Sem se encontrarem, manifestantes fazem passeatas em Itabira contra e pró-Bolsonaro

4
Compartilhe.

A manhã deste sábado (29) foi politicamente movimentada em Itabira com a chegada, enfim, da campanha eleitoral para a presidência da República na cidade.

Caminhada pró-Bolsonaro foi organizada por pastores, vereadores e candidatos (Fotos: Carlos Cruz)

Foram realizadas duas passeatas. Uma organizada por um coletivo de mulheres suprapartidárias contrárias à candidatura do deputado Jair Bolsonaro (PSL).

E a outra, em apoio à candidatura à presidência do ex-capitão, organizada pelo comitê eleitoral dos deputados Lincoln e Leo Portela, pai e filho, ambos pastores evangélicos e filiados ao PR.

O temor de que as duas manifestações se encontrassem, o que poderia causar algum tipo de confronto, não se concretizou.

A dona de casa Maria Angélica Franco Messina assistiu as duas manifestações. “Foi tudo em paz. Só não gosto que fiquem colocando o nome de Deus na política. Deus não tem partido e nem candidato. Quem tem de ter candidato são os eleitores. Cada um vota com a sua consciência, mas é bom que cada parte manifeste as suas convicções em paz, sem agredir ninguém”, recomendou.

Pastores e vereadores pedem votos

Vereadores e candidatos pastores fazem o gesto de arma com as mãos, como se estivessem atirando

A marcha Caminhada pela Família e pela Vida de apoio à candidatura do deputado contou com a participação de pastores evangélicos e também dos vereadores André Viana Madeira (Podemos), Ronaldo “Capoeira” Meireles Sena (PV) e Leandro Paschoal (PRB). Os três manifestaram apoio à candidatura do capitão reformado.

“Bom dia povo de Deus, bom dia, itabiranos. Estamos trabalhando firme para Jair Messias Bolsonaro. Para acabar com a farra das esquerdas no Brasil, Bolsonaro neles”, conclamou o vereador André Viana, presidente eleito do sindicato Metabase de Itabira, o maior dos trabalhadores da região.

“Não vamos mudar o Brasil votando no PSDB ou no candidato do partido que é comandado por um presidiário. O único que pode salvar o Brasil é Bolsonaro”, exaltou o deputado Lincoln Portela.

“Obrigado aos vereadores e aos pastores que aqui estão. Nós queremos um Brasil de verdade, nós não vamos afinar para eles na última hora. Bolsonaro presidente, em defesa da família e dos valores tradicionais”, conclamou Leo Portela.

O pastor Luiz Henrique da Silva orou e pediu votos para Bolsonaro

O pastor Luiz Henrique da Silva, da igreja Assembleia de Deus, foi outro que manifestou o seu apoio. “Nós acreditamos na bandeira do Brasil e essa bandeira se chama Jair Bolsonaro. Itabira também sofre o reflexo da ideologia de gênero e por isso estamos de mãos dadas por um Brasil melhor.”

A Caminhada pela Família e pela Vida terminou com uma oração: “Estamos aqui orando ao Senhor, pedindo a Deus a mudança pela Nação, Senhor, pelo fim da corrupção, em nome de Jesus. Que a história do Brasil seja mudada, pedimos ao Senhor. E assim oramos e agradecemos em nome de Jesus”, orou o pastor Luiz Henrique.

“Definitivamente, ele não”, conclamam militantes

Já pelo lado do coletivo suprapartidário das mulheres contrárias à candidatura de Bolsonaro a crítica foi contundente ao que chamam de “cultura do ódio”, disseminada pelo deputado candidato.

Manifestantes em passeata de protesto: Ele não!

Bolsonaro é autor da famosa frase de que “bandido bom é bandido morto”, ao defender que se faça justiça com as próprias mãos.

Com esse posicionamento político, ele acaba por disseminar ainda mais a violência na sociedade, que pode ocorrer no trânsito e até mesmo entre familiares por disputas diversas.

O coronel da reserva foi muito criticado também quando dedicou o seu voto pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, notório torturador da ditadura militar, ex-chefe do DOI-Codi, morto em 2015. Ustra foi condenado pela Justiça por sequestro e tortura.

Manifestação foi também pelo fim do machismo, da homofobia e da misoginia

“Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”, declarou o deputado na ocasião, em nome de Deus, da família, da propriedade e das Forças Armadas.

A ex-presidente foi torturada com requintes de crueldade pelo coronel Brilhante Ustra nos porões da ditadura militar, de triste memória.

O deputado Bolsonaro é também conhecido por suas posições homofóbicas e racistas. Ele é autor do projeto de Lei 6055/13 que, se aprovado, impede o atendimento médico para vítimas de abuso sexual/estupro pelo SUS.

Manifestações

“Há 28 anos como deputado federal Bolsonaro votou contra o fim da aposentadoria de deputados e senadores, foi contra o fundo de combate à pobreza, se posicionou contrário à lei trabalhista das domésticas”, relacionou a militante Amélia Figueiredo.

