Baixar a guarda, como faz Itabira, com novas cepas mais infectantes, como a variante Delta, é correr risco de novo surto, alerta OMS

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O prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), comemorou nessa quinta-feira (15), em seu encontro virtual semanal com seguidores pela rede social, a estabilização da taxa de transmissão (RT) do novo coronavírus (Sars-CoV-2) em 0,97, enquanto a ocupação de leitos exclusivos para Covid-19 está em 34% nas UTIs e 6% nas enfermarias.

Já foram registrados, desde o início da pandemia em março do ano passado, 19.058 casos testados positivos no município sem contar as subnotificações, com 342 óbitos.

“A cidade está voltando ao normal, estamos abrindo um pouco mais para eventos e casas de shows também. Comércio, clubes, bares e restaurantes estão funcionando normalmente”, afirmou o prefeito com visível satisfação, embora tenha advertido que o vírus continua circulando e com novas mutações.

“A cidade está voltando ao normal”, afirma o prefeito prometendo mais reaberturas, mesmo com o risco de novas variantes circulando no país e com a cidade com baixa taxa de imunização (Fotos: Carlos Cruz)

Variantes

Pois são justamente essas novas mutações que estão deflagrando novos surtos da pandemia em várias partes do mundo, mesmo onde as populações majoritariamente já receberam a segunda dose de imunizantes.

Frente a isso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem alertado governos para que não precipitem no afrouxamento das medidas, principalmente em países onde a campanha de imunização está atrasada, como é o caso do Brasil.

É que, segundo a OMS, onde há baixa cobertura vacinal a evolução do vírus pode ser facilitada. Com isso, podem surgir novas variantes que coloquem em risco a proteção oferecida pelas vacinas disponíveis.

“As tendências recentes são preocupantes. Dezoito meses depois de declarar a emergência de saúde pública internacional, continuamos correndo atrás do coronavírus”, disse em coletiva de imprensa, nessa quinta-feira, o presidente do comitê de emergência da OMS, Didier Houssin.

De acordo com ele, é forte a probabilidade de surgirem novas variantes mais perigosas e infectantes, difíceis de controlar. “A pandemia está ainda longe de acabar”, alertou.

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirma que a disseminação sem controle da Covid-19 já gerou mutações das variantes do novo coronavírus e que estão em circulação no país. O que mais preocupa é que essas variantes podem escapar parcialmente à imunidade adquirida por indivíduos mesmo depois de tomarem a segunda dose.

O estudo identificou mutações preocupantes em 11 sequências do vírus no país, o que “confirma que o Sars-CoV-2 já se encontra em natural processo de evolução e adaptação mesmo diante do cenário de aumento no número de pessoas com anticorpos”.

Baixa cobertura

Fonte: SMS/PMI

“Essa disseminação das novas variantes é mais preocupante em países que estão afrouxando as medidas restritivas mesmo não tendo a maioria da população imunizada”, diz Didier Houssin.

É ocaso de Itabira. De acordo com o último vacinômetro, divulgado pelo prefeito Marco Antônio Lage, 58.128 doses de vacinas já foram aplicadas em moradores do município.

“Itabira está acelerada na vacinação”, disse ele. Mas isso não é realidade. A campanha de imunização no município está lenta como ocorre em todo o país.

Do total de vacinas aplicadas, 43.031 pessoas tomaram a primeira dose no município, enquanto apenas 15.097 indivíduos já estão a caminho da esperada imunização, já tendo tomado a segunda dose.

É uma taxa pequena. Representa pouco mais de 12% da população itabirana, quando se espera que a imunização coletiva (ou de rebanho, se preferir) seja alcançada ao atingir patamar entre 60 e 70% dos indivíduos de uma comunidade, quando o vírus deixa de propagar e perde força com as pessoas adquirindo anticorpos.

Dispersão comunitária

A situação na cidade é mais preocupante quando se verifica que alguns bairros permanecem no vermelho, com a RT acima de 1,0. Significa que para cada grupo de 100 pessoas infectadas, ainda que assintomáticas, pode contaminar outras 100 no espaço de uma semana.

São esses bairros no vermelho que mais preocupam, a saber: Bela Vista, São Pedro, Eldorado, Centro, Pará, Vila Piedade, Juca Rosa, Major Lage, João XXIII (um dos mais populosos da cidade) e Chapada.

E se essa contaminação for pelo vírus mais contaminante e perigoso, como estudos recentes indicam ser a variante Delta? Itabira não é uma ilha e tem população flutuante elevada, com grande número de pessoas chegando na cidade vindas de toda parte do país para trabalhar nas obras da Vale.

Portanto, é muito cedo para baixar a guarda e desativar leitos de UTIs. Melhor manter a vigilância em saúde e a  infraestrutura hospitalar, antes que nova onda pandêmica venha contaminar mais gente, principalmente jovens não imunizados, provocando mais mortes, sofrimentos e sequelas por Covid-19.

A preocupação deve ser ainda maior uma vez que a variante Delta (B.1.617.2), identificada pela primeira vez na Índia, já pode ter contaminação comunitária no Brasil.

Alta disseminação

“O mundo está experimentando, em tempo real, como o vírus continua mudando e se tornando mais contagioso”, disse na terça-feira (13), em coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, referindo-se à nova cepa.

A preocupação é maior uma vez que, segundo estudos recentes, a variante Delta é de 50 a 70% mais contagiosa que outras novas variantes, como a Gama (P1), identificada pela primeira vez em Manaus – e que passou a ser dominante no Brasil a partir deste ano.

Com a baixa cobertura vacinal da população brasileira, a chegada dessa variante deveria ser motivo de preocupação maior das autoridades em saúde. Mas muitos já festejam como se a pandemia fosse página virada da história. Pelo menos por enquanto não é, infelizmente.

Segundo estudo publicado na revista Lancet, conceituada publicação científica, o controle da pandemia somente vai ser alcançada quando a população mundial, em sua grande maioria, estiver imunizada com a segunda dose.

É que só a primeira dose, segundo esse mesmo estudo, não é suficiente com as atuais vacinas. Espera-se que a segunda dose seja suficiente também para deter a proliferação da variante Delta, assim como de outras que certamente ainda virão, reduzindo mortes e internações hospitalares. Que assim seja.

 

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1 comentário

  1. Cristina silveira on

    O mundo endoidou mesmo… Então faz assim… abre tudo
    e depois soma as mortes, é subitraia pelo número de habitantes, soma as contaminações e as sequelas… assim vai sobrar pouca gente na cidade…. e a Vale S/A, encherá a cidade de novos habitantes ou seja a última Itabira. E quem sabe muda o nome Itabira pra PR Bolsonaro. Me da uma raiva danada se pudesse aqui mandava o Brasil se F.

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