“Só vamos adquirir vacinas para imunizar a população de Itabira após aprovação da Anvisa, diz prefeito

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A Prefeitura de Itabira não deve assinar documento ou protocolo de intenção de compras de vacinas enquanto não houver aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Temos que estar atentos às possibilidades e preparados para quando for o momento de fazer a compra, até porque ainda não sabemos qual vai ser a primeira vacina aprovada”, disse Marco Antônio Lage em coletiva de imprensa, nessa segunda-feira (4).

“Estão politizando o tema”, afirma. “É até irresponsável dizer que vai começar a imunizar todo mundo sem ter vacina aprovada pela Anvisa”, considera o prefeito de Itabira.

Sem citar nomes, ele critica a disputa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que continua desdenhando da pandemia, com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pela primazia de se ter a vacina contra a Covid-19.

Doria anunciou para 25 de janeiro o início da imunização no estado de São Paulo, inclusive para todos que estiverem por lá, com aposta antecipada de que a vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a multinacional chinesa Sinovac, será aprovada.

Já Bolsonaro, que até então apostava exclusivamente na vacina que será produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), desenvolvida pela Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca, também ainda sem registro na Anvisa, mas com chance de aprovação para uso emergencial.

Com o atraso, buscou uma segunda via para dar início, ainda em dezembro, à imunização no país com a vacina do consórcio multinacional Pfizer/BioNTech, o que no aconteceu.

Isso por ter o Ministério da Saúde chegado atrasado ao balcão internacional de compras do imunizante. Fez trapalhadas com planilhas de custo defasadas – e não há garantia de que conseguirá e só em fevereiro deve dar início à imunização de quem faz parte dos segmentos prioritários da população brasileira.

Marco Antônio e a secretária de Saúde, Eliana Horta: prefeitura vai esperar a aprovação da vacina pela Anvisa para adquirir, se for necessário, os imunizantes (Fotos: Carlos Cruz)

Riscos

É esse risco de chegar atrasado que corre também o prefeito de Itabira no caso de a campanha de vacinação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sofrer mais atrasos – e sem que a administração municipal tenha assegurada a aquisição de lotes de vacinas suficientes para dar início à imunização da população itabirana sem depender do governo federal.

Já o governador de Minas, Romeu Zema (Novo) promete anunciar o calendário de vacinação no estado ainda no início desta semana. Marco Antônio Lage informa que a sua equipe está em contado com a Secretaria Estadual de Saúde.

E que, além disso, a empresa Vale já acenou com a possibilidade de adquirir vacinas para imunizar os seus empregados e também moradores de cidades em suas áreas de atuação no país.

“Nossa prioridade é organizar a casa e nos preparar adequadamente para quando as vacinas chegarem, com toda a logística estudada e com os insumos necessários”, explica a secretaria municipal de Saúde, Eliana Horta.

Insumos

Andrea Cabral, médica infectologista, considera arriscado aprovar uma vacina sem antes passar pela fase 3 de testes

Para a médica infectologista Andrea Cabral, o aval da Anvisa é imprescindível para vacinar a população com segurança. E também para adquirir os insumos.

“Só então vamos saber o que é preciso para o transporte, o armazenamento e que tipo de seringa adquirir. Tem vacina que já vem com seringas”, explica.

Ou seja, para o governo municipal, não é hora de passar o carro na frente dos bois.

“É grande a possibilidade de a vacina da Oxford ser aprovada para uso emergencial pela Anvisa, que já autorizou a aquisição de insumos para produzir o imunizante, assim como também da Coronavac”, enumera a médica infectologista do Hospital Municipal Carlos Chagas.

Ela também considera ser irresponsável anunciar o início da imunização em massa antes de ter a vacina passado pela fase 3 de testes. “A Pfizer recebeu autorização para vacinar nos Estados Unidos e na Europa com a fase 3 aprovada e mesmo assim ocorreram efeitos colaterais da vacina quando aplicada em milhões de pessoas”, adverte a médica.

Profilaxia

Enquanto a vacina não chega para o início da imunização em Itabira, a médica infectologista recomenda as medidas já conhecidas e que precisam ser observadas por todos: lavar as mãos constantemente, manter o distanciamento social e o uso de máscara. “São as nossas vacinas para o momento”, prescreve.

Segundo ela, com essas medidas é possível obter uma taxa de transmissão abaixo de 1, que é para diminuir o ritmo de transmissão da doença no município. “É quando um grupo de 100 pessoas infectadas transmite o vírus para menos de 100 pessoas  e podemos obter um maior controle da pandemia no município até que cheguem as vacinas.”

 

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