Vale estuda a viabilidade de explorar mais de 270 milhões de toneladas de areia das minas de Itabira

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Pesquisando no site da Agência Nacional de Mineração (ANM), a reportagem descobriu que a Vale requereu direito de pesquisa de nova substância mineral no complexo minerador de Itabira.

Não se trata da jacutingaíta, um isolante topológico, raro mineral descoberto em um bloco ou fragmento de hematita, na mina Cauê. E que estaria no topo da lista dos mais promissores minerais para aplicação na nanotecnologia – e em outros processos tecnológicos mais avançados. Leia mais aqui e aqui.

A Vale confirma a ocorrência desse raro mineral, mas que não tem volume que justifique a sua exploração. A jacutingaíta foi reconhecida pelo International Mineralogical Association (IMA), em 2011, a partir da ocorrência documentada em Itabira.

Areia no caminhão

Relatório de aditamento de substância – areia (Fonte: ANM)

O que a Vale já pesquisa e pretende lavrar em Itabira são mais de 276 milhões de toneladas de areia (sílica), substância mineral encontrada em grande volume nas minas locais.

Essa é uma das alternativas em estudo, além do empilhamento a seco, para dar uma destinação ambientalmente correta a esse imenso volume de areia.

Material esse que é descartado desde a década de 1970, depositado em barragens como rejeitos das usinas de concentração. E também em pilhas, como material estéril retirado das minas.

De acordo com o que está registrado na ANM, a reserva de areia encontrada nas minas de Itabira é avaliada (indicada) em 100,.6 milhões de toneladas – além de mais 160 milhões de toneladas estimadas, que ainda dependem de mais estudos para saber se é viável a sua exploração econômica.

Licenças e aditamentos

Procurada pela reportagem, a mineradora confirma que estuda essa alternativa. “A Vale busca as licenças e aditamentos necessários para o aproveitamento econômico da areia proveniente da atividade minerária das minas de Itabira.”

Adianta que o material pode ser utilizado na Fábrica de Blocos do Pico, inaugurada neste mês, em Itabirito. Trata-se de uma fábrica piloto de pré-moldados, que utiliza o rejeito do processo industrial de concentração de minério de ferro, não sendo retirado diretamente de barragens.

“Importante destacar que o foco principal da Vale, neste momento, é buscar alternativas mais sustentáveis para as suas operações que gerem valor compartilhado com a sociedade”, diz a mineradora em nota encaminhada a este site.

Salienta ainda que a destinação da areia, em estudo, atende a esse requisito. “Além disso, a eventual entrada da Vale no mercado de areia levará em conta impactos no setor e, por isso, está sendo estudada.”, finaliza.

A planta piloto de blocos pré-moldados vai processar rejeitos das usinas e esteril das minas da Vale em Itabirito. Fábrica semelhante, e tamanho maior, pode ser instalada em Itabira para agregar valor com geração de mais empregos e impostos (Fotos: Carlos Cruz e Divulgação)

Pauta de reivindicação

Se a Vale entrar mesmo nesse novo negócio minerador, Itabira deve reivindicar que se instale no município uma fábrica de blocos fabricados com rejeitos e material estéril, assim que encerrar, ou até mesmo antes, a fase de testes na planta-piloto de Itabirito.

Sem essa fábrica, o município “que mais gerou divisas para o país com a exportação de mais de 1,5 bilhão de minério de ferro com teor acima de 65%”, continuará sendo mero produtor de matéria-prima sem valor agregado.

A Vale pode, ainda, disponibilizar matéria-prima (areia e demais substâncias contidas nos rejeitos), assim como a tecnologia desenvolvida, a grupos empresariais que podem vir a se instalar em Itabira para produzir pré-fabricados de concreto com esse material.

Além de gerar mais empregos, aumenta a participação de Itabira no rateio do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), assim como também da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (Cfem), os royalties que incidem sobre todas substâncias minerais, com alíquotas diferenciadas.

 

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4 Comentários

  1. Uai dona Vale, porque tudo que você cria que pode agregar valores a cidade onde nasceu você manda pra outros cantos . Que a cidade fez a voce a nao ser te projetar para o mundo como uma das maiores empresas do mundo em mineração,? Porque desta indiferença , deste descaso com quem tanto lhe ajudou . Sei que apos a sua privatização não tem que ficar ouvindo choro , mas cadê a consideração. Isso pega mal viu . Esperamos que vc tenha um pouco mais de empatia com esse povo é dê um jeito de dar uma força pra que as coisas possam ser um pouco melhores por aqui .

  2. Mauro Andrade Moura on

    Quero acreditar muito nisso, pois trocentas toneladas de argila e filito foram misturados com a sílica e restante de material agregado.
    Nunca utilizaram ou quiseram dar um fim melhor a toda a argila, desprezando-a como subproduto “inviável” da mineração de ferro, sem contar o filito que pode ser utilizado juntamente com a argila para a fabricação de tijolos de cerâmica.
    É muito desperdício a gozar com a cara de todos nós itabiranos.

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