Vale diz ter se livrado das acusações do empresário Beny Steinmetz de que sabia das ilicitudes cometidas em Simandou, na Guiné

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Um capítulo de um rumoroso escândalo internacional envolvendo a multinacional Vale S.A, na disputa de uma mina de minério de ferro em Simandou, uma das mais promissoras reservas ainda inexploradas no mundo, na República da Guiné, pequeno e pobre país da costa ocidental da África, tem um desfecho feliz para a multinacional brasileira, aqui no Brasil.

É que o Ministério Público Federal promoveu o arquivamento da notícia de fato que foi apresentada contra a multinacional brasileira pelo bilionário israelense Benjamin Steinmetz, o Beny, com o qual a Vale teria negociado a concessão da mina de Simandou.

Trata-se de um malfadado negócio bilionário de mais de US$ 2,5 bilhões, sendo que, desse valor, a Vale adiantou o pagamento de R$ 500 milhões ao empresário israelense, quando foi formada, em 2008, a jointventure VBG, iniciais de Vale e da BSGR Guinea, para explorar os blocos 1 e 2 da mina, conforme revelou a revista piauí. Leia mais aqui.

Na época o país africano era governado pelo ditador Lansana Conté. Antes de morrer, Conté cassou metade da concessão da concorrente Rio Tinto, multinacional anglo-australiana. A concessão foi repassada ao empresário israelense, que virou sócio da Vale em uma mina que não chegou a ser explorada.

Em 22 de janeiro, o Tribunal de Genebra condenou Benjamin Steinmetz, acusado de subornar a mulher do ditador Conté para explorar mina de ferro de Simandou. O ex-juiz Sérgio Mouro foi contratado para integrar o escritório de advocacia que o defende, até aqui sem sucesso.

Para provar que a Vale sabia de todas as suas ligações escusas com o ex-ditador para obter a concessão do direito de lavra, Steinmetz contratou uma empresa de espionagem israelense, que gravou a confissão de seu ex-diretor da mineradora brasileira, o economista José Carlos Martins.

Foi com provas consideradas ilícitas, incluídas as obtidas por meio de espionagem, que o empresário israelense ingressou, no Brasil, com a notícia de fato contra a mineradora. Seu objetivo era provar que a multinacional brasileira de mineração tinha conhecimento de todas as ilicitudes cometidas no país africano para obtenção do direito de lavra.

Benjamin Steinmetz, o Beny, ex-sócio da Vale na mina de Simandou, na Guiné, e que sequer chegou a ser explorada. (Foto: reprodução/piauí). No destaque, ex-diretores da Vale em frente à sua sede, no Rio. (Foto: Reprodução/Vale)

Comunicado

Em comunicado ao mercado e à imprensa, a mineradora Vale informa que, em 28 de março deste ano, ocorreu o arquivamento da notícia de fato, pelo fato de o Ministério Público ter entendido que Benjamim Steinmetz havia “atribuído falsamente a executivos da Vale práticas ilícitas no âmbito do projeto minerário de Simandou, na República da Guiné”.

Ainda de acordo com o comunicado da mineradora, o Ministério Público Federal teria classificado o requerimento do empresário israelense como “incomodamente inespecífico”.

E concluiu que os documentos por ele apresentados “não contêm elementos que indiquem sequer em tese a ocorrência de crime de corrupção ativa ou de tráfico de influência internacional”.

Considerou como sendo a “conclusão falaciosa e inconsistente” apresentada pelo empresário israelense, que acusou executivos da Vale de terem oferecido alguma vantagem indevida a George Soros, outro megaempresário internacional, que assessorou o governo da República da Guiné.

“A Vale entende que a decisão do Ministério Público Federal corrobora a lisura e probidade de sua atuação no mercado e segue convicta de que as autoridades brasileiras reconhecerão que o evidente objetivo do Sr. Steinmetz é desviar foco dos processos de execução de US$ 2 bilhões movidos pela Vale contra ele e suas empresas, conforme sentenças arbitrais e judiciais proferidas na Inglaterra e EUA”, assim encerra a nota da mineradora.

 

 

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