Tô Na Praça é exemplo de economia criativa em Itabira

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No início do ano, com a crise apertando, e ainda sem conseguir emprego, a técnica em edificações Gabriela Assis Guerra não teve dúvida. “Vou viver do meu artesanato”. Mais estimulada ela ficou quando descobriu que não estava sozinha. “Lobão chegou pra mim e falou: ‘Ô Gabi, vamos ocupar as praças de Itabira. Você vende o seu artesanato e eu vendo a minha cerveja’”, conta a artesã, que não teve dúvida.

Projeto Tô na Praça ocupou o Largo do Batistitinha no sábado com venda de artesanatos e boa música (Fotos: Mauro Moura e Carlos Cruz)

“Topei na hora”, relembra a artesã, feliz por não se ver sozinha na nova empreitada. Assim como quem sabe faz a hora e monta o seu próprio negócio, Gabi e o cervejeiro Pedro Ayres, o Lobão, logo concordaram que a praça, em qualquer lugar da cidade, seria o espaço a ser “ocupado” para a venda de seus produtos artesanais sem ter que gastar com aluguel e outros custeios.

No primeiro sábado seguinte, lá estava a dupla “ocupando” com as suas mercadorias a praça José Máximo Rezende Filho, no bairro Campestre. Foram bem recebidos por quem já estava na praça, que é do povo, vendendo os seus produtos, principalmente alimentícios. Afinal, entenderam que os novos parceiros comerciais iriam agregar e trazer mais gente.

Foi assim que nasceu o projeto Tô Na Praça, cujo nome traduz bem a intenção de ocupar criativamente espaços públicos, interagir com moradores e vender os seus produtos. Desde então, já ocorreram quatro “ocupações” com o projeto, três na praça José Máximo Rezende e a última, no sábado passado (16/9), no Largo do Batistinha, no Centro Histórico.

Feito à mão

Embora tenha nascido com a proposta de ser itinerante, Gabriela considera a praça do Campestre perfeita para as feiras mensais do projeto. “Lá tem uma infraestrutura de apoio pronta, com brinquedos para as crianças, palco, praça de alimentação, banheiros”.

Tô no Batistinha

Mas isso não impede que as feiras aconteçam em outras praças, como foi o caso da última edição, ocorrida com a “ocupação” do Largo do Batistinha, dessa vez com apoio da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade patrocinando palco e o cachê artístico dos músicos Rafael “Formiga” e Nandy Xavier, com as boas companhias do flautista Daniel Pantoja, Carlos “Cabeça” e do baterista Tadeu Felipe, entre outros músicos convidados.

Outra atração no Batistinha foi a performática bateria Calangodum, criada e integrada por universitários da Unifei. “A arte nos une e nos reúne aqui em Itabira”, festeja Everton Felipe, quartanista do curso de engenharia de produção. Ele é natural de Machado, cidade do sul de Minas, e conta que demorou um pouco, mas acabou se encantando com a terra de Drummond, conquistado pela sua cultura e arte.

Bateria Calangodum, dos universitários da Unifei

A bateria Calangodum é também um resultado de outra iniciativa bacana, que é o projeto 4ª Arte, de extensão universitária do campus da Unifei, voltado para o desenvolvimento cultural e social dos estudantes, integrando-os com a sociedade itabirana. É assim que a cultura torna-se uma ferramenta de união, confraternização – e da arte do encontro.

Complemento

Hoje, Gabriela está empregada e Pedro Ayres expandiu a sua fábrica de cerveja artesanal. “Além de fazer o que gosto, é um complemento de renda importante”, considera a artesã itabirana.

Daniel Pantoja (flauta) e Rafael “Formiga” (violão)

Por isso, eles e os novos artesãos que aderiram ao projeto não pensam em abandonar as “ocupações” das praças de Itabira para a venda de seus produtos. Pelo contrário, querem expandir e atrair mais gente.

“Estamos crescendo como movimento cultural e comercial”, diz Gabi, feliz com os resultados para os bolsos de quem expõe e para o entretenimento cultural de quem se faz presente. “Estamos a cada feira agregando mais gente criativa.”

Já somando com a dupla no projeto, estão “ocupando” as praças outros empreendedores individuais como a Confeitaria Amado, com doces e bolos, a Doce Maria com brigadeiros, A- Angalê, com as suas mandalas, bolsas e acessórios, AnnoscA, mandalas, mobiles,  a It.for.you , acessórios, Leleh laços, com panos de prato, laços infantil, cachecóis.

Nandy e Carlos “Cabeça”

O leitor, que certamente não irá perder a próxima feira do projeto, poderá também curtir – e comprar os filtros dos sonhos e os acessórios da Gabi e a cerveja Artesan Ayres,do Lobão com a sua kombi.

Fugindo do que é feito com as próprias mãos, mas sem abrir mão da qualidade, participa também do projeto o Brechó Injuô e Polegar, com roupas usadas em bom estado de conservação.

“As feiras têm o mérito também de trazer o itabirano para a praça, um local por excelência de encontro, para se divertir e também comprar uma mercadoria que não se encontra em qualquer mercado”, aplaude a expositora Aguilay Silveira. “Com arte e música, o projeto Tô Na Praça fica ainda melhor. Oferece lazer para a população que anda tão carente de boas opções na cidade”, festeja o baterista Tadeu Felipe.

Abertura

Projeto leva o público a também ocupa a praça

Gabriela conta que por ser a praça um espaço livre e aberto, qualquer artesão pode participar do projeto Tô Na Praça. Não há cobrança de taxa, portanto, não há custo para o expositor. “Só é preciso que se achegue e ajude na divulgação das feiras.” O próximo encontro marcado será no dia 14 de outubro em alguma praça da cidade.

 

 

 

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