“Se crescer muito o número de testados positivos para a Covid-19, vamos exigir a paralisação da Vale”, agora admite André Viana

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A Vale iniciou um projeto piloto para testagem de seus empregados e terceiros para possíveis casos de Covid-19, na segunda-feira (18), confirma a assessoria de imprensa da mineradora. A informação foi dada pelo vereador André Viana (Patriotas), presidente do sindicato Metabase de Itabira, na tribuna da Câmara, nessa terça-feira.

Segundo Viana, serão testados mais de 9 mil empregados diretos e também das empreiteiras. Para a empresa, a medida faz parte das ações para prevenção e combate ao novo coronavírus em suas operações. “A Vale reforça o seu compromisso com a segurança de seus empregados e comunidades.”

Ainda segundo o vereador sindicalista, não está descartada a possibilidade de a empresa parar toda a produção em Itabira, no caso do número de trabalhadores infectados crescer exponencialmente, como está ocorrendo no Maranhão e no Pará. “Vamos exigir a paralisação, dependendo da evolução”, afirmou em coletiva após a reunião da Câmara, mesmo sabendo que a atividade mineradora foi reconhecida como sendo utilidade pública.

“Mas antes”, diz o vereador sindicalista, “não está descartado para a empresa dar férias coletivas ou promover o lay-off”. “Se 100 empregados são testados positivos, isso já pode ter gerado efeito cascata com cada um contaminando mais três ou mais de quatro trabalhadores. Nesse caso, teremos que ver todas as alternativas”.

Lay-off é um conjunto de medidas patronais temporárias, previsto em lei,  que pode ser adotado em conjuntura de crise como é o caso dessa pandemia que o país e o mundo estão vivendo.

Pode ser traduzido na redução das jornadas de trabalho ou até mesmo na suspensão dos contratos de trabalho. É o que já ocorre em algumas empreiteiras, sem que haja desligamento do quadro de empregados.

“Vamos acompanhar a evolução, o que será feito pelo sindicato em parceria com Ministério do Trabalho. Itabira ainda não tem caso confirmado da doença na Vale, os casos suspeitos foram descartados”, disse ele na tarde de ontem, após a reunião na Câmara. “Mas esse número irá crescer com a testagem.”

Na Vale serão realizadas duas rodadas de testes, diz sindicalista

Trabalhadores da Vale em assembleia do sindicato no ano passado (Foto: Divulgação). No destaque, a usina Cauê, em Itabira (Foto: Carlos Cruz)

De acordo com André Viana, os testes na Vale estão sendo previamente agendados para turmas reduzidas. E são realizados em dois postos no complexo Cauê, um na mina Periquito e mais dois no complexo Conceição. “Serão feitas duas rodadas de testes, a segunda 21 dias após a primeira testagem.”

Com o teste rápido, o resultado sai em 20 minutos. “Se testou negativo, o empregado segue para o trabalho. Se for positivo, faz novo teste. Sendo confirmado é retirado do trabalho e segue para casa onde fica em isolamento domiciliar obrigatório na quarentena de 14 dias.”

Segundo o sindicalista, o registro até ontem era de 586 trabalhadores da Vale testados positivos para a Covid-19, principalmente nos estados do Pará e Maranhão, mas ainda sem registro de morte de empregados diretos. “Mas já morreram empregados terceirizados”, lamenta o sindicalista itabirano.

 

 

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