Restauração arquitetônica da usina Ribeirão São José é concluída, mas parque ainda não está aberto para visitas

WhatsApp Pinterest LinkedIn +

Não é ainda um parque temático de energias renováveis, conforme está no projeto original de restauração, mas enfim a Prefeitura restaurou o conjunto arquitetônico e histórico da usina Ribeirão de São José.

A abertura do Parque Natural Municipal Ribeirão de São José para visitação e práticas esportivas só aguarda agora a chegada de vacinas para imunizar todo mundo. Necessita também de um plano de manejo para que não ocorra nova depredação desse patrimônio municipal – e também para a sua sustentabilidade, com envolvimento das comunidades rurais vizinhas.

O investimento no restauro foi de R$ 1,7 milhão e saiu do Fundo Especial de Gestão Ambiental (Fega), formado com recursos de multas e compensações ambientais. O investimento incluiu também o projeto paisagístico e o calçamento de duas trilhas, além da construção de um portal na entrada.

Mas falta colocar corrimões, principalmente nos trechos mais íngremes, além de corrigir um forte processo erosivo na trilha que leva à represa.

A reabertura do parque é tarefa que fica a cargo do próximo governo municipal, que toma posse em 1º de janeiro. É quando precisa definir, desde o primeiro dia, a permanência constante de vigilância no local.

Isso para que o conjunto arquitetônico, histórico e paisagístico não volte a ser depredado e saqueado, como aconteceu no início da atual administração que ora finda. Saiba mais aqui. Até então, após a restauração, a Prefeitura vem mantendo vigilância da Itaurb na portaria. o que deve ocorrer permanentemente.

Sem vigilância, a Casa de Máquina foi depredada com furto de equipamentos, cabos elétricos . E até as esquadrias e a porta em madeira foram surrupiadas, tendo que ser refeitas (Fotos: Carlos Cruz)

Como chegar

O parque fica perto da cidade e há dois caminhos para se chegar lá. Em ambas alternativas, as estradas vicinais foram melhoradas com patrolamento e cascalhamento. E foram instaladas placas de sinalização talhadas em ferro fundido, à semelhança dos Caminhos Drummondianos, só que com letras vazadas.

Saindo da praça Acrísio de Alvarenga, passando pelo Engenho, fica a 12,5 quilômetros pela rodovia que liga Itabira a Nova Era, pegando estrada vicinal à esquerda, pouco antes da Belmont.

A outra alternativa é seguir pelo anel rodoviário em direção à já conhecida rampa de voo livre. Por esse caminho, basta seguir pelo anel rodoviário sentido Santa Maria e entrar à esquerda, pouco antes do pesque-pague Recanto da Serra. Por esse caminho a distância é mais curta: o parque fica a 9,2 quilômetros do centro da cidade.

São dois caminhos para se chegar ao parque, ambos sinalizados. Mas visitas terão que aguardar o fim da pandemia e um plano de manejo para não ser novamente depredado

Complexo turístico inclui a rampa de voo livre, estação de mountain-bike e trilhas, tendo ao lado a Mata do Bispo

O parque tem tudo para virar um complexo turístico, uma unidade de conservação e educação ambiental importante e de grande atração em Itabira. Nesse complexo inclui a rampa de voo livre, que fica bem próxima do parque.

Inclui também o projeto, em implantação, do Circuito de Bicicletas Entre Parques, que vai oferecer marcos de direção e sinalização, painéis informativos, postes solares para recarga de bicicletas elétricas, entre outras estruturas de apoio ao ciclista. Leia mais aqui.

Trilha calçada em direção à barragem e do paredão rochoso

Já no parque, os atrativos são também as duas trilhas calçadas. A primeira, com início à esquerda da Casa de Máquinas, segue até a barragem da usina. Mais adiante, a uma distância de 50 metros, têm-se um paredão rochoso.

A segunda trilha leva à cachoeira, que é imprópria para banho pelo risco de acesso. Mas é de grande atrativo contemplativo.

