Brinquedistas ajudam na recuperação de crianças em tratamento

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Uma vez por semana, Márcia de Lourdes Pena Silva dedica duas horas de seu tempo a distrair e brincar com crianças de até 12 anos em tratamento nos Hospitais Nossa Senhora das Dores (HNSD) e ou no Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC), de acordo com escala previamente definida.

Brinquedistas voluntárias do grupo Alegria, Alegria atuam nos hospitais Nossa Senhora das Dores e Carlos Chagas (fotos: Divulgação)

Ela é voluntária do grupo Alegria, Alegria, que conta com 26 brinquedistas, fundado há sete anos, completados no dia 21 deste mês. O objetivo do grupo é contribuir de maneira lúdica, divertida e educativa com a recuperação de crianças enfermas em tratamento.

O resultado terapêutico é considerado excelente pelo médico pediatra Nelvan Camargos, que atende nos dois hospitais. “Diminui o estresse da internação, o que faz com que a criança aceite melhor o tratamento”, assegura o pediatra, que se diz um entusiasta do trabalho das voluntárias.

Criança na Brinquedoteca do HNSD

Márcia, como todo voluntário, não foge à declaração de que o ato de ajudar é mais gratificante para quem doa do que para quem recebe. Nesse caso, com certeza, ela está coberta de razão.

“Fico feliz ao ouvir de médicos e enfermeiros que a criança se recupera mais rapidamente do que o esperado com as nossas atividades. E que contribuímos para que ela aceite melhor a medicação e o tratamento.”

A brinquedoteca do HNSD já existia antes do trabalho dos voluntários do grupo Alegria, Alegria. Mas ganhou nova dimensão a partir do momento em que as voluntárias passaram a atuar com base em uma pedagogia específica, com excelentes resultados.

“Elas são organizadas e dedicadas. Brincam com as crianças, leem um livro, fazem teatro, distraem e assim ajudam no tratamento. O nosso trabalho fica mais fácil quando encontramos a criança enferma mais relaxada”, diz o médico, para quem a cura de um enfermo não ocorre só com antibióticos e cirurgias, mas também com carinho, cuidado e atenção que diverte e distrai.

“Já houve caso de criança receber alta e pedir aos pais para ficar mais tempo no hospital e assim continuar participando da brinquedoteca”, exagera a voluntária Márcia Silva, valorizando, com razão, o papel das brinquedistas.

Exigência legal

Por lei, todo hospital com clínica pediátrica é obrigado a manter uma brinquedoteca. Mas isso, muitas vezes se restringe a uma porção de brinquedos dispostos em uma sala sem acompanhamento pedagógico e recreativo, cumprindo apenas a formalidade legal.

Voluntários da Vale doam brinquedos para a brinquedoteca em apoio ao grupo Alegria, Alegria

Não é o caso dos dois hospitais de Itabira, que contam com o trabalho voluntário do grupo Alegria, Alegria. A brinquedoteca do HNSD, por exemplo, foi inaugurada em julho de 2005, mas só cinco anos depois passou a contar com o grupo de voluntárias, criado em 21 de junho de 2010. No HMCC, o grupo atua desde 24 de abril deste ano.

Hoje, as 26 brinquedistas voluntárias se revezam de segunda a sexta-feira para oferecer momentos de descontração às crianças enfermas internadas nos dois hospitais. “A dedicação das voluntárias é contagiante. Elas são organizadas e investem na aprendizagem para que possam prestar uma assistência recreativa e educativa de alta qualidade”, diz o médico pediatra.

De fato, as voluntárias se capacitaram e participam de cursos para melhor prestar a assistência recreativa, pedagógica e terapêutica aos internos. Um dos cursos que fizeram foi na Associação Brasileira de Brinquedoteca (ABB), em São Paulo.

Foi quando aprenderam que o papel do voluntário não é apenas brincar com as crianças, mas deve também estimular a imaginação, criando um ambiente propício à recuperação e ao tratamento médico-hospitalar.

Como reconhecimento de sua função terapêutica, a brinquedoteca do HNSD hoje integra o planejamento estratégico do hospital. É considerada parte importante dos serviços terapêuticos oferecidos às crianças em tratamento, uma clínica especializada dentro do hospital.

Como ajudar

O grupo Alegria, Alegria aceita doações de materiais como balões, giz de cera, lápis de cor, tintas, papéis, livros infantis, dentre outros. Só não recebe doação de materiais usados para não haver risco de infecção para os pacientes.

As doações podem ser encaminhadas diretamente aos hospitais Carlos Chagas e Nossa Senhora das Dores, sob os cuidados do grupo Alegria, Alegria.

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