Alípio de Freitas, revolucionário português que viveu no Brasil, será homenageado em Lisboa

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Mauro Andrade Moura

Uma exposição em Lisboa, Portugal, irá homenagear Alípio de Freitas, jornalista e vigário do subúrbio, que por muitos anos viveu no Brasil, onde foi preso e perseguido pela ditadura militar, morto no ano passado, aos 88 anos.

A homenagem será no museu da Aljube, em Lisboa, no dia 20 de fevereiro. Na ocasião será exaltada a sua história de resistência na luta pela reforma agrária no Brasil, assim como os anos em que viveu nos cárceres brasileiros. Será uma oportunidade para os seus conterrâneos conhecerem mais sobre esse compatriota, por meio de palavras, canto e música de sua autoria e também sobre esse personagem revolucionário.

Alípio de Freitas viveu no Brasil, onde ajudou Francisco Julião criar as Ligas Camponesas, no Nordeste

Alípio de Freitas nasceu em 1929 no nordeste de Portugal, na cidade de Bragança, na região de Trás-os-Montes. Ordenou-se sacerdote em 1953. Emigrou-se para o Brasil em 1957. Foi professor de História e Filosofia da Universidade do Maranhão, jornalista e vigário de subúrbio, além de assistente da Juventude Operária Católica e da Ação Católica Operária.

Participou da organização do movimento camponês no Norte e Nordeste do Brasil. Foi membro do Secretariado Nacional das Ligas Camponesas, juntamente com Francisco Juliao. Em 1962, por questões político-ideológicas, desligou-se da Igreja.

Capa de um de seus livros

Sequestrado no Recife (1962) e preso em João Pessoa (1963). Respondeu a dois Inquéritos Político Militar (IPMs) por causa da sua atividade política junto aos camponeses.

Em 1964 foi, como exilado político, para o México. Regressou clandestinamente ao Brasil e participou da organização e deflagração da luta armada contra o regime militar.

Em maio de 1970, foi preso pelo DOI-CODI/RJ. Sobreviveu à tortura e à prisão. Em fevereiro de 1979, depois de ter cumprido as condenações impostas pela Justiça Militar, recuperou a liberdade.

Capa de livro editado por amigos em sua homenagem

Após, tornou-se um expatriado português e brasileiro. Foi viver em Moçambique. Já na década de 1980 conseguiu regressar a Portugal, onde permaneceu até o final da vida. Faleceu em 2017 em Lisboa, aos 88 anos de idade, dias após o lançamento do livro Alípio de Freitas, palavras de amigos, editado em sua homenagem. Alípio Cristiano de Freitas foi um homem de grande firmeza, frade português e revolucionário brasileiro. Cuidou de cuidar dos camponeses no sertão nordestino, faleceu hoje aos 88 anos de idade.

Tive a honra de uma dia apertar a mão desse nosso herói do cotidiano.

Serviço

Museu do Aljube – Resistência e Liberdade

Rua de Augusto Rosa, 42

1100-059 Lisboa

Tel.21581 85 35
info@museudoaljube.pt

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