União Europeia promove cultura científica enquanto esquece da corrupção

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Veladimir Romano*

Rebuscando notas soltas ainda das velhas reportagens, por vezes nos surpreendem esses mesmos apontamentos pelo atual momento que passamos. Mesmo passados todos esses anos, descobrimos depois na pesquisa mais atualizada, ao momento.

Foi quando naquele precioso ano de 1993 a União Europeia, muito democraticamente, anunciou o “O Futuro da Cultura Científica” [recordamos dias 22, 23 de novembro em Lisboa, no dia 26 em Roma]. Mas pouca vantagem sobra da vontade anunciada.

Foi tudo integrado na “Semana da Cultura Europeia”, quando foram debatidos tópicos centrais no intuito de promover cultura científica em quantidade a bem da Comissão, alongando manifestações do ato, simultaneamente concentradas numa lógica sofisticada pelo conhecido grupo “Cidadania de Londres”.

Foi apresentada naqueles dias em Nápoles, Barcelona, Paris, Bruxelas, Berlim, Copenhaga e Haia. A única rádio então de língua portuguesa, a Rádio Voz de Cabo Verde em Roterdão acompanhou no Palácio das Conferências da capital holandesa.

Ao jeito pró-europeu na tese relação: homem + trabalho + ambiente + economia + direito + cultura + ciência. O que foi feito e bastante divulgado em 1993, já vinha sendo elaborado desde 1980 [ainda nem Portugal, Espanha, Grécia, Malta, Finlândia, Suécia e Leste europeu, haviam aderido ao clube].

Foram apresentados elementos estratégicos dentro da competitividade industrial, iniciando com a qualificação dos trabalhadores, comércio e partilha do saber científico, crescimento e atributos tecnológicos, ocasionando a promoção do quadro comunitário.

Ainda aconteceu a criação da rede europeia dos museus da ciência, ideia da Agência Europeia de Informática Científica, com novidades na especialização de jornalistas sobre ciência.

Entre muita exuberância, nasceu a paisagem moldada no teor e pormenor ao longo dos últimos anos habituando na importância das coisas.

Por outra, a banalização dos problemas mais deprimentes entre responsáveis em não combater certas raízes acumuladas perigosamente, difundindo contínuas fragmentações na vivência democrática.

Tudo isso quando o renovado ato eleitoral foi colocando elementos indesejáveis, perturbadores, extremistas, destruidores do ambiente político integrando processos ou minando no caso, até a comunicação das atividades mais sociais numa agenda parlamentar europeia nem sempre clara.

Nas mais recentes manifestações de várias semanas pelas ruas e praças das localidades cipriotas, ao julgamento dos mais de 300 membros de famílias mafiosas em Itália.

Acrescente-se também a revolta dos jovens da Catalunha contra noves meses de prisão do artista local [“rapper” Pablo Hasél] pelo tanto que a música não agradou aos monarcas, quando o próprio rei agradece ao sistema defensivo onde a beleza de ficar incluído ou protegido pela imunidade, não estar preso das fraudes e práticas ilegais.

O povo desta região espanhola pede a sua independência. Desejam criar o Estado Republicano Catalão, o que é um direito. Entretanto, o rei emérito Juan Carlos I mudou de endereço para Abu Dhabi… coisa hoje muito em voga quando poderosos se sentem acuados.

Nada preocupou a imprensa europeia ou tivesse na hora certa descoberto uma última informação das organizações policiais e especialistas do mercado financeiro, estudando níveis de corrupção.

Deram pouca importância à luta e aos processos pendentes onde a corrupção continua, ocupando lugares destacados. Entretanto, a polícia de Bruxelas, em mais de 200 incursões, prendeu dezenas de pessoas das redes internacionais do crime.

Aconteceu a entrada dos parlamentares. Foi quando “Os Verdes” [antigo Partido Comunista alemão: https://www.greens-efa.eu], em fusão com demais coligações na mesma bancada, divulgaram estudo sobre abusos de poder, escândalos e corrupção na Europa envolvendo fundos, subsídios, apoios financeiros ao centro político a governos da União.

