Vale vai investir R$ 26 milhões em pesquisas geológicas para aumentar a vida útil das minas de Itabira

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A informação é do gerente-executivo do Complexo Minerador de Itabira, Daniel Daher, na audiência pública virtual que tratou do licenciamento ambiental da Pilha de Estéril Canga Sudeste, na quinta-feira (21).

Disse ele naquela ocasião: “a Vale vai investir, neste ano, R$ 26 milhões em pesquisa para aumentar a nossa reserva em Itabira”, respondeu ao ser perguntado o que a empresa pretende fazer para prolongar a mineração no município.

Daniel Daher, gerente-executivo do Complexo de Itabira, anunciou os investimentos em pesquisas geológicas na audiência pública da pilha de estéril Canga Sudeste

Essa soma de investimento em pesquisa, segundo um geólogo ouvido pela reportagem, que já trabalhou na Vale em Itabira, é bastante expressivo.

Segundo ele, é um forte indicativo de que nos próximos anos serão aumentadas as reservas itabiranas que a empresa informa, anualmente, à Bolsa de Nova Iorque, por meio do relatório Formulário 20 (Form-20), enviado à Securities and Exchange Commission (SEC).

“Um investimento em pesquisa dessa magnitude só se faz por ter atratividade, certeza de que é possível ampliar as reservas”, considera esse geólogo, que complementa:

Eu tenho absoluta certeza que corpos de hematita, que começam em Conceição, onde está o silo, e descem em direção à mina Periquito, ficaram para trás por debaixo de itabiritos, sem serem explorados”, afirma.

“Nas pesquisas anteriores, os furos de sonda que foram feitos em Itabira não chegaram até o final desses corpos. Se eram suficientes para se ter um planejamento de lavra por um longo tempo, paravam”, recorda.

De acordo com o geólogo, que confirma a opinião de outros profissionais da área de mineração ouvidos por este site em reportagens anteriores sobre a mesma pauta, é bem possível que esses corpos de minério de ferro remanescentes venham a ser explorados nos próximos anos.

Ele também não descarta a possibilidade desses corpos serem extraídos por meio de galerias subterrâneas, que têm custos operacionais mais elevados, mas que se justificam pelo alto preço da commodity no mercado internacional. Leia mais aqui.

E ainda mais por não ser preciso retirar grande volume de material estéril, diferentemente do que ocorre se opção for por lavra a céu aberto. “Por ser de alta qualidade, a hematita gera menos rejeitos nas usinas”, acrescenta.

Realismo otimista

As minas já quase exauridas de Itabira ainda podem dar mais uma safra com minas subterrâneas para extração de hematitas remanescentes (Fotos: Carlos Cruz)

“Tecnicamente não é inviável ter uma lavra subterrânea para explorar esses corpos de minério remanescentes, que existem também na mina Chacrinha”, acrescenta o geólogo.

Esse corpo remanescente mais próximo da cidade, segundo ele, encontra-se no limite da estrada 105 e da via férrea, que já tem projeto de mudar o seu traçado nesse trecho.

“Abaixo desse trecho, principalmente próximo da passagem de nível da Vila Paciência para o bairro Pará, tem um corpo de minério com inclinação muito forte, com a hematita que ficou no fundo. Com galerias subterrâneas, o acesso a esse minério pode ser facilitado”, acredita.

“Sou um realista otimista. Não vai ser encontrado outro Cauê, mas pode-se ter um volume bem significativo nesses corpos remanescentes e que vão prolongar a vida de Itabira por muitos anos além de 2029”, acredita.

Cauê, antes de ter início a exploração em larga escala, em 1942, dispunha de uma reserva medida de 1 bilhão de toneladas de hematita, minério com 66% de teor de ferro.

Reservas inferidas

Conforme explica o geólogo, esses blocos remanescentes são as chamadas reservas inferidas – e que para efeito didático, são também tratadas como recursos, que ainda não dispõem de estudos de viabilidade econômica, social e ambiental.

Já o que a Vale informa ao mercado internacional, por meio do Formulário 20, são as reservas medidas, “bloqueadas por sondagens” – e sobre a qual se tem certeza de sua existência por prospecções que chegam a até 300 metros profundidade.

Ao mercado internacional são informadas também as reservas indicadas, que contam com prospecções em intervalos maiores, que permitem avaliar até onde chega a estrutura mineral, assim como o volume de minério existente na localidade.