Mariana Morozesk, militante do coletivo Mulheres na Praça, teme perder direitos

A bióloga Mariana Morozesk, militante do coletivo Mulheres na Praça, foi também contundente em sua crítica ao candidato Bolsonaro.

“Um candidato que é contra as mulheres, que representa retrocesso nos direitos que conquistamos com muita luta”, discursou.

Entre esses direitos, ela lembrou que até o final do século 19 a mulher não podia ir à escola. “Hoje é difícil imaginar uma educação só para homens. Difícil imaginar as meninas sem ir à escola.”

Morozesk ressaltou também que há 86 anos a mulher não podia votar. “No começo o voto das mulheres foi autorizado apenas para as mulheres casadas, com autorização dos maridos. E às viúvas e solteiras que tivessem renda própria.”

Só após a promulgação da Constituição Federal de 1988 foi que o país reconheceu que mulheres e homens têm direitos iguais. “Esses direitos foram conquistados por mulheres que foram às ruas. Elas lutaram e garantiram esses direitos para nós”, disse ela, que vê na eventual vitória de Bolsonaro o risco de o país retroceder e as mulheres perderem essas conquistas.

“Pelos nossos filhos, pelos nossos direitos, contra o machismo e a misoginia”, conclamou a historiadora Vanessa Faria

Segundo a militante, em Itabira a discriminação da mulher na política é evidente. “Dos 80 presidentes que passaram pela Câmara de Vereadores, apenas duas mulheres presidiram a Casa”, contabilizou, lembrando que atualmente não há vereadora no legislativo itabirano.

“Nenhuma mulher ocupou o cargo de prefeita na história de Itabira”, lamentou, exemplificando como a política ainda discrimina a mulher.

“Não queremos superar os homens, mas queremos que os direitos iguais garantidos na Constituição sejam respeitados. Bolsonaro é uma real ameaça a esses direitos.”

“Homenageio as mulheres de todas as etnias, mas sobretudo a mulher negra”, discursou José Norberto

A historiadora Vanessa Faria também foi contundente. “Pelos nossos filhos, pelos nossos direitos, contra o machismo e a misoginia. Não aceitamos o retrocesso que esse machista homofóbico representa. Ele não!”, repetiu em coro com os manifestantes.

Em nome da maioria negra, o militante José Norberto de Jesus disse que a manifestação representa a luta pelos direitos sociais. “Homenageio as mulheres de todas as etnias, mas sobretudo a mulher negra, para que elas possam ascender ao poder e defender os direitos conquistados.”

A manifestação das mulheres contra Bolsonaro seguiu pelas ruas Água Santa, Alexandre Drummond, dispersando em um grande encontro no Festival de Gastronomia e Arte Tropeira, celebrando a diversidade, no paredão da rua Tiradentes, no centro histórico de Itabira.

 

 

 

 

 

Sobre o Autor

4 Comentários

  1. “Pastores e vereadores pedem voto” simulando estarem com uma arma de fogo e atirando. Que cena “linda” pra quem defende a família e prega o Evangelho.

  2. A incoerência é latente ou é mesmo descarada? Como uma marcha denominada “Caminhada pela Família e pela Vida” apresenta cidadãos empunhando e simulando ataques com armas fictícias. Ainda na presença de crianças. Tudo em prol de torturador, homófobo, desrespeitoso … e despreparado, que em 28 anos de legislador sequer aprovou um projeto. E ainda com participação de pastores evangélicos evocando e invocando Deus a esta barbarie.
    Esta marcha parece coisa surreal, fora de época, remete os anos 60.
    Já a Manifestação #elenão demonstra o poder de mobilização e engajamento de um lado que sempre foi reprimido e submisso. É atual e pertinente. Dá-lhe feministas.

  3. A incoerência é latente ou é mesmo descarada? Como uma marcha denominada “Caminhada pela Família e pela Vida” apresenta cidadãos empunhando e simulando ataques com armas fictícias. Ainda na presença de crianças. Tudo em prol de torturador, homófobo, desrespeitoso … e despreparado, que em 28 anos de legislador sequer aprovou um projeto. E ainda com participação de pastores evangélicos evocando e invocando Deus a esta barbarie.
    Esta marcha parece coisa surreal, fora de época, remete os anos 60.
    Já a Manifestação #elenão demonstra a consciência e o poder de mobilização de um lado que sempre foi reprimido e submisso. É atual e pertinente. Dá-lhe feministas.

  4. Cristina Silveira em

    Bacakana Itabira (mulheres Ferro e de Coração Democrático e Amável), aqui no Rio o centro ficou lotado, tudo na tranquilidade dos vermelhos. Foi belíssimo. Mas insisto em perguntar: onde estavam as 300 mil pessoas quando do #Não Vai Ter Golpe e do #Fora Temer?
    As mulheres Grandes a partir de hoje mudaram os rumos da eleição, pode ser que vai pro segundo turno Haddad e Ciro.
    Lula Livre!

Deixe um comentário