Esportes radicais

Com todos esses atrativos naturais e outros que foram acrescentados, o parque tem tudo para atrair adeptos do ecoturismo, com boas condições para a realização de esportes radicais, como escalada, rapel, trekking, além de mountain bike.

Pode também ser transformado em centro de educação ambiental voltado para práticas demonstrativas da geração de energias renováveis, como está em seu projeto original. E que foi incluído na condicionante não cumprida da mineradora Vale, com geração de energia eólica, fotovoltaica e elétrica.

Usina

Para isso, é preciso restaurar a usina hidrelétrica, tarefa essa que ficou prejudicada com a destruição e furto de equipamentos históricos que já não fabricam mais.

Trilha em direção à cachoeira: caminho bucólico entre árvores da Mata Altântica

Ronaldo Lott, secretário municipal de Obras, conta que a Prefeitura chegou a levantar o custo da restauração e compra de novos equipamentos.

Segundo ele, gira em torno de R$ 1 milhão – uma bagatela que a mineradora Vale pode assumir e completar o projeto de implantação da unidade de conservação.

Para a ampliação do parque, ainda no governo de João Izael, a Vale adquiriu 329,31 hectares de terras ao redor. E repassou à Prefeitura recursos para abertura e manutenção de aceiros, além do pagamento de vigilância no local por um período de dez anos.

Esse convênio pode ser renovado. Deve incluir também o cercamento de toda área do parque, que já vem sendo invadido por gado de fazendeiros e sitiantes vizinhos.

Laboratório

Um projeto que chegou a ser apresentado à Prefeitura visa transformar a usina, depois de restaurada, em uma extensão do laboratório de elétrica do campus da Unifei de Itabira.

Turbina da usina: restauração e compra de novos equipamentos estão orçados em cerca de R$ 1 milhão

A proposta chegou a ser apresentada pelo professor João Lucas no início deste governo – e antes do roubo e dilapidação da usina. Antes, ele fez várias visitas à usina, quando ainda havia vigia, acompanhado do professor Clodualdo Vinício de Souza, ambos do grupo de pesquisa de Controle e Conversão de Energia, do campus local da Unifei.

Mesmo com o roubo de equipamentos, João Lucas considera viável a restauração da usina para voltar a funcionar como unidade demonstrativa.

“São equipamentos de valor histórico e que podem virar um laboratório para os alunos observarem, na prática, como era a geração de energia elétrica no início do século passado”, vislumbra o professor. “O potencial do parque é imenso, turístico e cultural, além de poder servir como extensão universitária.”

História

A Casa do Administrador foi também restaurada: espaço de apoio

Conforme registra o Atlas de Itabira, publicado pela Prefeitura em 2006, a usina Ribeirão São José foi construída com recursos captados em 1912 junto ao Banco Hipotecário de Belo Horizonte, um empréstimo no valor de 30:000$00 (trinta mil réis). O projeto incluiu também a implantação de rede de água e esgoto e a iluminação pública na cidade.

No ano seguinte, a Prefeitura contratou com a Companhia Brasileira de Eletricidade Siemens-Schuckertwerke o fornecimento de materiais para a montagem dos equipamentos da usina.

“A usina era movida por uma turbina Pelton de 53 cavalos de alta pressão.” Foi com ela que a cidade de Itabira “passou a ser iluminada por mais de 250 focos de 50 velas, 200 deles instalados em postes tubulares de aço Manesmann”.

Que a pequena e histórica usina hidrelétrica seja restaurada, assim como instaladas as demais unidades demonstrativas de geração de energias alternativas (eólica e fotovoltaica).

E assim, que seja completada a implantação do Parque Natural Municipal Ribeirão de São José, vizinho da Reserva Biológica Mata do Bispo, outra unidade de conservação preservada e que gera ICMS ecológico para Itabira.

A cachoeira, com mirante: contemplativa, imprópria para banho

Uma grande erosão ameaça levar junto trecho da trilha já próximo da barragem: correção precisa ser urgente

Check-list com as obrigações da Vale e da Prefeitura na implantação do Parque Natural Municipal Ribeirão de São José

Compartilhe.

Sobre o Autor

Deixe um comentário