Saae diz que Itabira já trata 91% do esgoto domiciliar urbano. Vereadores contestam esse índice, embora reconheçam avanços

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Embora os números possam ser positivos no balanço da atual gestão do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae/Itabira), houve muito questionamento com relação ao percentual dos efluentes domiciliares urbanos tratados na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Laboreaux.

De acordo com relatório apresentado pelo presidente da autarquia municipal, Leonardo Lopes, em reunião das comissões temáticas, na quinta-feira (17), na Câmara Municipal, Itabira já estaria tratando 91% de todo o seu esgoto domiciliar, contra apenas 44% tratados anteriormente. Antes, até o início da atual gestão, Itabira só conseguia dar tratamento correto a 43% de todo esgoto gerado na cidade.

Essa alta performance, entretanto, segundo o vereador oposicionista Weverton “Vetão” Andrade (PSB) não bate com o que tem sido observado na cidade. Mas se for real, coloca Itabira entre as 50 cidades brasileiras que tratam a quase totalidade de seus esgotos domiciliares urbanos.

No país, segundo dados da Agência Nacional das Águas (ANA), que foram apresentados pelo Saae, a média de tratamento é de 43%. No Nordeste e em Minas Gerais os índices atingem 44%, enquanto São Paulo fica com 64%.

Investimentos

Leonardo Lopes (à esquerda, em pé) assegura que a cidade já trata 91% do esgoto urbano. O vereador Vetão pôs em dúvida e apresentou casos de o esgoto seguir sem tratamento

Segundo relatou Leonardo Lopes aos vereadores, Itabira teria alcançado esse elevado índice após ter instalado, nos dois últimos anos, uma extensão de 9,8 mil metros de redes coletoras e ou emissários. Com isso, disse ele, as redes de esgoto da cidade, em sua maioria, passaram a ser interligadas com a ETE Laboreaux.

Outro fator importante para atingir esse alto desempenho teria sido a duplicação da capacidade produtiva da ETE Laboreaux. Com os investimentos, a sua capacidade de tratamento teria saltado de178 litros por segundo (l/s) para 356 l/s – um incremento de 160 l/s.

Some-se a isso o investimento que a Prefeitura alocou na reforma do conjunto das bombas coletoras, que estariam sucateadas. “Das oito existentes, encontramos apenas uma em operação. Desde o ano passado, todo o conjunto passou a operar em plena carga”, assegurou o presidente do Saae.

Ceticismo

No trecho onde os interceptores são visíveis, como no início da avenida Carlos Drummond de Andrade, a água está barrenta mas sem esgoto

Essas informações foram vistas com ceticismo pelo vereador Weverton “Vetão”. De fato, os efluentes que desaguam no canal da Penha (que erroneamente chamam de canal da Praia), com exceção do trecho inicial, onde os interceptores estão visíveis, todo o resto até o bairro da Praia se encontra com o esgoto poluindo a água do córrego.

Além disso, conforme denunciou o vereador oposicionista, no final da avenida Li Guerra, a menos de 1,5 quilômetro da ETE Laboreaux, o esgoto está “entancado”, causando mau-cheiro insuportável, além da proliferação de animais peçonhentos.

“Todo o esgoto dos bairros adjacentes estão seguindo pelo córrego sem tratamento”, afirmou o vereador. “Reconheço os avanços, mas com a receita que o município arrecada é inadmissível que todos esses problemas ainda existentes com a falta de saneamento básico ainda persistam”, lamentou.

Já no restante do canal, onde os interceptores não são visíveis, o esgoto continua poluindo a água do córrego da Penha

O presidente da Câmara, vereador Heraldo Noronha (PTB), também confirmou a existência desses “problemas” do esgoto entancado no canal, bem em frente à sua residência, no bairro Praia. “Estamos cobrando solução desde o início do mandato ainda sem sucesso”, registrou.

De acordo com ele, para o local corre esgoto do bairro Praia, que vem da rua Paraíso, Januária, Mesquita e da rua João Camilo de Oliveira Torres. “Em nome dos moradores temos insistentemente pedido solução para esse problema”, voltou a cobrar o presidente do legislativo itabirano.

“O esgoto da Vista Alegre (comunidade rural) está caindo no córrego da Pureza”, acrescentou o vereador. Trata-se de uma grave denúncia, uma vez que a ETA homônima é responsável pelo abastecimento de água para mais da metade da população itabirana.

Solução próxima

Leonardo Lopes disse ter conhecimento desses problemas e que deverão ser solucionados ainda nesta administração da autarquia municipal. “É inegável que tivemos um avanço histórico no tratamento de esgoto. Só que não vamos conseguir resolver todos os problemas de um dia para o outro.”

Esgoto entancado no final do canal da Penha, no bairro Praia

Para isso, já foi concluído o projeto executivo para a construção de uma nova ETE no bairro Pedreira do Instituto. O distrito de Ipoema já conta com uma ETE, falta ainda instalar a estação de Senhora do Carmo.

E até o final deste governo, a promessa é ampliar a rede de coleta de esgoto para 98% dos domicílios urbanos, com a rede de esgoto enfim chegando a 1,5 mil residências que ainda não contam com essa infraestrutura urbana.

É incrível, mas para um município que historicamente figura entre as oito maiores receitas de Minas Gerais, já era tempo de não se ter uma única rua na cidade, e também nos distritos, sem rede coletora de esgoto.

Espera-se que esse avanço no tratamento de esgoto seja real, com o município deixando de poluir os cursos d’água na zona rural, um pré-requisito para incrementar o turismo ecológico, e que é fundamental para a saúde e a qualidade de vida da população.

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1 comentário

  1. O SAAE de Itabira é de uma incompetência impressionante. Há anos que se fala que estão resolvendo a falta de água em Itabira e nada acontece. Falam em trazer água do Rio Tanque que também está sofrendo com as barbaridades de seus ribeirinhos. Trazer água de onde não tem é enganar otários, e colocar dinheiro pela sargetas e enriquecer as empresas de cartas marcadas que participam das licitações de serviços prestado a comunidade desta cidade que são feridas por pessoas incompetentes.
    Ao ligar para cobrar que em minha residência não entra uma gota d’água há cinco dias, apenas desculpas e mais desculpas. Falam que a culpa da estiagem, outra hora é que bomba do sistema quebrou, ou que faltou energia elétrica. Ora bolas, é o cúmulo falar em falta de energia elétrica se hoje existe a energia solar que pode alimentar as ditas bombas. Será que também eles desconhecem os fatos. Falar em falta de água na cidade é um tiro no pé. Água existe e são águas boas e limpas tão perto da cidade. Listo aqui algumas: Ribeirão do Engenho, Ribeirão da fazenda Cachoeira, Ribeirão de São José, Ribeirão do Tambor, e isto estou apontando apenas uma migalha do que existe. Portanto cidadãos itabirano, liguem , cobrem do SAAE uma providência. Seus telefones de contato são: 3835 9695/38359696 ou 115. Chega de descaso com o povo.

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