“Sou um liberal socialista”, afirma Marco Antônio Lage, prefeito eleito de Itabira pelo PSB, com apoio de evangélicos e parte da esquerda

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Com a cor laranja estampada na logomarca de sua campanha eleitoral, a mesma do partido Novo que, coincidentemente ou não, é também do banco Itaú, o prefeito eleito Marco Antônio Lage (PSB), pela coligação Novo Marco, diz ser um liberal socialista.

Mas ele, embora admita ter um ótimo relacionamento com o governador Romeu Zema (Novo), por quem foi nomeado diretor da Cemig, e mesmo gostando da linha programática do partido em relação à “racionalidade e parcimônia”, diz que não pretende mudar de partido.

“Eu me identifico com o PSB. Ideologicamente eu sou um liberal socialista”, ele se define, ressaltando que as políticas de Estado devem ser voltadas mais para as áreas de saúde e educação, tornando-se mais eficiente.

De acordo com o prefeito eleito, historicamente o Estado se mostrou incompetente para administrar empresas, embora em Itabira admita ser a realidade diferente, tanto que não pensa em privatizar a Itaurb e muito menos o Saae, “uma empresa e uma autarquia que têm prestado bons serviços à população e que precisam ser recuperadas”.

Para Marco Antônio Lage, o que se viu nos últimos anos em Itabira foi a terceirização de serviços essenciais que antes eram prestados com eficiência e qualidade. “Privatização ocorre quando a empresa é vendida e gera caixa para o governo investir no social. Isso não aconteceu em Itabira”, critica. “Vamos estudar como recuperar e fortalecer a Itaurb e o Saae”, compromete.

Conceitos novos

Ainda segundo o prefeito eleito, o partido Novo tem conceitos com os quais ele se identifica, como a necessidade enxugar a máquina administrativa e torná-la mais eficiente. “Mas eu me identifico mais com o PSB ideologicamente”, assegura,  prometendo investir em políticas públicas para diminuir as desigualdades sociais no município.

“Itabira é uma cidade rica. Tem arrecadação fabulosa, mas a renda per capta é baixa, a população é pobre. A maioria ganha menos de dois salários mínimos”, é o que constata.

“Temos que atuar em programas e políticas públicas que contribuam para reduzir a desigualdade social, gerando oportunidades para todos. Para mim é uma vergonha a cidade gastar uma fortuna com a saúde e ter PSFs que não funcionam.”

Marco Antônio Lage conta que na campanha visitou todos os bairros e viu muita pobreza. “Isso me incomoda profundamente. Podemos mudar esse quadro com políticas adequadas e investindo bem os recursos municipais.”

Segundo ele, a Prefeitura de Itabira até investiu nos últimos anos acima do mínimo constitucionalmente assegurado na saúde e na educação, mas sem que isso tenha refletido em igual proporção na melhoria da qualidade desses serviços prestados à população.

“A nota das escolas municipais de Itabira no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) piorou, enquanto melhorou o mesmo índice das escolas estaduais”, compara.

Para reduzir as desigualdades sociais, Lage diz que vai investir em cursos profissionalizantes, sobretudo para preparar a mão de obra para as novas oportunidades de emprego que espera surgir com a diversificação econômica. “Atualmente o Senai está esvaziado, mas pode nos ajudar a preparar essa nova mão de obra, pois tem um escopo muito maior de cursos profissionalizantes e que podemos trazer para Itabira.”

Escola cívico-militar

Inscrita pela Secretaria Municipal de Educação, a escola municipal Marina Bragança pode virar modelo pedagógico e de administração cívico-militar em Itabira. Ou não (Fotos; Carlos Cruz)

Na campanha eleitoral, Marco Antônio Lage teve apoio de grupos evangélicos neopentecostais, atraídos pela presença de seu vice, o médico Marco Antônio Gomes, da Igreja Batista Central – e também de eleitores posicionados ideologicamente mais à esquerda, órfãos do PT municipal que antecipou, em Itabira, a crise política nacional que hoje vive o partido fundado por Luiz Inácio “Lula” da Silva.

Mas ele não acredita que essa salada eleitoral, que culminou com a sua vitória, possa gerar conflitos em seu governo. “É possível ter um programa comum voltado para o desenvolvimento, com geração de empregos e renda, e assim diminuir a desigualdade social”, é o que ele acredita ser objetivo comum de todos os que o apoiaram.

Mas no campo ideológico, um ponto de conflito pode surgir com a proposta de se instalar em Itabira uma unidade da escola cívico-militar, proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Para isso, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Itabira já se candidatou para ter uma escola pioneira nesse modelo. A proposta de escola cívico-militar é tida pelos seus críticos como uma intervenção indevida de militares na educação. Outra proposta apresentada pelo vereador André Viana (Patriota) na Câmara Municipal, mas que não foi para frente, é da Escola sem Partido. Leia mais aqui.

Perguntado se apoiaria a instalação de uma escola cívico-militar piloto em Itabira, Marco Antônio tergiversa – e diz desconhecer a proposta. Para ele, o mais importante é criar novos parâmetros no ensino que passam pela qualificação do professor, com novos conceitos que virão ainda com a pandemia e mesmo para depois, com a nova realidade que já está aí.

“Precisamos repensar a escola para o pós-pandemia, para que saia das quatro paredes das salas de aula. Eu acredito na independência e na liberdade pedagógica em uma escola que deve ser integral e pluralista”, defende Marco Antônio Lage.

O prefeito eleito diz que irá propor como meta figurar as escolas municipais de Itabira entre as dez melhores notas do Ideb nos próximos anos. “É uma meta que pretendemos construir com os diretores, professores, pais e alunos.”

Para isso, ele espera não deixar nenhuma criança sem creche, para que os pais possam trabalhar com tranquilidade, sabendo que o seu filho está bem cuidado.

“O município só deve investir no ensino superior quando a educação básica estiver bem cuidada. Vamos analisar todos os projetos e abrir a discussão com a sociedade itabirana. Temos que ser estratégicos para investir bem os 25% obrigatórios na educação básica.”

Entretanto, Marco Antônio assegura que manterá os investimentos na Unifei. Para isso, os recursos devem continuar sendo alocados por meio dos royalties do minério, que, por não ser um imposto, não entra na conta da parcela mínima tributária que deve obrigatoriamente ser investida no ensino básico.

 

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3 Comentários

  1. Liberal socialista é um posicionamento inconclusivo. O nosso prefeito eleito não possui um posicionamento. Não sabemos portanto qual será sua postura. Esta conversa de melhoria da educação, da saúde e dos serviços públicos é um discurso universal, tanto a esquerda, quanto a direita dizem se interessar por ela. O que não podemos aceitar é um completo abandono da política educacional e de saúde como a que vem ocorrendo no nível federal, que engloba em grande parte os apoiadores do nosso prefeito eleito. Liberais, neopentecostais, militares e afins…

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