Vapt vupt no concurso de poesia que a FCCDA deve prestar contas

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Lenin Novaes*

Vapt-vupt. Em três dias apenas – 27, 28 e 29, sexta-feira, sábado e domingo, de outubro –, a comissão julgadora deu conta de analisar todos os poemas inscritos e, assim, indicar os vencedores do Concurso Nacional de Poesias Carlos Drummond de Andrade, minutado, organizado e promovido pela Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).

A Portaria Nº 046, que nomeou os três integrantes da comissão, em atendimento ao item 6.3 do Edital Nº 005/2017, somente foi publicada no dia 24/10. Portanto, dois dias antes do prazo final das inscrições, 26/10. E em 72 horas, como se viu, a comissão, formada por Maria Aparecida Pinto Coelho Rodrigues Alves, Antonio Marcos Caldeira Mendonça e Maria José das Graças Lima Castro, trabalhou à exaustão para a escolha dos poemas vitoriosos.

Já o resultado – em nota chinfrim no site da FCCDA, mencionando apenas títulos dos três poemas e os respectivos pseudônimos dos autores – só foi divulgado no final da tarde do dia 30/10, e indicando que o prêmio seria entregue no decorrer do Festival Drummond, evento do Latrupe, FCCDA e Prefeitura Municipal de Itabira. Os autores dos poemas receberiam R$2.000,00, R$ 1.000,00 e R$ 500,00, classificados em 1º, 2º e 3º lugar, num total de R$ 3.500,00.

Bem, longe de colocar em dúvida qualquer irregularidade que possa ter ocorrido antes do final da data de inscrição, iniciando-se, por exemplo, a seleção dos poemas, a direção FCCDA não divulgou o mapa geral do concurso. Não fico com a vantagem da dúvida. Deixo a consciência dos realizadores do evento que teve como tema central o poeta Drummond.

Foi em respeito à memória dele – na trajetória de vida primou por respeitar os princípios abalizados e consagrados no fluxo da existência da humanidade – que avaliei o evento acanhado, estreito, minguado, quando foi lançado, em 12/9, em matéria aqui no Vila de Utopia, com o título de “Tributo a Drummond feito no afogadilho” (leia aqui).

Como até à noite de 8 de novembro, quarta-feira, o site da FCCDA estava fora do ar – com o aviso ”este site não está acessível no momento, por favor, entre em contato com o provedor de hospedagem de sites” –, creio que a direção da fundação deve enviar nota à imprensa em geral prestando conta de todo o evento, respeitando direito do cidadão à informação correta.

Cabe, sim, além das observações do fato acima, aplaudir o trabalho (voluntário?) feito no fim-de-semana pela comissão, cujos integrantes são:

Maria Aparecida Pinto Coelho Rodrigues Alves, itabirana, professora aposentada de Língua Portuguesa e Redação, tendo trabalhado na Escola Estadual Professor Manuel Soares, em Ipoema, distrito de Itabira; Escola Estadual Dona Eleonora Nunes Pereira (onde exerceu também a função de Diretora); Escola Estadual Mestre Zeca Amâncio; Fundação Itabirana Difusora de Ensino e Colégio Einstein. Graduada pela PUC/MG em Língua Portuguesa, lecionou por vários anos em diversos cursos da Funcesi, sobretudo, no Curso de Letras. Revisora Técnica de Linguagem da referida Instituição de ensino, quando saiu aposentada, em 2004. Atualmente, faz algumas revisões de trabalhos acadêmicos.

Antonio Marcos Caldeira Mendonça, itabirano, proprietário, jornalista e editor do jornal O TREM Itabirano. Editou o semanário oficial A Semana, na década de 1990. Publicou, entre outros órgãos relevantes, na Folha de S.Paulo, na Revista de História da Biblioteca Nacional, no Suplemento Literário do Minas Gerais e em O Escritor, jornal da União Brasileira dos Escritores, em São Paulo. Trabalha há 25 anos na imprensa itabirana.

Maria José das Graças Lima Castro é mestre em Linguística pela UFMG. Graduada em Letras pela PUC/MG e especialista em Arte e Cultura Barroca Mineira, em Redação, em Língua Portuguesa e em Literatura Brasileira. É consultora Pedagógica em escolas de Ensino Fundamental e Médio nas redes particular e pública de Itabira e região. Facilitadora em cursos de formação de professores na rede pública e particular de ensino. Professora em cursos de atualização linguística em empresas e revisora de textos empresariais, literários e acadêmicos. É professora de Língua Portuguesa e coordenadora de área nos níveis fundamental, médio e superior da rede particular de ensino (Fide, Fachi, Funcesi, UFMG). Professora de Literatura Brasileira e Portuguesa e Teoria da Literatura na Fachi/Funcesi; chefe do Departamento de Letras da Fachi e organizadora das Semanas de Literatura da Fachi, em homenagem a Drummond.

Passei o fim-de-semana em Itabira e acrescentei mais um soneto à sua lembrança:

Lamento de Itabira

Lenin Novaes

Gemido de dor no ranger dos trilhos,

No vai-e-vem inalterável, noite e dia.

Deixa indiferente, ausente, os filhos,

Na minha trajetória de densa agonia.

 

Arrancam dos meus seios os brilhos,

Das entranhas os nutrientes da cria.

Há décadas já não florescem milhos

Na floresta deflorada e quase vazia.

 

Ah, quando concluirá a mortificação,

Essa aflição lenta que o ventre birra,

Deixando-me sufocada, sem opção?

 

Ah, até quando a minha gente mira,

Não sente o abafar do meu pulmão,

O soluçar que extermina sua Itabira?

*Lenin Novaes, jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta e jornalista Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS). É Assessor de Imprensa do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

 

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2 Comentários

  1. Mauro Andrade Moura on

    O quê? Avaliar vários poemas com diversos estilos em apenas três dias? Mais uma vez digo que essa instituição não deve ter o nome do nosso Poeta e passar a se chamar somente aFundação.

  2. Participei desse concurso , com dois , modéstia a parte , excelentes poemas , e não fiquei nem entre os dez !!! Um dos poemas vencedores era prosa , a ganhadora tinha sobrenome Drummond , e o poema não era tão bom pra merecer o primeiro lugar num concurso a nível nacional .acho que meus poemas nem foram lidos .72 horas não é tempo hábil , nem honesto para se julgar trabalhos literários , num concurso dessa envergadura , houve sim alguma anormalidade obviamente , que precisa ser apurada . Não é choro de perdedor , mas tem caroço bem grande nesse angu , a fccda precisa se explicar e mostrar todos os poemas com suas respectivas notas e avaliações , eu esperava ficar pelo menos em terceiro lugar , e não figurei nem entre os dez !!!! Aí tem coisa …

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