Santa Maria diz não a Bolsonaro, enquanto Itabira diz sim e fica sem deputado

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Jair Bolsonaro (PSL) venceu o primeiro turno da corrida presidencial com mais de 49.275.358 (46,03%) de votos em todo o país. Disputa o segundo turno com Fernando Haddad (PT), sufragado por 31.341.839 (29,28%) eleitores.

A diferença do primeiro colocado para o segundo é grande – superior a 17 milhões de votos. Mas, mesmo com essa enorme diferença, isso não significa que a disputa está definida com o país já tendo um novo presidente.

O segundo turno, embora há de se considerar a enorme vantagem do primeiro para o segundo colocado, é uma nova disputa. E o certo é que o país está dividido – e assim permanecerá qualquer que seja o resultado final desse escrutínio nacional.

Na disputa por corações e mentes, é certo que os partidários de Fernando Haddad irão intensificar as críticas ao programa econômico, social e político do adversário, sem deixar de insistir na crítica à postura misógina e machista do coronel reformado, que foi a tônica principal do primeiro turno.

Já os apoiadores de Bolsonaro, campeões na veiculação de falsas notícias (fake news), certamente irão insistir na tese de que a sua candidatura, até aqui vitoriosa, representa o mais firme combate à corrupção que tem no PT o seu maior expoente. Isso mesmo com o partido de Lula não estando entre os primeiros colocados no ranking da corrupção no país.

Foi esse suposto combate à corrupção que “colou” no primeiro turno, tendo sido dispensada, inclusive, a apresentação de seu plano de governo. Pouco se sabe sobre quais são as propostas do coronel reformado para tirar o país da crise, o que tampouco despertou o interesse de seus eleitores.

O símbolo da mão que atira e mata os inimigos certamente permanecerá na campanha. Para os seus eleitores, basta que o coronel reformado derrote o PT, reveja a lei do desarmamento e combata a violência com a força máxima policial – e também com brigadas paramilitares que certamente serão formadas, para que se faça justiça com as próprias mãos.

Na outra trincheira, a candidatura de Haddad insistirá na necessidade de se estabelecer o que já é chamada de “frente contra a ameaça fascista”. Para eles, uma possível – e provável – eleição de Bolsonaro coloca em risco a frágil democracia brasileira.

O candidato petista deve insistir também na crítica ao programa econômico de Bolsonaro, que ainda não está claro para o eleitor. O pouco que já se sabe é que ele dará continuidade à reforma da Previdência Social – e também à “flexibilização” da legislação trabalhista, criticada por precarizar as relações de trabalho ao retirar do trabalhador direitos historicamente conquistados.

Proposta armamentista não ganha na terra dos garrucheiros

Para resistir e derrotar a ameaça reacionária que os partidários de Haddad dizem rondar o país, com o que seria uma nova modalidade do fascismo italiano, de triste lembrança, eles podem contar com o exemplo de alguns nichos de resistência em pequenas cidades mineiras, como Santa Maria de Itabira e Bom Jesus do Amparo. Nessas duas cidades vizinhas, a candidatura petista sagrou-se vitoriosa.

Em Santa Maria, Haddad obteve 2.865 votos (49,77%), enquanto Bolsonaro ficou com 1.595 (27,71). Bom Jesus do Amparo também não deu vitória ao coronel reformado, que obteve 1.181 votos (35,17%), dando ao candidato petista 1.372 votos (40,86%).

Já em Itabira, cidade operária mineradora que nas últimas eleições presidenciais sempre deu vitória aos petistas, dessa vez disse não ao candidato de Lula. Haddad ficou com 16.147 votos (25,87%), com Bolsonaro saindo vitorioso com 29.859 votos (47,84%).

Itabira, mais uma vez, fica sem representação parlamentar

Se as eleições para presidente e para governador ainda dependem de decisão em segundo turno – com Romeu Zema, do “Novo”, com 4.138.967 (42,73%), disputando o Palácio da Liberdade com Antônio Anastasia, do PSDB, com 2.814.704 (29,06%) – já para as eleições proporcionais (deputados e senadores) o resultado é definitivo.

Bernardo Mucida fica na primeira suplência de sua coligação, mas reforça o seu recall para a eleição municipal de 2020

E, mais uma vez, Itabira ficou sem deputados para representar os seus interesses tanto na Assembleia Legislativa como na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). Consequência natural de ser uma cidade garimpeira, sem que se tenha uma unidade comunitária, com interesses coletivos bem definidos. Centenas de candidatos a deputado garimparam votos no município.

Portanto, a não eleição de Bernardo Mucida (PSB) com 34.797 votos no estado e 24.496 em Itabira, assim como a não reeleição do deputado Raimundo “Nozinho” Barcelos com 55.590 votos em Minas Gerais e 7.563 votos em Itabira, não podem ser atribuídas ao lançamento de última hora da candidatura de Luiz do Mosaico (PPL), que obteve um total de 53 votos no estado, sendo nove fiéis eleitores amigos em Itabira, sua cidade natal.

O deputado Nozinho não se reelegeu

Mucida é o primeiro suplente da coligação proporcional que ele participou, mas dificilmente assume uma vaga na Assembleia Legislativa – só se ocorrer a cassação ou afastamento por doença, ou com a morte de algum deputado eleito de um dos três partidos coligados.

Entretanto, com a votação obtida, Mucida se fortalece, permanecendo em evidência para disputar, mais uma vez, o cargo de primeiro mandatário de Itabira na eleição municipal daqui a dois anos.

O seu recall, que é a lembrança que o eleitor tem de seu nome, permanece forte. Ele deve disputar a sucessão de Ronaldo Magalhães com o próprio e com outros políticos que saem fortalecidos com a provável eleição presidencial do candidato do PSL.

Candidatos de farinha

A candidatura de Camila Sgarbi (Pros) foi apenas figuração, revela o resultado eleitoral. Obteve 885 votos no estado e 615 em Itabira, totalizando 1.500 sufrágios em seu nome.

Foi o que ocorreu também com os candidatos a deputado federal, que buscaram ganhar visibilidade com a eleição proporcional deste ano, de olho nas eleições municipais para a vereança na cidade.

O vereador Rodrigo Diguerê (PRTB) obteve 9.492 votos, sendo 7.011 em Itabira. O pastor Elias Lima (PMN) ficou com 5.362 votos no estado, a maior parte no município onde reside, onde obteve 4.871 votos.

O vereador Reinaldo Lacerda (PHS) ficou com 3.563 votos em Minas Gerais, desses, 2.512 em Itabira. Já Toninho da Pedreira (PPS) conseguiu convencer 3.100 eleitores, ficando com 2.820 votos de eleitores do município.

Mais uma vez, Itabira terá que contar com apoio de deputados de outras cidades para obter emendas parlamentares para a saúde, educação, segurança. Não terá quem represente o município nesse momento em que se prepara para se defrontar com o fim da mineração, que é de longe a sua principal atividade econômica.

Itabira terá de organizar outras formas de lutas para que o fim inexorável da mineração não resulte na confirmação da derrota incomparável.

 

 

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