Retalhos das Crônicas

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Nº. 184 – Ano XIV, Nova Friburgo, 14.4.1918.*

Vida Nova, por Carlos Drummond Andrade.

“Com a alma cheia de fé e de esperança, louvamos a Deus cuja bondade paternal nos proporciona tantas venturas, e abrimos o nosso coração para que nele penetre a chama do amor divino. Que as nossas preces subam, puras e sinceras, até azul esfera, para que, no percurso do ano tenhamos a benção de Deus, protetor dos nossos estudos, dos nossos trabalhos, das nossas esperanças, da nossa vida. “ (cda)

“Comentário sobre o início do ano letivo. É a mais antiga peça de CDA impressa em letra de forma. Precede de um mês o poema-em-prosa “Onda”, tido como a mais remota produção editada de Drummond. As composições estampadas no Aurora Collegial, órgão dos alunos do Colégio Anchieta, dos padres jesuítas em Nova Friburgo, são inteiramente desprezadas pelo autor, que se queixa, inclusive, de emendas e acréscimos alheios à redação original, feitos pelos responsáveis pela publicação. Mesmo assim, achamos conveniente registrar estas composições, pois evidenciam, como serem as mais antigas, os primeiros passos de CDA, esboço válido de seu aprendizado. ” (Py)

“As prosas colegiais de Carlos Drummond de Andrade”, Vida nova e Maio denunciam a inexperiência e a ingenuidade de um principiante, e as restantes, reagiam pela justeza, pela medida, pela elegância, pela descontração contra a solenidade, a pompa, o derrame sentimental, o foguetório verborraico dos prosadores da época”. (AS)

“Nessa contradição da vida nem mesmo Deus escapa, que na infância do poeta é visto como a razão de seu viver, levando a desejar a imitação da vida dos santos e da vida de Cristo, momento que coincide com a sua estada no Colégio Anchieta dos jesuítas, numa espiritualidade que o jovem Carlito iria sentir como “obediência” cadavérica, de negar a própria vontade e sob risco de condenação ao Inferno. Ali com sua participação no “Aurora Colegial”, um jornal destinado a interação dos alunos do colégio que iria consolidar sua paixão por escrever, chegando mesmo a ser laureado com “certames literários”. Seu primeiro escrito foi em abril de 1918, quando escreve “Vida Nova”, um comentário ao início do ano letivo, já imbuído do catolicismo que havia mergulhado no colégio. ”(AVB)

 

*Pesquisa, organização e compartilhamento: Cristina Silveira

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