Ambas reservas contam com estudos de viabilidade para a sua extração, como parte de um planejamento estratégico geralmente de dez anos.

Portanto, o que fica fora do relatório Form-20 são as reservas inferidas, os popularmente chamados recursos minerais, que, segundo o geólogo, incluem blocos de hematita.

“São esses minérios remanescentes que devem ser melhor pesquisados neste ano com prospecções mais detalhadas e aprofundadas”, acredita o geólogo.

Furos profundos

Para isso, conta, já existem tecnologias mais modernas e precisas. “Com certeza serão feitas prospecções mais profundas por técnicas geofísicas, análise de testemunhos.”

Além disso, por meio de um processo chamado magnetometria, que permite medir a intensidade magnética na região, é possível avaliar o corpo de minério existente em determinada localidade, dando certeza de sua existência, ou não.

Se comprovada a viabilidade da exploração desses corpos remanescentes, seja por meio de minas subterrâneas, ou pelas já conhecidas lavras abertas, Itabira pode de fato prolongar o horizonte de exaustão de suas minas.

“A tecnologia de mina subterrânea já existe, mas é um outro mundo na mineração. Os equipamentos são outros, tudo é diferente, é outra realidade. Mas a tecnologia não é empecilho para a sua viabilização. Só precisa ter volume significativo para compensar o alto investimento”, acredita.

Fórum de debates

O geólogo sugere a organização de um fórum de debates para discutir Itabira, as perspectivas da mineração e a diversificação que deve ocorrer enquanto ainda se tem minério de ferro a ser explorado no município.

O debate aberto, com a participação da Vale, é importante para Itabira se informar melhor e assim planejar as suas ações no presente e no futuro. “É preciso buscar a diversificação econômica sabendo com mais precisão o que ainda resta de minério de ferro a ser explorado em seu subsolo”, recomenda o geólogo.

É o que quer saber também a Agência Nacional de Mineração, que indaga à empresa qual é esse volume de reservas e para onde seguem os corpos remanescentes.

Outra indagação da ANM é se parte da população itabirana terá de ser remanejada para que a extração de minério ocorra nas localidades mais próximas da cidade, como é o caso da mina Chacrinha.

Para isso, a mineradora terá que responder a um questionário pormenorizado, como parte do processo de renovação da licença de lavra, como consta em seu novo Plano Econômico para as minas de Itabira. Leia mais aqui e também aqui.

Pois assim como a ANM quer saber, o município de Itabira também tem o direito de ser informado. Afinal, é de suas “entranhas” que se encontra tamanha riqueza a ser explorada de seu subsolo que tantas riquezas já gerou para a empresa.

Reservas futuras

Conforme anunciou o ex-diretor da Vale José Francisco Viveiros, em 2003, na Acita, com base no “mais completo mapeamento geológico” realizado no início deste século, Itabira dispunha de minério para ser explorado por mais 60 anos.

Naquela ocasião, as reservas de Itabira saltaram de 677 milhões de toneladas para 1,135 bilhão de toneladas. Leia aqui e aqui.

Isso enquanto os recursos (reservas inferidas), com as novas prospecções, saltaram de 2,8 bilhões para 3,9 bilhões de toneladas. “São as nossas reservas futuras”, ufanizou o ex-diretor Viveiros naquela ocasião. E ele pode estar certo. Leia também aqui.

A notícia ufanista do ex-diretor Viveiros teve uma informação adicional ainda mais animadora para os que querem ver a continuidade da mineração no município.

“Os limites da mineração permanecem os mesmos. Não haverá expansão das minas para além do ‘pit’ (fronteira) atual”, assegurou o então diretor de Ferrosos na reunião com os empresários itabiranos. Leia mais também aqui.

 

 

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4 Comentários

  1. Essa arrumação vai gerar um rebuliço nas BRs . Vai demandar uma logística totalmente diferente de praticamente tudo que a empresa hoje utiliza pra extrair e beneficiar a matéria prima . Devem pensar em baixo impacto social e ambiental . Portanto já não seria pra ontem a construção de um aeroporto onde se possa receber maquinários e insumos ? Facilitaria e agilizaria todo o trabalho . Em todos os sentidos mudaria em muito o serviço .

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