Vereadores protestam contra aumento de tarifa de água e cobram da Vale solução para o suprimento na cidade

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Cobrada por não comparecer na Audiência Pública, realizada na quarta-feira (10) para discutir as condições e a viabilidade uma parceria público-privada fazer a transposição de 200 litros por segundo (l/s) de água do rio Tanque para abastecimento em Itabira, a Vale alega que não foi convidada. “A empresa não recebeu o referido convite”, respondeu a este site a sua assessoria de imprensa.

Paulo Soares acha que a Vale deve pagar a conta da transposição do rio Tanque (Fotos: Carlos Cruz)

Na Câmara Municipal, na reunião de terça-feira (16), o vereador Paulo Soares (PRB) subiu o tom na crítica à mineradora, o que tem sido contumaz no plenário do legislativo itabirano. “Eu não consigo entender que a Vale não banque a busca dessa água, até porque o problema que temos é decorrente da mineração”, cobrou.

A sequência de malhação da mineradora teve início com a notícia de que a tarifa de água em Itabira terá aumento imediato de 10% – e mais 25% de reajuste para quando entrar em operação a captação no rio Tanque.

“Não concordo que o povo pague essa conta, que é da Vale, com tantos desempregados em Itabira”, disse o vereador Paulo Soares, para quem a mineração dificulta a captação de água para abastecer a cidade. “Para a Vale, o custo dessa obra (cerca de R$ 55 milhões) é nada perto do lucro que ela tem aqui.”

Reinaldo Lacerda acredita que o rebaixamento do lençol freático dificulta a busca por alternativas

Já para o vereador Weverton “Vetão” Santos Andrade (PSB), que se manifestou ainda sem saber que a empresa não fora convidada para a Audiência Pública, isso embora o convite tenha sido geral, foi mesmo um absurdo não ter comparecido para ouvir o que a população tem a dizer sobre tão cadente assunto. “A Vale suga o nosso subsolo e não teve coragem de enviar um representante nessa reunião impositiva. É uma tremenda falta de respeito.”.

Em aparte, o vereador Reinaldo Lacerda (PHS) lembrou que a mineração nas Minas do Meio rebaixou o lençol freático. Para ele, esse impacto deve ser compensado com o suprimento necessário de água para Itabira crescer e desenvolver, já projetando o futuro próximo sem a mineração.

“Ao longo dos anos (desde a LOC de 2000), a Vale já investiu mais de R$ 14 milhões no abastecimento de água em Itabira, mas sem resolver a questão. A empresa continua tendo essa dívida de água com Itabira”, é o que ele pensa também.

Outro lado

Água do aquífero nas Minas do Meio ainda não está disponível para abastecer a cidade e já não se sabe se algum dia estará

Em resposta à reportagem, a Vale esclarece que as condicionantes da Licença de Operação Corretiva (LOC) referentes ao abastecimento de água de Itabira já foram consideradas atendidas pela Superintendência de Meio Ambiente (Supram-Leste Mineiro), conforme protocolo SIAM nº 0637436/2012.

Quanto a acusação de que a mineração dificulta o abastecimento de água na cidade, em consequência do rebaixamento do lençol freático nas Minas do Meio, a empresa esclarece:

“As outorgas de rebaixamento são instrumentos que asseguram o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água, permitindo o gerenciamento e o uso racional dos recursos hídricos, sem comprometer a disponibilidade e capacidade do manancial.”

Diálogo

Solimar aposta no diálogo com a Vale para buscar parceria

Conciliador, o vereador Solimar José da Silva (Solidariedade) conta que essa demanda vem de 25 anos – e precisa ser resolvida de uma vez por toda.

“Não estou dizendo que sou a favor à parceria público-privada, apenas informo que os estudos já realizados apontam a captação no rio Tanque como sendo a melhor alternativa pela localização e pelo menor custo e benefício”, sustentou.

Quanto à polêmica sobre a responsabilidade da Vale, ele sugere agendar uma reunião com a empresa, Saae, Prefeitura e representantes da sociedade civil, inclusive com participação do Grupo da Água, que já há algum tempo vem debatendo o assunto e buscando soluções. “O diálogo é o melhor caminho para encontrar soluções e parcerias”, ponderou.

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Pelo pouco conhecimento da matéria em si por parte dos vereadores, entendo que os estudos efetuados são pouco conclusivos quanto à melhor alternativa ou local para captação da água para os viventes de Itabira. E, novamente, a grande mineradora vem com resposta fraca quanto à sua total responsabilidade nessa escassez hídrica que assola a cidade.

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