Visita ao Parque do Limoeiro é uma boa opção no feriado prolongado

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Por Valério Adélio*

 

Cachoeira no Parque Estadual Mata do Limoeiro (Fotos: Carlos Cruz, Valério Adélio e Stael Azevedo)

“Riacho Campo Belo,

Crivado de pedras lisas,

Como rápido deslizas,

Modulando um ritornelo:

‘Mais amar sabe quem ama

Sua terra e sua dama.

Vem, Esperança, e pousa leve,

Com um traçado de verde giz

(É meu anseio que te escreve)

Sobre a sorte do meu país.”

Carlos Drummond de Andrade, em Mata Atlântica)

Inaugurado no dia 4 de dezembro de 2014, as trilhas, matas e cachoeiras do Parque Estadual Mata do Limoeiro são convites irrecusáveis para quem quiser curtir a natureza, no distrito de Ipoema. O parque está localizado na Serra do Espinhaço, no meio do caminho da estrada secundária para Senhora do Carmo, com sede na antiga Ipocarmo, a escola de agropecuária que não deu certo em Itabira, mas que virou portal de entrada para essa grande conquista de todos os ipoemenses.

Antiga Ipocarmo virou sede do parque

Com área de 2.056,7 hectares, no parque podem ser observados fragmentos da Mata Atlântica e do Cerrado, já tendo sido identificadas pelo menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu.

A rica avifauna da região é preservada no parque

Em se tratando da fauna, já foram observadas espécies raras e endêmicas, só existentes no local. A sua abertura foi o ápice de uma luta sem igual contra a devastação da área, cuja mata havia sido vendida para fabricação de carvão.

“Mata do Limoeiro, nosso pulmão”, “Mata do Limoeiro, nossa Amazônia “, essas foram algumas das palavras de ordem estampadas em faixas entre a antiga sede social e o casarão de Serafim, onde hoje funciona o Programa de Saúde da Família (PSF), em Ipoema, na luta que sensibilizou e mobilizou os moradores pela implantação do parque e contra o desmatamento da área.

A vegetação é remanescente da Mata Atlântica e do Cerrado

Hoje, o parque é um dos grandes atrativos de Ipoema, juntamente com as cachoeiras Alta (Macuco), do Patrocínio e outras menores, inclusive, as existentes dentro do parque: Paredão, Derrubado, Cascata do Limoeiro.

São muitos atrativos entre trilhas e cachoeiras

Neste tempo ainda frio, um banho de cachoeira é uma boa opção para quem curti uma crioterapia natural, recomendável para relaxar e amenizar dores musculares. E descontrair e descansar da vida agitada da cidade grande em um local bucólico e preservado.

Muito bem organizado, o parque conta com trilhas para caminhadas e para pedaladas de bicicletas, num percurso de 8,5 quilômetros. A caminhada é leve e em boa parte o visitante percorre protegido do sol sob a sombra de frondosas árvores.

Todo esse conjunto de atrativos, mais a exuberância da fauna e flora, contribuem para aumentar o número de turistas que o parque recebe constantemente. Todos esses locais são abertos à visitação.

Parque é uma unidade de conservação permanente

“No esforço de fugir à mata obscura,

Bromélias em família buscam luz.

E em suas folhas uma gota d’água,

Puro diamante líquido, reluz.”

(Carlos Drummond de Andrade, em Mata Atlântica)

Uma unidade de conservação é, por definição, um espaço de terra com limites definidos, cujo objetivo é preservar o meio ambiente para as gerações atuais e futuras, com toda a sua biodiversidade: animais, plantas, relevo, belezas naturais. É o caso do Parque Estadual Mata do Limoeiro, que você, caro leitor, está convidado a conhecer, se é que ainda não conhece. Ou a revisitar.

Estudantes e visitantes descobrem com monitores a natureza protegida

A sua criação, por meio de um decreto estadual, contou com a participação e mobilização de toda a sociedade ipoemense. Foi também fruto de um esforço conjunto da Prefeitura e do Instituto Estadual de Florestas – e contou com patrocínio da mineradora Vale, como medida de compensação ambiental negociada com a comunidade.

A legislação define dois tipos de unidade de conservação: as de proteção integral e as de uso sustentável. Limoeiro é definido como de proteção integral, o que permite uso diverso, mas sempre voltado para a preservação. Daí que é permitido ocorrer o turismo ecológico, desde que sujeito às boas normas de conduta e preservação ambiental.

As unidades de conservação podem ser definidas como estação ou reserva ecológica e parque, como é o caso de Limoeiro. Como parque, os seus principais objetivos, além da preservação e turismo contemplativo e ecológico, são o desenvolvimento de pesquisas voltadas à preservação, a recuperação de áreas e educação ambiental.

Vegetação é protegida de cortes e degradação

O parque Mata do Limoeiro já conta com plano de manejo, definido com a participação da comunidade local. O plano dispõe de um zoneamento ambiental que define os locais abertos à visitação, assim como as áreas que não podem ter nenhum tipo de uso, consideradas intocáveis e de preservação permanente.

Outros atrativos, como trilhas e cachoeiras, classificados como de preservação média, são os locais onde o acesso é permitido, mas só em determinado período do ano, definido pela sua gerência.

E existe, por fim, os locais de alto grau de intervenção, onde não há restrição de uso, desde que seja ambientalmente correto. É o caso das instalações que constituem a sede do parque, onde atividades diversas são organizadas, sempre buscando a conscientização e o comprometimento com a preservação do parque.

Saiba mais

Visitas de terça a domingo, de 8h às 17h
Estrada para Senhora do Carmo (via Ipocarmo), s/nº, distrito de Ipoema – Itabira – MG
Telefone: (31) 3799-9292

*Valério Adélio é empresário e produtor rural

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7 Comentários

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  2. Pingback: Roda de Viola em Ipoema acertou a mão

  3. Maria Terezinha Vieira on

    Sou uma Ipoemense e não conheço as riquezas deste lugar.
    Fomos prisioneiras qdo crianças.
    Não conhecemos nada e a escola na época não passava esta Cultura do seu município.
    Vou passar para os filhos, principalmente para a filha que gosta de pedalar.
    Obrigada bela matéria.

  4. cristinica de cervantes on

    Cara Terezinha Vieira, assino em suas palavras o que também tenho de ignorâncias sobre Ipoema. mas somos brasileiros e vivemos aprisionados pela cultura de outros países. Somos mesmo macaquitos…

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