A denúncia envolveu elementos do centro-direita, liberais, extremistas-conservadores… os números disparam em proporção avassaladora quando nas mais recentes amostragens [o estudo leva vários anos].

Indo das fugas aos falsos investimentos, projetos inconclusivos mas onde o dinheiro desapareceu, impostos sem cobrança calculados para suporte na saúde, ensino, habitação, infantários, asilos, aplicação em benefícios a novos desenvolvimentos agrários e criação de emprego jovem; apenas se esfumou.

A grande fraude na União Europeia aparece com números assustadores sempre em flecha, subindo desde 179 bilhões de euros ainda no século XX, aos mais recentes 954 bilhões de euros na última década.

Do cálculo feito em amostragem exemplar conquanto ao efeito danoso, os “Verdes” (Die Grünen) exemplificam que, distribuindo quantias destas verbas pelos 510 milhões de habitantes da União Europeia, calharia a cada cidadã e cidadão a módica quantia de 1.772 euros em cada ano ajudando a economia familiar.

Assim como em 1993 perduraram paixões pela Ciência, cabe perguntar: onde terá ficado essa vontade altruísta do investimento se o aumento da grande fuga e fraude financeira passa nas barbas de todo o mundo?

A outra pergunta a fazer é se tem alguma eficiência jurídica capaz de trancar tamanha sangria? Sabemos sim, pela vida, deslizar desespero de alguns assistindo ao poder da desordem em desespero das mesmas ilegalidades.

Dos níveis absurdos da corrupção da ilha de Chipre onde Gregos e Turcos, sendo ambos Cipriotas, já não escondem gerações em permanente desentendimentos nacionalistas.

Práticas incorretas, venais, desmoralizantes, demonstram como a Europa em suas diferenças bem demarcadas pelo poder do suborno é a total depravação.

O discurso fácil entram na memória do morto; depois, mais logo, nos vemos no restaurante tomando copos e comendo boa lasanha de lagosta.

Conclusões, iguais a fantasias, de como combater o crime, nunca tem, ainda que haja uma Comissão de Justiça da União, chegando sempre tarde demais na ponta final de julgamentos que a própria imprensa lhes perde o rasto.

Anualmente, a fuga financeira aos cofres europeus aumentou de forma descontrolada dos anos de 1980 e 1990 ao século XXI, mais de 300%.

Até o sagrado esporte entra nas ilegalidades. Barcelona, Real Madrid, PSG, entre mais alguns, são notícia tal como outras representações detentoras de empresas fictícias nas ilhas Caimã. O Real Madrid, recebendo 200 milhões de euros limpos de taxa ou impostos do chamado “fundo norte-americano”, indica que a sangria continua caótica.

As fraudes do carrossel se intensificam e o grande buraco negro feito pelos próprios anda criando desesperadas situações podendo conduzir a “conflitos dentro duma escala imprevista”.

Essa observação recente é da prefeita da cidade holandesa [primeira mulher do longo histórico: Femke Halsema, de Amesterdã, leva como divisa urbana: “Valente, Decidida, Misericordiosa”, do holandês Heldhaftig, Vastberaden, Barmhartig]; avisou, para breve, poderemos fabricar “uma grande guerra civil”.

Enquanto isso, a União Europeia anuncia permanente perda de 150 bilhões de euros/ano, dinheiro fugindo aos impostos na maioria dos membros. De 15% dentro da média das nações, aumentou para 32,5%… a cara de pau escondendo números sem precedentes na história intermitente.

Melhor mesmo é promover a cultura científica, se é que algum dinheiro irá aparecer.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano

 

 

 

 

 

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1 comentário

  1. Mauro Andrade Moura on

    Esperamos que de toda essa corrupção e desvios de dinheiro na Europa, sobre uns trocados para o ensino e mantenham o programa educacional Erasmus.

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