Trabalhadores da Vale aprovam proposta patronal e 13º salário será pago após assinatura do acordo coletivo

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Mesmo tendo o presidente do sindicato Metabase de Itabira, André Viana, apresentando números robustos que comprovam o crescente lucro da Vale, trabalhadores da mineradora reunidos em assembleia aprovaram a proposta patronal para o acordo coletivo, com validade por um ano.

Nas duas assembleias realizadas no ginásio da Associação dos Técnicos Industriais da Vale (Ativa), uma realizada pela manhã e a outra à noite, participaram 1.136 trabalhadores.

Apurados os votos, 817 trabalhadores (71%) votaram favorável a proposta patronal, enquanto 319 se posicionaram contrários, com registro de 14 (2%) abstenções. “Respeitando a vontade da maioria, o sindicato assinará nos próximos dias o novo acordo coletivo com a empresa.”

Reajuste e ganhos indiretos

André Viana apresentou os resultados econômicos positivos da empresa e disse que assina o acordo nos próximos dias (Fotos: Divulgação)

A proposta aprovada define o reajuste salarial em 3,5%, com vigência a partir da assinatura do acordo coletivo. Outro ganho econômico foi o aumento do valor do cartão alimentação, que passa para R$ 760. Ficou ainda definido o pagamento do 13º salário, com crédito no cartão em até dez dias úteis após a assinatura do acordo.

Foi apresentado também, pela empresa, o compromisso de negociar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de 2020 em janeiro, após a celebração do acordo.

Além desses ganhos econômicos, a empresa se comprometeu a manter os benefícios e reajuste de referências financeiras em 100% da variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Resultados robustos

Segundo André Viana, como a vontade da maioria manifesta em assembleia, resta ao sindicato respeitar o que a maioria decidiu democraticamente.

Entretanto, ele fez questão de apresentar a robustez do balanço financeiro da empresa, que tem obtido lucros crescentes, resultado do trabalho de seus empregados, que têm batido sucessivos recordes de produção.

De acordo com os números apresentados na assembleia, em 2018, a contabilidade da empresa registrou a geração de quase R$12 bilhões de caixa apenas no 3º trimestre, enquanto no quarto trimestre o registro foi de R$ 14,5 bilhões – um crescimento de 45,6% no lucro da empresa no período.

“Mesmo com o crime ocorrido em Brumadinho, com centenas de mortos, o desempenho da Vale em 2019 é ainda superior ao ano anterior”, fez questão de apontar o sindicalista nas duas assembleias.

Segundo Viana, com o crescimento da arrecadação e redução nos custos de produção, o lucro bruto da empresa registrou crescimento de 13,5% no primeiro semestre de 2019 em relação ao ano anterior.

“O crime de Brumadinho afetou apenas o lucro líquido do primeiro trimestre, em decorrência do montante retido. Ainda assim, esse lucro líquido foi facilmente revertido ainda no terceiro trimestre deste ano”.

Com relação ao endividamento da Vale, o sindicalista acentuou que “nunca foi tão reduzido”. E que mesmo após a tragédia de Brumadinho, a mineradora atingiu um dos índices mais baixos de endividamento ao fim do segundo semestre de 2019.

A redução foi de 15,6% no segundo semestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior – e redução de 61,17% em relação a 2016.

Produção em alta, empregos em baixa

Esses resultados, frisou o sindicalista, são decorrentes dos recordes sucessivos batidos na produção de minério de ferro. Em 2018, a produção nacional da commodity foi de 384,6 milhões de toneladas – um crescimento 4,9% superior ao que foi produzido no ano anterior.

Porém, mesmo com esse crescimento contínuo da produção, caiu o número de trabalhadores na empresa. Em 2017 a Vale empregava no país 73.596 trabalhadores, tendo o quadro reduzido para 70.270 no ano seguinte, queda de 4,58%. A previsão é fechar este ano com um quadro ainda mais enxuto.

Pelos números apresentados por André Viana, cada trabalhador da Vale produziu o equivalente a mais de R$ 1 milhão em um ano, descontados todos os custos de produção e impostos.

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