95% da amostragem.

Isso enquanto foram constatados sete casos (18,42%) para a variante alfa (B.1.1.7), além de um caso (2,63%) da variante zeta (P.2), sendo que para essa foi testada com a mutação G1264T, também já presente na região.

Os resultados indicam que as variantes alfa (B.1.1.7) e gama (P.1), juntamente com a variante de interesse zeta (P.2), respondem por quase 98% das amostras analisadas.

Com todas essas cepas tendo distribuição espacial por todo o estado, notadamente a P.1, seguida da P.2 e da B.1.1.7 (originalmente identificada no Reino Unido), a recomendação das autoridades em saúde é para que sejam redobrados os cuidados.

Para isso devem ser adotadas medidas mais restritivas, antes que surja uma terceira onda em Itabira e na região, como já se observa em quase todo o estado de Minas Gerais.

“Desta forma, recomendamos que providências cabíveis sejam tomadas pelos órgãos municipais, estaduais, e federais competentes no controle da dispersão das variantes de Sars-CoV-2 no território brasileiro.”

Crescimento vertiginoso

São essas variantes, principalmente a P.1, que, pelo menos até aqui, explicam o crescimento vertiginoso de novos casos e de óbitos, após o mês de dezembro em Itabira e na região. Outras cepas mutantes também já podem estar circulando na região.

De acordo com registros na Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2020 o município teve 5.685 casos confirmados da doença, sendo que 1.598 novos casos foram registrados em dezembro, superando em 2,8 vezes a média mensal de novos testes positivos desde o primeiro registro da Covid-19, em maio de 2020.

Isso enquanto só neste ainda primeiro semestre de 2021, o registro é de 12.415 itabiranos testados positivos para a doença, fora as subnotificações.

No ano passado ocorreram 44 óbitos em Itabira desde o início da pandemia, sendo que desses, 17 mortes por Covid-19 foram em dezembro.

Já neste ano, a cidade registrou o triste número de 291 óbitos pela pandemia até a presente data – um aumento vertiginoso de 561,3%. Foi o que tirou Itabira do sentimento de “viver em um bolha”, como até então vinha ocorrendo, tendo, a partir daí, ingressado por um bom período na onda roxa do Minas Consciente.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, essas variantes são consideradas de atenção em todo o mundo devido às evidências de aumento de transmissibilidade ou de gravidade.

Público-alvo

Com a maioria dos idosos já está imunizada com a segunda dose, a preocupação agora é com a disseminação do vírus entre as pessoas mais jovens. Isso por não terem sido ainda vacinadas e por saírem mais de casa para o trabalho e também para o lazer.

Boletim do Observatório Covid-19, da Fiocruz, divulgado nessa quinta-feira (17), mostra que, pela primeira vez, as maiores concentrações de casos internados em enfermarias e nas UTIs – e também de óbitos já chegaram à faixa etária abaixo de 60 anos.

É o que vem ocorrendo desde o início do ano, gradativamente, com a mudança do perfil. “A partir de agora, todos os indicadores apontam o rejuvenescimento dos afetados pela pandemia”, afirma o pesquisador Raphael Guimarães, da Fiocruz, segundo a agência Globo. A preocupação é ainda maior agora com o inverno.

Segundo ele, no boletim da última quinzena, a idade média das pessoas internadas com Covid-19 ficou abaixo dos 60 anos, com mais da metade das internações nas enfermarias e leitos de UTIs.

“Naquela semana, a mediana dos óbitos ainda era de 61 anos. Mas para esta quinzena, a mediana dos óbitos voltou a cair, agora em 59 anos. Isso significa dizer que a partir de agora, não somente as internações, mas também os óbitos, em sua maioria ocorrem em pessoas não idosas”, explica.

O pesquisador prevê a continuidade desse cenário de rejuvenescimento até que todos estejam vacinados. “O padrão de transmissão do Sars-CoV-2 no país ainda é extremamente crítico”, alertou.

Lambda, a nova cepa que assusta a América do Sul

Se não bastassem essas variantes já identificadas no país, outras cepas igualmente infectantes estão presentes na América do Sul e no mundo.

A que mais preocupa o continente é a Lambda, que tem sido associada à alta taxa de transmissão comunitária no Peru, Chile, Argentina e Equador, apresentando sintomas da Covid-19 ainda mais graves.

No Chile, essa variante já representa 32% dos novos caos nos últimos dois meses. No país, a Lambda já circula a taxas semelhantes às da variante gama brasileira (33%) e bem acima da alfa britânica (4%).

Isso enquanto no Peru essa cepa já envolve 81% de casos desde abril. Na Argentina é também observada uma prevalência crescente desde fevereiro deste ano. Entre 2 de abril e 19 de maio de 2021, a variante representou 37% dos casos sequenciados de COVID-19 no vizinho país.

Com relação às vacinas diante dessas novas cepas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que mais pesquisas são necessárias para validar a eficácia.

A OMS diz que, neste momento, existem “evidências limitadas” sobre o impacto da Lambda. “Sendo assim, faz-se urgência na realização de mais estudos que possam ajudar a compreender melhor o seu alcance”, informa a BBC News Brasil.

 

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