Simulado de autossalvamento em Itabira, em caso de rompimento de barragem, tem participação prevista de 12 mil moradores

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Embora o treinamento simulado do “salve-se quem puder” em caso de rompimento de barragem, programado para ocorrer em diversos pontos da cidade, já esteja agendado para o dia 29 de junho (sábado), às 15h, , ainda estão sendo revisados vários pontos dos respectivos Planos de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBMs).

Tenente-coronel Flávio Godinho, da Defesa Civil de Minas Gerais: “simulado é treinamento para salvar vidas em caso de ruptura de barragem.” (Fotos: Carlos Cruz)

Em Itabira, são 15 estruturas de contenção de rejeitos que compõem os grandes sistemas do Pontal, Rio de Peixe e Itabiruçu. Até a data do treinamento essa revisão deve ser concluída, informa o coordenador-ajunto da Defesa Civil de Minas Gerais, tenente-coronel Flávio Godinho Pereira, em entrevista nessa quarta-feira (15).

A sua divulgação, entretanto, deve ser mantida apenas por meio de cópias impressas para consulta na Defesa Civil do município, instalada no Centro de Educação Ambiental do Parque do Intelecto, no bairro Campestre. E também na Prefeitura, na Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Não há previsão, ainda, de publicar os PABMs na internet, para que fique disponível para consultas on line, como reivindica o Comitê Popular dos Atingidos pela Mineração em Itabira e Região. O receio é de que se crie pânico, uma vez que todas as consequências de eventuais rompimentos estão descritas pormenorizadamente.

“A publicação on line do PABM nunca foi feita. A legislação exige que cópias impressas fiquem disponibilizadas para consulta na Defesa Civil e na Prefeitura. Mas podemos pensar nessa possibilidade. Não é porta fechada, o documento é público”, admite Godinho.

Ele esteve nesta semana em Itabira reunido por dois dias com representantes das defesas civis Estadual e Municipal, Prefeitura, Vale, polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros e Ministério Público. “O que salva vidas em caso de rompimento de alguma estrutura é a evacuação com tempo hábil e segurança”, acrescenta o militar.

Segurança

Segundo o tenente-coronel Flávio Godinho, com base em informações da gerência de Geotecnia da Vale, as barragens de Itabira estão com as declarações de estabilidade em ordem.

“Não houve alteração de nível, não há que se falar em evacuação de moradores. As barragens permanecem com a mesma situação de normalidade”, assegura.

Ainda segundo o militar, nas próximas semanas a empresa Vale irá disponibilizar um aplicativo para o celular que permite saber a localização do usuário.

E irá informar, em tempo real, de onde vem, a velocidade e qual é a distância da lama de rejeitos, em caso de ruptura. “São informações que salvam vidas, se houver necessidade.”

Pontos de encontro

Para o simulado, está prevista a participação de 12 mil moradores de diferentes bairros da cidade. No treinamento, após ser dado o alerta, a população deve se dirigir para um dos 93 pontos de encontro localizados em áreas consideradas seguras, fora das chamadas Zonas de Autossalvamento (ZAS). Cerca de 2.500 pessoas estarão envolvidas na organização e condução do treinamento.

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Por definição legal, as zonas de autossalvamento são as áreas habitacionais localizadas abaixo de uma barragem, numa extensão de até 10 quilômetros – e todas estão relacionadas nos PAEBMs.

Ou seja, se houver o colapso de uma dessas estruturas, hipótese que no caso de Itabira não é preocupante, segundo a empresa e as autoridades, será mesmo um “salve-se quem puder”.

Isso porque somente o deslocamento imediato dos moradores e animais pode evitar uma tragédia de proporções desconhecidas pelo tamanho descomunal das barragens de Itabira.

“Por isso o treinamento é importante, para que as pessoas sigam em segurança pelas rotas de fuga até os pontos de encontro,”, explica o tenente-coronel Flávio Godinho.

Reunião prévia

No mesmo dia do simulado, pela manhã, serão realizadas reuniões prévias com os moradores que se encontram nas zonas de autossalvamento. Os locais dessas reuniões serão definidos e divulgados com antecedência na semana do treinamento.

Segundo a assessoria de imprensa da Vale, o simulado para as comunidades de Santa Maria de Itabira, que estão localizadas na rota da lama, será agendado posteriormente ao treinamento em Itabira. Essas comunidades estão nas zonas de autossalvamento das barragens Santana, Piabas, Cemig l e ll e Quinzinho.

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De fevereiro a abril, informa a assessoria de imprensa da Vale, cerca de 130 pessoas contratadas percorreram mais de 5 mil imóveis em Itabira. O objetivo foi explicar quais são os procedimentos necessários para que ocorra o autossalvamento na eventualidade de ruptura. Nessas visitas foram distribuídos mapas de cada região com indicações das rotas de fuga e dos pontos de encontro.

Priscila, secretária de Meio Ambiente: “simulados serão rotineiros daqui para frente.”

Conforme explica a secretária de Meio Ambiente, Priscila Braga Martins da Costa, o simulado é uma ação preventiva que será rotineira na cidade daqui para frente.

Não é por existir algum risco de ruptura de barragem em Itabira que iremos fazer o simulado. É a nova legislação que determina que se faça”, tranquiliza.

A secretária se refere às novas leis estadual e federal, além de portarias editadas após as tragédias envolvendo barragens da Vale e da Samarco, que também pertence à mineradora, em sociedade com a BHP Billiton, multinacional anglo-americana.

Priscila informa ainda que haverá treinamento simulado em locais com grande aglomeração humana, como na Prefeitura e em todos os prédios públicos e particulares. “Com ou sem riscos de ruptura, a lei obriga que se façam os planos de prevenção e os treinamentos simulados.”

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