Sem eliminar os focos, mosquito Aedes aegypti pode infectar e até matar. Casos de óbitos crescem em Minas Gerais

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Na guerra que deve ser sem trégua contra o mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, zika e chikungunya, todos devem se engajar – e fazer o que é preciso para evitar que um surto dessas doenças se instale na cidade, como tem ocorrido em outras localidades de Minas Gerais.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o número de casos positivos de pessoas com a doença em Itabira aumentou cerca de 200% nas últimas quatro semanas.  Os casos de notificações também cresceram 278%, o que indica que novas afetações podem ser confirmadas.

Sinal de que o combate aos focos não tem sido eficaz – e só as ações preventivas dos agentes municipais de combate aos focos do mosquito não tem sido suficiente, sendo necessário o engajamento nessa guerra ao mosquito de todos os moradores.

Uma dessas ações é a aplicação de um produto chamado de Ultra Baixo Volume (UBV), que contém produto não tóxico que contribui para eliminar as larvas. Segundo a secretaria de Saúde, o produto não polui o meio ambiente – e não afeta a saúde do agente que aplica o produto e também dos moradores.

O produto é aplicado manualmente nas regiões mais afetadas. É pulverizado nas residências onde foram registrados casos suspeitos de ter focos do mosquito transmissor, como também na vizinhança, em um raio de até 500 metros. É feita também a cobrança para que se faça faxina completa nos arredores, eliminando todas as possibilidades de proliferação.

Visitas domiciliares

Segundo a diretora de Vigilância Epidemiológica, Natália Franco Barbosa de Andrade, as visitas de rotina nas residências também foram intensificadas. “Não podemos descuidar, devendo eliminar todos os focos do mosquito. A população precisa fazer a sua parte.” Sem esse cuidado e profilaxia necessários, todos sofrem as consequências.

Vasilhas com água são focos chamariz para o mosquito. Elimine-as (Fotos: Carlos Cruz e Reprodução)

Ainda de acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica, a melhor arma nesse combate é não deixar o mosquito nascer,  eliminando os focos de proliferação do mosquito. Daí a importância de limpar e tampar caixas d’água, assim como as calhas nos telhados.

E não deixar a água ficar parada em pneus, garrafas, pratos, vasos e outros vasilhames. Fazer a faxina completa nos quintais e lotes vagos é outra necessidade, assim como encher de areia os pratos dos vasos de plantas, guardar garrafas de cabeça para baixo.

Piscinas com água parada e sem cobertura é outro possível foco de proliferação que precisa ser eliminado. É preciso também não se esquecer de esvaziar o recipiente que recolhe a água do desgelo de algumas geladeiras, e que muitas vezes fica esquecido cheio, com o risco de se manter criadouros dentro de casa.

Sem esse cuidado, as doenças decorrentes da picada do mosquito tendem a aumentar. Os principais sintomas da dengue são: febre alta, dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, cansaço e indisposição, tontura, enjoos, vômitos, perda de paladar e apetite, manchas vermelhas pelo corpo e dor abdominal.

Se houver suspeita da doença com esses sintomas, o paciente deve procurar os serviços de saúde imediatamente. A dengue, zika e chikungunya são doenças graves – e podem levar ao óbito. Portanto, preservar a vida é direito e dever fundamental de todos.

Para intensificar o combate aos focos do mosquito pelos agentes municipais, a SMS solicita à população que informe sobre locais onde há em situações propícias à proliferação. Todo cidadão consciente deve se transformar em agente de combate à dengue pelo telefone 3839-2600. Só assim essa guerra será vencida.

Lotes sujos geram multas e fiscalização será intensificada

Resíduos e entulhos lançados na beira de rodovias são também focos do mosquito

Como parte desse combate, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) tem multado os proprietários de lotes na cidade que não têm os devidos cuidados com a limpeza.

Todos lotes devem ser mantidos limpos, com a necessária capina e retirada de materiais que possam acumular água e proliferar o mosquito.

Pelo Código de Posturas Municipais o proprietário é obrigado a manter os lotes limpos. No ano passado, segundo dados da SMDU, assim que saiu publicado o edital com a obrigação de se manter os quintais limpos, 90% dos proprietários atenderam às exigências.

Mas 129 proprietários foram multados por não cumprirem o que determina o Código de Postura. A fiscalização será ampliada, promete o secretário de Desenvolvimento Urbano, Robson Souza.

Liraa é suspenso para concentrar esforços no combate ao mosquito

A gravidade da situação em Minas Gerais levou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) cancelar a realização do segundo Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa), que seria realizada entre os dias 6 e 10 deste mês. Isso para manter todas as equipes centradas no combate dos focos, considerado prioritário. “O vírus está circulando e a hora é de agir”, conclama Natália Andrade.

O último Liraa, realizado em janeiro deste ano, apontou um índice médio de infestação de 5,9% em Itabira, em uma amostragem feita em 1.718 domicílios.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) os índices inferiores a 1% são considerados satisfatórios; 1% a 3,9% indicam situação de alerta; e índices superiores a 4% representam risco de surto. É o caso de Itabira.

 

 

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