Trinta pesos que o Capitalismo não tem

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Veladimir Romano*

Apontando suas agulhas como ponteiros deletérios, se dá início em desesperada solução ensombrando vidas humanas e conduzindo povos ao novo tipo de escravidão. Em seu absolutismo, o capitalismo restringe a liberdade para glorificar a suposta grandeza (desigual) do divino dinheiro, criando-se ânimo indômito dessa esperança sem certeza para o trabalho produzido, causando especulações e tormentos provocados pela ganância dos profetas financeiros.

Esses batem na porta da Previdência Divina, intrincam depois perigosos labirintos alegando que o espírito profético vive numa nota de dólar ou num lingote de ouro.

O absolutismo econômico onde as raízes do sistema capitalista anda fundado, está caindo a cada pedaço no seu pleno desespero. Tudo o que vemos acontecer está previsto no mais recente livro do economista Thomas Piketty: “O Capital e a Ideologia”.

No livro, o autor avisa sobre o colapso da matéria financeira. Portanto, nos mais pormenores dos acontecimentos ocorridos no solo chileno do grande Pablo Neruda, foi antes visto também no Equador, mais anteriormente no Peru, faz dias na Bolívia, como também  ocorreu antes e até hoje persiste nas Honduras.

Como ainda é o que se observa na luta insanável do México contra fortíssimos cartéis marginais, repetindo-se agora no Panamá, Paraguai. O que se observa nesses países é uma luta surda e de agonia declarada quando o sistema de capitais se vê criando o próprio caminho para a crise.

Repressão e grossa pancadaria no Chile, considerado modelo capitalista para os neoliberais (Fotos: Carta Maior)

Vivendo também de propaganda bem organizada, o Capitalismo encontrou na frase “Sucesso Econômico” a grossa mentira da felicidade chilena.

A resposta anda nas ruas por causa de trinta pesos que esse mesmo capitalismo não tem e que tanto precisa sacando da carteira magra dos trabalhadores chilenos o aumento equivalente a dez cêntimos do dólar.

O povo feliz não aguentou tanta felicidade e caiu na rua reclamando seus direitos, a distribuição da fartura desse tão apregoado “Bem Sucedido” país de toda América Latina.

O povo sem medo e cansado de ser trouxa, um dia, naturalmente, teria seu dia marcado por protestos, indignação e revolta.

Obrigatoriamente, o presidente Sebastián Piñera não teve alternativa quanto aos trinta pesos como aumento nos transportes urbanos de tão necessitados que andam as mordomias da classe dirigente e administrativa.

Ora, pensando melhor, na doutrina orgânica dos povos, o Estado deveria ser considerado organismo social de maior confiança, seja, para a realização da máxima moralizadora do pendor coletivo ou a doutrina da vontade geral, confiando aos legisladores as reformas condizentes com as necessidades dos povos e não das elites. Mas não é o que se observa.

O presidente chileno Sebastián Piñera representa desde tempos obscuros da ditadura comandada pelo infeliz general Augusto Pinochet [Sebastián Piñera e seu irmão fizeram fortuna e hoje o presidente é a quarta maior riqueza familiar chilena avaliada em mais de dois bilhões de dólares], quando a Segurança Social chilena foi privatizada, prometendo aposentadoria de 86% e 90% sobre salários.

Mas na realidade, esses aposentados descobrem a fraude, recebendo entre 15% a 30% das promessas capitalistas. O povo não aguentou, saiu às ruas e agora grita por liberdade porque o território latino-americano precisa libertar de seus fantasmas das ditaduras.

Tudo isso exige realismo político contra mentiras, monopólios e corrupção. O salário médio no Chile não chega nos 750 mil pesos: um dólar está valendo 728 pesos. Uma casa de quatro cômodos está valendo acima dos 14 milhões de pesos.

Ao se aproveitar das fraquezas desse processo democrático, é preciso retirar dos baús tochas iluminadoras e assim combater caminhos traçados pelas vãs verdades de um sistema cruel, surrealista e sem méritos para o trabalhador, com suas promessas contraditórias e o seu lume onde se ensaburra a vida moderna.

Os povos na sua nobreza histórica, não podem esperar por mais dilúvio. Isso  até porque já são muitas as perdas sociais, a falta de respeito para com os anseios desses povos e por justiça social.

O sistema capitalista vai remodelando seus enlaces. Coopta seus vassalos, recria reinos, se imperializa dominando soberanias. E assim, demonstra seu lado violento como está acontecendo na Bolívia, no Chile.

Despreza e gosta das nações débeis como um dia Pilatos preferiu lavar as suas mãos diante da violência da reação contra os movimentos sociais contra as reformas neoliberais, que retira direitos sociais e priva as populações do direito à uma vida digna.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-caboverdiano

 

 

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Cristina, A Velha em

    A CVRD/VALE, é a autora dos maiores “Sucessos” em Itabira. Lá, em Itabira, o capitalismo, representado pela Cia. é o Deus nos acuda,mesmo que a lama lhes tirem a vida.

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