Ao deixar de lado o ataque, Cruzeiro perde para o Atlético. Mas segue em frente pela Copa do Brasil

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Luiz Linhares*

Na semana passada acompanhamos mais um clássico mineiro com sentido decisivo em competição nacional. Foram cento e oitenta minutos para a celebração do feito. Já ouvi tanto ao longo dos anos ditados e crenças populares direcionados ao futebol, como os que entoavam que clássico é clássico e tudo pode acontecer.

Outro dito é que nesses confrontos não existe melhor ou pior time, vale o desempenho da hora. Entre tudo isso, cheguei a minha própria conclusão após o Cruzeiro vencer no Mineirão por uma vantagem de três gols – e entrar em campo no jogo seguinte, no Independência, com esta larga vantagem, podendo até perder por dois gols, ou mesmo por três. E ainda alimentar a chance de seguir em frente.

Rever e Cazares comemoram segundo gol na vitória atleticana por dois a zero no Horto, placar insuficiente. Na foto em destaque, jogadores do Cruzeiro comemoram a classificação (Fotos: Globo Esporte)

Uma certeza eu já tenho, aliás, trata-se de uma certeza antiga: a melhor defesa é o ataque. Foi assim que a decisão se definiu. Deixando de lado a primeira partida e focando nos noventa minutos no Horto, quando o Cruzeiro entrou vencendo de três a zero, o time celeste se esqueceu do ataque e por pouco punha tudo a perder.

Acredito que torcedor sem paixão concordará que o Cruzeiro tem um melhor elenco e atletas com mais qualidade. O que não se pode é abdicar do jogo, não querer o jogo. E foi o que ocorreu na segunda partida.

Já o Atlético foi para cima e assim se tornou forte, quase escrevendo uma nova história no futebol mineiro. Foi por pouco que não devolveu o placar elástico da partida anterior, ressuscitando-se na disputa.

O que se viu foi a superação atleticana, com raça, espirito guerreiro de um time que sempre escreveu seus capítulos nesta toada. Talvez se dispusesse de uma qualidade técnica mais apurada poderia chegar ao intuito final. E, antes, com certeza não teria que passar por tudo ante um desempenho melhor no jogo inicial.

Não foi à toa que ao final os torcedores dos dois times aplaudiram os seus atletas. Óbvio que o atleticano pela valentia e luta, enquanto o cruzeirense deve ter aplaudido com um sorriso meio amarelo, muito mais pelo desempeno de seu time na primeira partida. Na segunda o time só cumpriu o regulamento com muita apatia.

Arbitragem

Não posso deixar de citar a arbitragem. O VAR tem sido um pesadelo. Uma jogada começa e não sabemos o que terá no final da linha. O árbitro principal tem fugido de uma responsabilidade que é sua, repassando para aquele que fica na salinha do ar-condicionado, e com três ou quatro monitores, a decisão final.

E como tem demorado na definição! Neste vai e vem uma coisa para mim anula a outra. Se o objetivo é fazer justiça, que é o correto e o justo, observa-se que só o interpretativo não tem como gravar que dois mais dois são quatro.

Marasmo e apatia no campeonato Brasileiro

Dizem que depois da tempestade vem a bonança. Mas o que se viu para os times mineiros no retorno do campeonato brasileiro foi um desastre na última rodada.

O Atlético tinha o jogo na mão contra o Fortaleza. Vencia por dois a zero com quinze minutos de jogo. Cedeu o empate no segundo tempo, perdeu duas cobranças de penalidade máxima no mesmo lance de marcação pelo Var.

E decepcionou seu torcedor. Saiu vaiado de campo pela não eficiência na definição de lances que teria lhe imposto uma vitória retumbante. O cheiro do amor e do ódio se fizeram presentes num espaço de setenta e duas horas.

Já o Cruzeiro foi a Salvador com time reserva, o jogo se ofereceu para a vitória e o time não aceitou –  e se mostrou medroso, sonolento e travado. Mano Menezes tenta buscar situações onde dificilmente a chance do acerto acontece. Jogou para não perder e evitou a vitória.

Fica o time cruzeirense numa situação complicada no Brasileirão, em cuja competição não consegue vencer. Acho que no íntimo do treinador, e dos atletas, existe a certeza que quando necessário conquistarão os pontos que darão uma melhor situação. Pode até ser, mas é contar muito com o certo que pode virar duvidoso.

Ambos, Atlético e Cruzeiro se saíram muito mal nesse reinício da competição nacional. Nesta semana os dois times reiniciarão novas batalhas. Pela Libertadores o Cruzeiro vai a Argentina enfrentar o River Plate.

É verdade que Mano Menezes sabe muito bem postar seu time nesta competição. Busca um bom resultado na Argentina para que possa administrar a segunda partida em Belo Horizonte no jogo de volta. E assim seguir na competição.

Por sua vez, na copa Sul Americana o Atlético enfrenta o outro alvinegro carioca. Tem pela frente o Botafogo com o primeiro jogo no Rio. Agora é seguir em frente, a cobrança vai sempre aumentar e a resposta somente em campo pode ser dada.

Para não dizer que não falei do América

O Coelho vai se segurando na lanterna do Campeonato Brasileiro da Série B. O time tem sido muito fraco na competição. É uma das piores campanhas dos últimos anos, por que não também, tem o pior time.

Substituir o treinador já não é a panaceia para mudar a situação. A paciência é pequena, contrata aqui e acolá. E já se foram doze rodadas. Verdade que ainda há muito por acontecer. Mudar o passo para obter melhores resultados se faz necessário urgentemente.

*Luiz Linhares é diretor de Esportes da rádio Itabira-AM

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