Com CPI, Carlos Bolsonaro volta a ser vereador federal e aconselha o pai a radicalizar discurso

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Rafael Jasovich*

​Com a pressão da CPI da Covid sobre o Palácio do Planalto, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) retomou as rédeas da narrativa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O vereador passou duas semanas em Brasília, retornando ao Rio na última sexta-feira. No período na capital federal, esteve diversas vezes com o pai no gabinete presidencial e ajudou a rever a estratégia de comunicação do governo, fechando-se ainda mais para a imprensa e com foco nas redes sociais.

Como em outros momentos de crise, Carlos, mais uma vez, aconselhou o presidente a partir para o confronto que agrada à militância ideológica e ajuda a desviar o foco dos problemas do governo.

O principal argumento de Carlos é que a suposta moderação adotada por Bolsonaro nos últimos meses, sugerida por ministros e aliados do Centrão, não foi suficiente para impedir a CPI da Covid, instalada por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro também se frustrou com a escolha do senador Osmar Aziz (PSD-AM) como presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) na função de vice, e Renan Calheiros (MDB-AL) como relator.

O efeito prático da ingerência do filho foi sentido mais claramente no discurso de Bolsonaro anteontem no Palácio do Planalto.

Interlocutores do presidente viram digitais de Carlos na fala do chefe do Executivo com recados indiretos ao STF e insinuações contra a China, principal parceiro comercial do Brasil.

Lamentável como sempre as atitudes do presidente, cada vez mais desvairado ou problemas mentais. E que se aconselha com um filho que só conhece a agressão aos adversários políticos do pai e às instituições republicanas.

Na realidade, Bolsonaro é um tigre de papel. Ruge, ameaça, mas não tem dentes.

*Rafael Jasovich é jornalista e advogado, membro da Anistia Internacional

No destaque, pai e filho curtem postagens nas redes sociais (Foto: Reprodução)

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