Todo cuidado é pouco: mosquito da dengue pode matar e causar microcefalia em bebês. Não deixe quintais e lotes com objetos que acumulem água

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90% dos focos do mosquito são encontrados nas residências e lotes abandonados

Dengue é doença grave, causa febres e dores horríveis pelo corpo. E, em caso extremo da dengue hemorrágica, pode até levar à morte. Por isso, todo cuidado é pouco com os vasilhames que acumulam água nos quintais, jardins das residências.

Outros focos estão nos terrenos baldios, que parecem não ter donos, tamanha é a quantidade de entulhos e objetos abandonados que armazenam água – e viram focos do temível mosquito Aedes aegypti.

Outros focos estão também em oficinas que deixam sucatas e peças inservíveis lançadas ao leu, ao ar livre, acumulando água com larvas do mosquito.

Pneus abandonados viram moradia ideal para a proliferação de larvas do mosquito Aedes aegypti (Fotos: Carlos Cruz e Reprodução)

Depósitos de pneus velhos, carros abandonados são também habitat natural desse terrível inseto, que tem vitimado muita gente com suas picadas.

Há muitos estabelecimentos nessas condições em Itabira – seus proprietários parecem pouco se importar, mesmo que a vítima possa ser o próprio, seus familiares, vizinhos e empregados.

Os agentes de combate ao mosquito têm agido por toda a cidade, mas ainda sem a eficácia que a dramática situação exige. É que não basta só o esforço do poder público.

A população também precisa fazer a sua parte com medidas simples, que é não deixar vasilhames, caixa d’água destampada ou piscina descoberta com água. São atitudes que salvam vidas e não deixam o mosquito proliferar.

E há muito a se fazer em Itabira, onde o índice de proliferação do mosquito é alto. A dengue é doença do atraso, da falta de higiene. Depõe contra a população de uma cidade, estado e país.

A proliferação do mosquito é preocupante pelo sofrimento que as doenças que a picada do mosquito acarreta (dengue, zika, chikungunya). Trata-se de um mosquito assassino, como bala de revólver.

Mas mesmo que não mate, causa febre, náuseas, dores por todo o corpo – um sofrimento que ninguém quer – e não deseja para quem está próximo.

Notificações

Segundo informa a Secretaria Municipal de Saúde, o número de notificações da dengue tem aumentado de forma expressiva em Itabira. Só na última semana houve o registro de 218 notificações no município.

Thereza Horta faz o alerta: 90% dos focos estão nas residências e lotes vagos

Pelo levantamento concluído em 15 de maio, foram notificados 725 casos com suspeita da doença em Itabira. Já no levantamento que se encerrou na terça-feira seguinte (21), foram 943 notificações, com confirmação de 128 casos positivos para a dengue – uma taxa de crescimento de 13,6%.

Felizmente, até o momento não há registro de óbitos por dengue em Itabira. Mas se não forem tomadas medidas saneadoras e preventivas por toda a cidade, isso fatalmente pode acontecer.

Quem faz o alerta é a enfermeira Thereza Cristina Oliveira Andrade Horta, superintendente de Vigilância em Saúde. Ela atribui à falta de cuidado dos moradores como sendo a principal responsável pela proliferação do mosquito e para o consequente aumento das notificações.

Residências

Segundo ela, os dados já levantados indicam que 90% dos focos do Aedes aegypti são encontrados nas residências e nos lotes abandonados. Daí que o combate ao mosquito é dever de todos, não só da Prefeitura.

Afinal, além de ser o principal agente causador da proliferação do mosquito, pela falta de cuidados especiais com a limpeza e erradicação de focos, é a população que sofre as consequências.

Itabira conta com serviço eficiente de coleta de resíduos urbanos, inclusive seletiva, com a separação do material orgânico (úmido) do reciclável. Não há, portanto, justificativa para se lançar objetos que possam armazenar água em lotes vagos ou em qualquer outro local.

Somente com a participação de todos é possível vencer essa guerra contra o mosquito para não deixar o vírus circular pela cidade, ameaçando a todos. Para isso, é importante seguir as orientações básicas.

Profilaxia

É preciso limpar e tampar as caixas d’água, assim como as calhas que podem armazenar água de chuva. Água parada armazenada em pneus, nem pensar.

Garrafas, pratos, vasos com flores, enfim, tudo que acumula água é o mesmo que convidar o inimigo para morar ao lado e se espalhar pela vizinhança. Não deixe que isso aconteça.

Limpe quintais e lotes. Ocupe com areia os pratos que ficam abaixo dos vasos das plantas. Garrafas não descartadas, se deixadas ao relento, devem permanecer de cabeça para baixo.

E nunca jogue lixo em terreno baldio. Faça a sua parte e preserve a sua saúde, de seus familiares e vizinhos. Só assim será possível vencer essa guerra interminável, que exige mobilização permanente com os cuidados necessários – e imprescindíveis.

A situação está tão grave em Itabira que a Vigilância em Saúde tem recomendado o uso de repelente, inclusive em pessoas que já estejam com suspeita de dengue. Trata-se de um meio complementar para impedir a transmissão da doença pela picada do Aedes aegypti.

Sintomas

Tratamento de choque: Secretaria de Saúde do Paraná faz alerta contra a dengue no Terminal Central, em Curitiba (Foto: O Globo)

Os principais sintomas da dengue são febre alta, dores de cabeça, musculares e nas articulações – e também na região dos olhos, garganta e barriga. Incluem ainda fraqueza, náuseas, vômito, diarreia e vermelhidão na pele.

Entre a picada e a manifestação da doença há um período de incubação que tem duração média de cinco a seis dias. Geralmente os sintomas só aparecem depois dessa fase.

Há quatro tipos de vírus da dengue. Quando alguém é infectado por um desses, seu organismo cria anticorpos, tornando-se imune ao vírus que foi contaminado. Só que quem já foi infectado pode novamente ser picado e acometido por outra variável do vírus.

É quando desenvolve a forma grave da doença, que é a dengue hemorrágica, muito mais agressiva. As consequências são sangramentos e queda da pressão arterial. E pode matar em qualquer idade: crianças, jovens, adultos e idosos, ninguém está imune.

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